Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
18
Jul 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 19:04link do post | comentar

Ao medalhar Nuno Lameiras, Manuel Moreira cometeu um acto de inteira justiça. Para além da homenagem merecida ao professor-amigo de várias gerações de estudantes - entre os quais, orgulhosamente, me incluo -, Nuno Lameira teve, sempre, uma intervenção pública reconhecida na luta pela defesa dos valores democráticos no Marco. A medalha ganha ainda mais importância quando é certo que Lameiras é o mandatário do candidato socialista Artur Melo. Ao medalhar um adversário político nesta altura, Manuel Moreira demonstra que distingue bem os planos. Ficam-lhe bem gestos como estes.


Cometeu!!!!

Meu caro Coutinho Ribeiro, COMETEU!!
Deve ter sido na mesa do café, bem depois do almoço, Veja lá se não comete mais.

Cumprimentos,
Anónimo a 18 de Julho de 2009 às 20:39

(Aturar anónimos-sabichões faz parte das regras de quem escreve em blogues. Pelo menos, quando quem escreve em blogues não tem problema nenhum em aceitar a tonteria)

No meu entender há uma pessoa que deveria estar à frente de todas as pessoas que receberam medalhas. Essa pessoa chama-se Prof. Gil Mendes. Se não fosse o seu exercício do direito a tomar a palavra para denunciar o que estava errado na gestão de Ferreira Torres, ainda hoje o tínhamos na Câmara do Marco. É um homem franco e frontal, não gere os seus procedimentos pelos pensamentos de conveniência. E, naturalmente, na política são melhores as referêbcias dos chicos-espertos do que dos homens de bens.

Também não percebo a razão que leva a ser dêsestimulada a Associação dos Amigos do Marco e por que tão rapidamente se perdeu a memória da Associação dos Amigos do Marco. Naturalmente não são pessoas endinheiradas. Mas são pessoas generosas, que se batem por valores, que não andam à procura de prebendas e não bajulam ninguém. Tenho pena que a Associação dos Amigos do Marco esteja morta, sem cumprir os estatutos e o que a lei obriga: fazer eleições e manter a sua actividade.

Detesto esta ingratidão e, por isso, não fui lá. Iria se a homenagem fosse só (como pensava) ao Dr. Horácio, mas como vim a saber que inclusivamente lambebotas de Ferreira Torres lá estariam à espera que a medalha ficasse dependurada no pescoço, não fui lá. Peço desculpa, mas era como entrar numa cena quase pornográfica.
jbmagalhaes a 19 de Julho de 2009 às 00:52

Meu Caro JBM:
Honestamente, acho que Gil Mendes não aceitaria ser medalhado.
Quanto à Associação dos Amigos do Marco, uma coisa é certa: ela não tem que ser incentivada ou desincentivada. Durou no reinado de Ferreira Torres e, certamente, não foi incentivada. Logo, se neste momento não funciona, a culpa só poder ser dos seus membros.

Caro Coutinho Ribeiro:

Uma coisa é atribuir uma medalha e outra é aceitá-la.

A Câmara em nome dos contribuintes, do valor da transparência da gestão pública, da intervenção cívica e da luta contra a corrupção, tinha um bom exemplo no Concelho que deveria saber relevar. Não o fez e fez mal, sob o ponto de vista da pedagogia política e sob o ponto de vista dum sentimento cultural que deve ser de todas as pessoas de bem: o da gratidão.

O Prof Gil perdeu muito dinheiro com a sua luta, sem esperar nenhuma recompensa. Só, por isso, o seu acto, como exemplo de serviço cívico, deveria ser relevado. E seria esta uma boa altura, com tanta gente a falar de uma grande corrupção que graça no País.

Combater a corrupção é também dizer por gestos simbólicos, como o de medalhar, que quem o faz presta um bom serviço ao País.

Coisa diferente e muito diferente, que só ao prof Gil diz respeito, é ele aceitar ou não a medalha. Uma coisa nada tem a ver com a outra. É minha obrigação dizer que fulano fez uma boa acção e coisa diferente é o próprio dizer que só fez o que em sua consciência achou dever fazer.

Quanto à Associação dos Amigos do Marco passa-se o mesmo: ela deveria ser incentivada e isso era a obrigação de todos os que aplaudiram o seu trabalho. Não fica bem aquele estilo de comer a carne (aproveitar-se do seu trabalho para derrubar Ferreira Torres) e depois deixar os ossos para os outros.

No meu modesto entender, a sociedade não é um somatório de indivíduos, cada um virado para os seus interesses, mas tem uma vida orgânica, de interactividade, e a sua saúde depende dos bons exemplos e das boas práticas. E disso deveríamos todos ter consciência.

Nenhuma critica é consequente, se fizermos tábua rasa do que se lhe contrapõe, do que é bem feito. Nenhuma boa postura cívica se torna relevante, se não formos capazes de a sublinhar e estimular. A critica sem padrões de boa referência não é crítica, mas mal-dizer

O mal do Marco é que só os chicos-espertos são estimulados. E bem estimulados! E é, por isso, que muita gente desanima e pergunta-se a si mesmo: valerá a pena lutar, se a lei que predomina é a do chico-espertismo?!....
jbmagalhaes a 19 de Julho de 2009 às 12:54

A minha intervenção vai no sentido de dizer que corroboro as palavras do leitor jbmagalhães, pois a intervenção cívica do Prof. Gil Mendes foi tão ou mais importante do que a de outros em prol do Concelho e que tiveram consequências para a descoberta da verdade e da transparência que se pretende implementar no nossa sociedade Marcoense. Não se deve pôr a questão se o mesmo aceitaria ou não tal honraria (logo se veria), porque isto de condecorações não tem nada de haver condicionante ou de qualquer arranjo prévio, a Instituição que condecora analisa o perfil e os pressupostos que levam à atribuição e decide, sem dar conhecimento ao visado e só depois é que o mesmo toma a decisão de aceitar ou não. Penso que se está a banalizar este tipo de situações, uma vez que o mérito ou demérito é sempre subjectivo na apreciação e logo em épocas de eleições corremos o risco de não sermos ponderados na acção.Não faço juizos de valor em relação aos condecorados, por respeito aos visados, mas que há falhas graves no sistema ,penso que há.
É uma opinião que vale o que vale, no entanto acho que o leitor acima identificado pôe o "dedo na ferida", como sói dizer-se. Um abraço
José Antonio a 19 de Julho de 2009 às 16:54

Obrigado camarada e Amigo pelas suas considerações.

O mais perverso das condecorações é que elas servem, hoje, apenas estratégias de marketing político. E, por isso, começam a não honrar quem as recebe, que por vezes, nem sabe o motivo!
jbmagalhaes a 19 de Julho de 2009 às 22:10

Vale a pena ler.

O "Público" em primeira página traz hoje duas notícias que a propósito destes comentários nos deveriam levar a pensar:

1ª- Maria Veiga depois de denunciar a corrupção dos serviços da organização Meteorológica Mundial foi despedida. O Tribunal de Trabalho das Nações Unidas indemniza a investigadora no valor de 150 mil euros por “danos morais e materiais”. E elogia o seu trabalho.

O que aconteceria aqui seria o mesmo que aconteceu ao Prof. Gil e à Associação dos Amigos do Marco.

O bom nome da democracia sabe-se por que ruas de má fama anda e essa é a diferença. Talvez, por isso,

2º- Madeleine Albright escreve: “Temos de restaurar o bom nome da democracia”
Como fazer isso, sem uma pedagogia dos bons exemplos do exercício da cidadania?

Que compensações teve afreguesia de Ariz, donde partiu todo o trabalho de denúncia das malfeitorias de Avelino?
jbmagalhaes a 20 de Julho de 2009 às 13:08

pesquisar neste blog
 
blogs SAPO