Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Mai 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

AMBIENTE

 

Uma das prioridades da governação autárquica deve ser o ambiente, designadamente as redes de abastecimento de água e de saneamento que (não) servem os marcoenses. O desafio que se coloca é elevar as taxas de atendimento de água e saneamento às populações para 95% num período de oito anos. 

O executivo PSD optou pelo recurso à modificação unilateral do contrato de concessão da exploração e gestão dos sistemas de abastecimento de água para consumo público e de recolha, tratamento e rejeição de efluentes do concelho com a empresa Águas do Marco, que respondeu por sua vez com o recurso ao Tribunal Arbitral. Em função do veredicto deste Tribunal, a Câmara terá de acautelar os interesses dos marcoenses, que já foram confrontados com aumentos brutais nas suas facturas. A constituição de uma empresa intermunicipal com municípios vizinhos e o recurso aos fundos do QREN pode ser a solução que viabilize a concretização deste investimento estratégico.

Os espaços verdes terão de ser protegidos e revalorizados, criando novos espaços para fruição colectiva fora dos aglomerados populacionais. Num concelho com a dimensão do Marco de Canaveses, que dispõe de uma vasta área de montanha e floresta e de grandes albufeiras fluviais, não se compreende a construção de um parque verde no centro da cidade emparedado por prédios de habitação e serviços.

Os cursos de água que atravessam o município devem ser protegidos e as albufeiras do Torrão e de Carrapatelo exigem uma permanente atenção por parte da Câmara Municipal, em virtude do forte impacto causado na geografia do concelho. A Câmara deve envolver-se activamente nas negociações com a EDP, visando o pagamento de uma taxa sobre a produção eléctrica das barragens, que reverterá em parte para fins ambientais.

Terá de ser dada uma atenção especial ao tratamento e valorização dos resíduos, fazendo uma monitorização rigorosa do serviço de recolha de lixo e intervindo na administração da Rebat, a empresa responsável pelo sistema multimunicipal de triagem, recolha selectiva, valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos do Baixo Tâmega. É fundamental alargar a recolha de resíduos sólidos domésticos a todo o concelho e promover a sua recolha selectiva, disponibilizando para tal ecopontos domésticos.

O Marco deve identificar-se como um concelho verde, privilegiando a fixação de indústrias não poluentes e fiscalizando o cumprimento da lei relativamente às normas ambientais a que as empresas estão obrigadas. À Câmara cabe, por exemplo, elaborar um mapa de ruído do concelho que diagnostique as fragilidades existentes e defina as medidas a implementar para a sua eliminação. 

A necessidade de procurar energias alternativas mais amigas do ambiente e de encontrar novas receitas para o município deve conduzir ao estabelecimento de parcerias com privados para a exploração de parques eólicos no concelho, obedecendo a critérios de racionalidade e de rigor.


Permita que discorde, se interpretei correctamente as suas palavras, os espaços verdes no centro da cidade fazem todo o sentido. Os "existentes" deveriam ser alargados e alvo de intervenção no sentido de permitir a fruição colectiva plena de que fala.
antónio ferreira a 14 de Maio de 2009 às 10:49

Caro António Ferreira, é evidente que os espaços verdes no centro da cidade fazem todo o sentido. Como digo, os espaços existentes devem ser protegidos e revalorizados.
O que procurei afirmar, e se calhar não fui claro na redacção, é que se deve apostar privilegiadamente nas zonas de montanha e floresta e nas albufeiras fluviais e criar aí os grandes espaços de fruição colectiva. É negativo querer fazer um parque dentro da cidade e depois cercá-lo de construção em altura. Como se não bastasse, a expansão do parque da cidade em direcção ao Tâmega levou agora com uma bomba de gasolina na projecção de uma das suas possíveis zonas de expansão...

Obrigado pelo esclarecimento. Relativamente ao legítimo anseio de um dia dispormos de "grandes espaços de fruição colectiva", temo pela sua concretização. São vários os obstáculos que "estrategicamente" vão sendo construídos sem que, aparentemente, o interesse publico seja acautelado. Embora sujeito a confirmação, já ouvi falar em "praia privada" na albufeira do Tâmega!
antonio ferreira a 14 de Maio de 2009 às 14:23

Julgo que se referirá à praia da Pontinha, que o anterior executivo chegou a "concessionar", muito embora haja quem reivindique a propriedade do espaço. É mais um dos nossos fenómenos...

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