Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Jun 10
publicado por João Monteiro Lima, às 16:12link do post | comentar

Após ter tido conhecimento do desaparecimento de José Saramago, ter visto alguns dos muitos directos (da saída de Lanzarote à chegada Lisboa), ter assistido pela televisão ás cerimónias fúnebres, ter ouvido muitas opiniões sobre o escritor, todas sentidas - desde os disparates aos mais rasgados elogios, decidi transmitir também a minha opinião sobre Saramago e que vi e ouvi por estes dias.

Destaco os disparates covardemente proferidos por um português, habituados que estamos a que não tenha coragem para nada, mais uma vez este cidadão demonstrou falta de coragem ao não afirmar a quem se destinava a frase: "é simbólico que Portugal homenageie quem é contra Portugal", dele (desse português) não rezará a história", tal como não se lembrará dos que censuraram Saramago nos anos 90.

Cavaco (tal como Jaime Gama) apenas cumpriu os "serviços míninos", deveria(m) ter vindo ao funeral. Não que Saramago precisasse, mas era o que se impunha a quem tem as responsabilidades de deles.

Destaco as opiniões do PSOE  e de Maria Teresa de La Vega, vice-Presidente do Governo Espanhol, e as dos portugueses desde Sócrates a Louçã, passando por António Costa, Mário Soares, Manuel Alegre ou Jerónimo de Sousa ou Marcelo Rebelo de Sousa.

Estiveram bem os muitos portugueses (e os espanhóis) que reconheceram Saramago como um nome maior na literatura mundial e se associaram na última homenagem que o País lhe prestou.

Para mim, Saramago é o nome maior da literatura portuguesa actual. Incontroverso e desalinhado até ao fim, manteve-se fiel ao PCP até à morte, passou pela política chegando a Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (eleito na coligação PCP/ PS), nunca abdicou de dar a sua opinião por mais incómoda que fosse. Nem sempre partilhei as opiniões de Saramago, mas reconheço que Saramago não falava por falar.

Se alguma direita e a Igreja "não perdoam" muitas coisas a Saramago, a esquerda não o esquecerá. Nem o País, nem o Mundo.

Agora que partiu, deixou uma obra que ficará para sempre. Para quem não leu aconselho o livro "Levantado do Chão".


Na minha modesta opinião, nunca achei o Ensaio da Cegueira tão pertinente como agora!
Anónimo a 22 de Junho de 2010 às 13:04

Confesso não ser particular apreciador de Saramago, como escritor. Talvez o defeito seja meu.
Gostei de "Levantados do chão", que li, com fulgor e arrebatamento, por conhecer o território e a realidade social ali retratada; mas, depois, gostei do "Memorial..." e pouco mais.
Contudo, é um Nobel, logo, um símbolo de Portugal e, como tal, merecedor de todas as honras.
Cavaco Silva, preso pelas "amarras" recentes que a Igreja Católica lhe lançou, por causa dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, escolheu, uma vez mais, a omisão.
Mostrou que não repesenta decentemente Portugal, afinal, única tarefa que lhe é pedida.
Abel Ribeiro a 23 de Junho de 2010 às 16:39

Não acompanhei as exéquias, mas as atitude que relata não me surpreendem, designadamente a de Cavaco Silva.
Fiz um pequeno registo no próprio dia do falecimento no blogue Incursões.
José Carlos Pereira a 23 de Junho de 2010 às 23:02

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