Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
21
Jun 10
publicado por José Carlos Pereira, às 00:15link do post | comentar | ver comentários (2)

A Associação dos Amigos de Tongobriga tem vindo a promover um importante ciclo de conferências no ano em que se assinala o 30º aniversário do início das escavações na Área Arqueológica do Freixo. Essas iniciativas têm contribuído para aproximar muitos marcoenses da realidade ali vivida.

Contudo, há outras coisas que também ficámos a saber. Por exemplo, que as escolas marcoenses raramente levam os seus alunos a visitar o Freixo, perdendo assim uma excelente oportunidade de fomentar junto dos alunos o conhecimento da realidade local e, desse modo, ajudar a construir uma forte identidade com o território.

Bem sei que é mais interessante, para todos, que os passeios escolares sejam prolongados, até paragens mais distantes. Mas estou certo que seria possível encontrar um equilíbrio adequado e aproveitar o facto de ter ao pé da porta uma das mais importantes estações arqueológicas do período romano em Portugal. É quase um crime que os nossos alunos, e por consequência muitos dos seus pais, desconheçam Tongobriga.


11
Jun 10
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Há alguns dias travámos aqui um debate acerca da política de investimento nas escolas do concelho, a partir do exemplo conhecido do município de Paredes. Contámos nessa ocasião com um oportuno texto do vice-presidente da Câmara de Marco de Canaveses, José Mota.

Pois bem, nem de propósito, vem o "Repórter do Marão" desta semana denunciar a sobrelotação da EB 2,3 de Toutosa, que tem actualmente mais dez turmas do que as que devia ter. Essa sobrelotação obriga ainda a dividir salas e a utilizar como salas de aula espaços destinados a outros fins. No mesmo agrupamento, o jornal identifica alguns casos de escolas do primeiro ciclo com manifesta falta de espaço para as actividades e os serviços necessários, em Vila Boa de Quires, Banho e Carvalhosa e Santo Isidoro.

Independentemente das razões que possam justificar estas situações, o que sei é que nada disto beneficia um ensino de qualidade e uma aprendizagem para o sucesso dos jovens em idade escolar.


04
Jun 10
publicado por José Carlos Pereira, às 13:45link do post | comentar | ver comentários (4)

O vice-presidente da Câmara, José Mota, meu particular amigo desde os tempos da Escola Secundária, presenteou-nos com uma reflexão a propósito do exemplo que aqui trouxe sobre o investimento da Câmara Municipal de Paredes nos centros escolares.

Com efeito, Paredes vai investir cerca de 50 milhões de euros na construção de quinze centros escolares, fechando todas as escolas com menos de cem alunos. Estes novos equipamentos serão dotados de tudo o que se possa imaginar, incluindo pavilhão desportivo, gabinete médico e de nutricionismo, meios tecnológicos, biblioteca e cantina. No caso de Mouriz, o exemplo da reportagem televisiva, o equipamento fica no meio da futura cidade desportiva, o que enobrece ainda mais a opção tomada.

Não posso revelar os dados que me foram avançados pelo presidente da Câmara, Celso Ferreira, mas esse investimento de 50 milhões pesa relativamente pouco no orçamento da autarquia, considerando os fundos comunitários e as poupanças introduzidas com a nova rede escolar. Nada que uma Câmara média como Paredes ou Marco de Canaveses não possa suportar.

Sucede que, no nosso caso, a factura que a Câmara Municipal paga pelo desgoverno das maiorias CDS, com encargos mensais de 400 mil euros, tudo compromete. Se não houvesse essa dívida, a autarquia podia amealhar o suficiente para pôr de pé um investimento como o de Paredes. É esta verdade que não pode ser escamoteada e deve ser levada – sempre! – a todos os marcoenses. Para vergonha de quem geriu (?) a autarquia durante vinte anos.

Na actual condição, a Câmara vê-se impedida de se financiar na banca e de, assim, alavancar projectos desta dimensão. Compreendo a amargura de José Mota por esse facto, mas isso também deve servir para que o actual executivo, nas poupanças que possa fazer para investir, seja muito criterioso nas opções de investimento. Como já disse, não pode querer “ir a todas” e deve privilegiar o que é verdadeiramente estruturante, designadamente o abastecimento de água e saneamento e os equipamentos escolares.

Quanto à segunda parte do texto de José Mota, vale a pena dizer que sempre fui adepto da política do Governo de concentrar as crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo em equipamentos melhores e dotados de todos os meios para uma aprendizagem de sucesso. Aos autarcas, nomeadamente aos de freguesia, exigia-se um papel pedagógico junto das famílias, explicando que é preferível os seus filhos viajarem alguns quilómetros de autocarro e terem uma escola de excelência do que ficarem ao pé de casa numa escola modesta e vinculada a um modelo de ensino esgotado.

Já nem falo da pequena vaidade de um autarca poder dizer que “tenho uma escola na minha freguesia”. De que vale isso se uns anos depois essas crianças acabam nas obras de construção civil e em outros trabalhos indiferenciados por falta de incentivo para o sucesso e de uma aprendizagem completa para a vida activa?


03
Jun 10
publicado por José Carlos Pereira, às 12:20link do post | comentar | ver comentários (2)

O vice-presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, José Mota, escreveu-nos na sequência do post sobre o exemplo de investimento na educação do município de Paredes, reflectindo sobre a realidade financeira marcoense e as opções da Carta Educativa local:

 

"Caro José Carlos, na minha qualidade de cidadão do Marco e de pessoa que já dedicou algum tempo a reflectir sobre a nossa terra e as nossas gentes, não pude deixar de me interrogar sobre o tema desta mensagem, quando tive conhecimento da sua publicação no teu blog.

Depois de ler o texto principal e os dois comentários que tive oportunidade de conhecer, ocorrem-me dois pensamentos.

 

1. Sobre a capacidade financeira da autarquia:

- As exíguas disponibilidades financeiras são uma realidade à qual não vale a pena fugir nem mesmo por parte daqueles que pensam que, assim, elas deixam de existir. Por muito que custe admitir, esta realidade vai continuar a acompanhar o futuro do Marco por muitos anos e só quem optar por uma atitude de completa irresponsabilidade pode permitir-se tão grave esquecimento. Sendo assim, como analisar qualquer plano de investimentos sem ter em consideração esta condicionante tão forte? Não é possível!

Chegados a este ponto importa dizer que o plano que a Câmara de Paredes apresentou para a reestruturação do seu parque escolar ascende a 50 milhões de euros!!! É isso mesmo 50 milhão de euros, e desconhecer esta realidade é uma falta grave na análise da questão pois "não se fazem omeletas sem ovos"...

Os bons exemplos são sempre bem vindos mas do mesmo modo que Portugal não é a Alemanha, o Marco não é Paredes, e se alguma dúvida existir, a primeira diferença já está exposta mesmo acima e diz respeito à capacidade financeira da autarquia.

Mas importa, agora, passar a outra dimensão do mesmo problema que é o que decorre da reorganização geográfica da rede escolar.

 

2. Sobre a reorganização geográfica da rede escolar:

A este propósito é conveniente recordar que a primeira versão da Carta Educativa que o Executivo Marcoense apresentou à Assembleia Municipal não mereceu aprovação. À data, foi até interessante ouvir alguns argumentos que se perfilaram contra a proposta da Câmara Municipal, de que destaco a problemática sobre o encerramento do Jardim-de-infância de S. Nicolau; agora, passados dois anos, é ainda mais interessante perceber como alguns protagonistas políticos se vão posicionando sobre a matéria.

Para os que já não se lembram, recordo que a proposta da Câmara do Marco assentava num conjunto de princípios, de entre os quais se destacava a necessidade de criar condições para que cada nível de ensino pudesse ser leccionado separadamente, havendo que ganhar dimensão que permitisse que os alunos dum nível não fossem "misturados" com alunos de outro nível, não havendo turmas com dois e três níveis. Para que assim acontecesse teríamos que apontar para escolas com um mínimo de 60 alunos, o que levaria ao encerramento de algumas em freguesias que não garantissem o número de crianças suficientes.

Nessa altura a proposta da Câmara Municipal era inaceitável, até para alguns líderes políticos que aplaudiam esta metodologia noutros municípios vizinhos mas que por cá, por terras do Marco, não aceitavam tal orientação!

Pois, então, vale a pena dizer que o excelente exemplo de Paredes assenta num patamar bem mais elevado, sendo a reorganização geográfica feita com base em escolas com um mínimo de 100 alunos. Esta metodologia, a ser seguida no Marco, provocaria o encerramento de escolas em mais de 20 freguesias, ficando apenas em funcionamento 9 Escolas em todo o concelho.

Não vou emitir qualquer opinião sobre a bondade desta opção, ou a falta dela, mas penso que é um excelente exemplo para que no Marco possamos reflectir sobre o processo educativo e a sua dinâmica.

 

Abraço

José António Mota"


01
Jun 10
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar | ver comentários (2)

Numa altura em que a Câmara Municipal de Marco de Canaveses tem pela frente o desafio de decidir sobre os investimentos estruturantes para o futuro do município, peneirando os projectos em função das exíguas disponibilidades financeiras, defendo que a aposta nos centros escolares deve ser privilegiada em benefício das novas gerações e do combate ao abandono e insucesso escolar. Isso mesmo referi aqui há dias, na sequência do que expressei na Assembleia Municipal aquando do debate sobre a Carta Educativa.

Pois bem, quando pensamos nestas matérias devemos olhar para as boas práticas e para os excelentes exemplos de investimento na educação que acontecem neste país. E um dos casos de sucesso que merece ser assinalado está aqui bem perto, em Paredes.

A autarquia paredense decidiu fazer da educação uma das bandeiras do concelho e, depois de outras medidas de combate ao insucesso e de promoção da inclusão, está a levar por diante a construção de quinze centros escolares.

A RTP passou ao longo do último domingo uma reportagem sobre um desses centros escolares em construção, em Mouriz. Trata-se de um investimento de 2,3 milhões de euros e que albergará 375 crianças. Uma obra arrojada, de arquitectura magnífica, com evidentes preocupações ambientais e plenamente integrada no espaço envolvente, que contará com vários equipamentos desportivos. Aprender numa escola destas é meio caminho andado para almejar o sucesso.

A reportagem pode ser vista aqui.

 

Ontem tive oportunidade de visitar a escola em construção com o presidente da Câmara, Celso Ferreira. O que se vê na reportagem televisiva não faz completa justiça ao que está a ser construído.

 


22
Mai 10
publicado por José Carlos Pereira, às 00:15link do post | comentar

O marcoense José Aguiar, licenciado em Filosofia e professor, que está radicado em Inglaterra há já alguns anos, deu-nos conta de que está a colaborar com o projecto "Aprender Direitos Humanos: Passado e Presente", uma parceira internacional que envolve, em Portugal, a Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti e a Universidade do Porto.

Nesse âmbito, é inaugurada no próximo dia 1 de Junho, na reitoria da Universidade do Porto, a exposição "Anne Frank - Uma história de hoje".

O programa e o comunicado de imprensa desta iniciativa podem ser consultados aqui e aqui.


20
Mai 10
publicado por José Carlos Pereira, às 00:15link do post | comentar

A leitora Judite Freitas, do projecto CAERUS, escreveu-nos a divulgar a realização da “Feira de Oportunidades", que decorre de hoje até domingo na Alameda Dr. Miranda Rocha, na cidade de Marco de Canaveses.

Segundo a organização, é “um evento de grande importância para os jovens do nosso concelho, e por conseguinte, para as suas famílias, uma vez que vai divulgar escolas, escolas profissionais, cursos, saídas profissionais, para além dos colóquios onde serão abordados temas muito actuais sobre o ensino, carreiras profissionais e empreendedorismo no nosso país.“

O programa pode ser consultado aqui.


15
Jan 10
publicado por José Carlos Pereira, às 00:35link do post | comentar | ver comentários (6)

Formação e Emprego

 

O desemprego cresceu de forma significativa no concelho de Marco de Canaveses e tem sido difícil inverter os indicadores do abandono e insucesso escolar. É urgente, por isso, encontrar um novo caminho, que trave o empobrecimento e a emigração crescente dos mais novos.

Defendo que as escolas se abram cada vez mais à comunidade e proporcionem a formação adequada às necessidades, através de uma grande interligação entre escolas, autarquia, associação empresarial, centro de emprego e os próprios empresários.

É também necessário recuperar aqueles que já estão fora do sistema educativo mas que não têm as competências exigidas pelo mercado de trabalho. Qualificar os recursos é uma forma de contribuir para a criação de emprego, o aumento da produtividade e um melhor clima social. A palavra aos actores...


28
Dez 09
publicado por José Carlos Pereira, às 13:50link do post | comentar

O "Jornal de Notícias" de ontem trazia uma reportagem com um interessante e atractivo projecto que envolve estudantes da Escola Secundária de Marco de Canaveses.

Com efeito, um grupo diversificado de alunos está a colaborar num projecto internacional que integra universidades americanas e a NASA. A Campanha Internacional de Caça aos Asteróides, assim se chama o projecto, envolve treze escolas portuguesas e quinze estabelecimentos de ensino de outros países. Uma óptima iniciativa que ocupa os estudantes nas férias de Natal e pode contribuir para lhes abrir novos horizontes no mundo das ciências relacionadas com a astronomia. O texto do JN pode ser lido aqui.


21
Mai 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 22:25link do post | comentar | ver comentários (11)

O Prof. Tavares é o novo director da Escola Preparatória do Marco, depois de luta renhida com Maria Helena Alves e António Ribeiro. Numa primeira volta, o vencedor arrecadou seis votos, tantos quantos Helena Alves, enquanto que António Ribeiro obteve oito. Na votação de desempate, Tavares obteve 15 votos e Helena Alves novamente seis. Na segunda volta, a votação final deu 13 votos a Tavares e oito a António Ribeiro.

Tanto quanto parece, os votos dos representantes da Câmara (três) foram para o vencedor das eleições.

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16
Jan 09
publicado por José Carlos Pereira, às 22:00link do post | comentar | ver comentários (2)

De acordo com os Anuários Estatísticos Regionais de 2007, publicados em Dezembro de 2008 (!) pelo Instituto Nacional de Estatística, no ano lectivo 2006/07 havia, nos estabelecimentos de ensino básico e secundário de Marco de Canaveses, um computador para cada 17,2 alunos. O terceiro pior indicador a nível nacional, apenas suplantado por Penafiel (17,4) e Arruda dos Vinhos (18,1). A média nacional fixou-se em 9,5 alunos por computador.

Naturalmente muita coisa mudou desde então – quero crer – e projectos recentemente implementados contribuirão também para alterar este desolador panorama. Contudo, muito do nosso atraso, dos números do insucesso e do abandono escolar precoce, também reside aqui. Nas condições que a escola (não) oferece para cativar os mais jovens e convencer os mais velhos de que a escola é imprescindível para os seus filhos. No conformismo dos agentes educativos e das autoridades públicas.

O Marco perdeu demasiadas oportunidades durante tempo demais. De nada valeu construir escolas e mais escolas, nos lugares mais recônditos, para terem as portas fechadas e não cumprirem a sua missão. Em vez de apostar no betão, as maiorias CDS-PP deveriam ter privilegiado as pessoas. Mas o betão tem muita força…

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