Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
25
Ago 10
publicado por João Monteiro Lima, às 00:25link do post

O PCP já tinha adiantado que avançaria com um "candidato próprio" às eleições para a Presidência da República. Sabia-se que estaria por dias a divulgação do nome do candidato, e que seria ou Bernardino Soares ou Francisco Lopes. Um é o actual líder parlamentar e o outro, e postos de parte os militantes do PCP e poucos mais, é um deputado praticamente desconhecido. Pensei que a escolha recairia sobre Bernardino Soares.

Percebo o que o PCP pretende ao apresentar um candidato "próprio", tentar (pois com este candidato, ou muito me engano, ou pouco mais conseguirá) fixar o debate em algumas matérias que lhe são tão queridas como a defesa da Constituição, do 25 de Abril e dos direitos dos trabalhadores. Percebo ainda que o PCP pretende mobilizar o seu eleitorado a participar nas eleições, tentando evitar a vitória de Cavaco Silva.

Não entendo, como é que o PCP, através de Jerónimo de Sousa, vem afirmar que Manuel Alegre (e Fernando Nobre) "representam percursos, práticas e projectos que comprovadamente se diferenciam e afastam das exigências necessárias a um novo rumo para o país", quando são conhecidas tantas divergências, nomeadamente de Alegre sobre o caminho que vem sendo trilhado. Não entendo o porquê de tais afirmações, porque sei que o PCP pretende derrotar Cavaco e porque, no caso de uma 2ª volta entre Cavaco e Alegre, o PCP irá indicar o seu apoio a Alegre, tal como sucedeu com Soares em 86. O que representava, em 86, Mário Soares para o PCP? Não tenho dúvidas que Alegre foi sempre mais de esquerda do que Soares. Numa eventual 2ª volta entre Cavaco e Alegre, será de questionar Jerónimo de Sousa se Alegre deixou de representar os tais "percursos, práticas e projectos" tão que perigosos. Ou será que, nessa altura Alegre será já bastante melhor e abandonou tais "percursos, práticas e projectos" e está já no tal "novo rumo para o País"?

Ouvi as intervenções dos restantes candidatos, Defensor Moura (outro candidato praticamente desconhecido no País, exceptuando a zona do Minho), Fernando Nobre e Manuel Alegre, e de todas destaco a forma como o candidato Manuel Alegre não respondeu as acusações que lhe foram feitas por Jerónimo de Sousa, e reconhecendo que este é o caminho habitaulmente escolhido pelo PCP e que "nunca foi por culpa do PCP que se perderam eleições Presidenciais", numa alusão a eventual apoio do PCP para derrotar Cavaco.

Dos nomes mais próximos da área do PCP, o único que apoiaria quase incondicionalmente seria o de Manuel Carvalho da Silva, líder da CGTP, mas o próprio há já muito tempo que se afastou de tal caminho. Pelo que, e numa eventual 2ª volta entre Cavaco e Alegre, Jerónimo de Sousa e os outros dirigentes do PCP não precisarão de perder o seu tempo a tentar-me convencer a votar em Alegre, tão só porque há muito que sei o quero. E como não tenho feitio para engolir "sapos" ...

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