Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Out 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Avelino Ferreira Torres tirou mais um coelho da cartola e arranjou forma de se furtar ao debate com os seus adversários, ao contrário do combinado com a organização (Rádio Marcoense, Douro Verde TV e "Repórter do Marão"). Há muito que todos sabiam que o debate se realizaria no espaço do auditório. Ferreira Torres teme, sobretudo, a possibilidade de não se conter perante o contraditório dos adversários. Se ele já mordeu a orelha a um...

O modelo do debate, muito compartimentado, deixou a desejar por não colocar os candidatos em diálogo permanente. Mas reconheço que isso também poderia tornar o debate confuso e inconclusivo.

Norberto Soares esteve sereno, mas sem a chama que se esperaria de alguém que teve mais de nove mil votos há quatro anos. Norberto tem de conviver com o seu passado e esse foi um peso em cima da suas costas quando se falou de temas como a dívida ou a concessão da água e saneamento.

António Varela insistiu nas posições habituais da CDU e foi perspicaz quando referiu que a concentração dos pelouros das finanças e das obras, prometida por Artur Melo no caso de vencer, costuma degenerar em maus exemplos na presidência de autarquias. De facto, o que se diria se fosse Avelino Ferreira Torres e não Artur Melo a anunciar que concentrava em si esses dois pelouros, a manifestar a sua pressa em negociar amigavelmente com a Águas do Marco e pagar aos empreiteiros que fizeram as obras não cabimentadas de 2005?

Artur Melo embrenhou-se nas questões contabilísticas (imobilizado em curso, controlo de existências, gestão de stocks, provisões), num discurso mais próprio de um técnico do que de um político.

Manuel Moreira começou por lamentar a ausência de Ferreira Torres, reveladora de falta de cultura democrática. Recordou o escândalo da atribuição de verbas para obras não cabimentadas nas vésperas das eleições de 2005 - Artur Melo era então vereador e não votou contra a proposta - e enfatizou as consequências da dívida. Falou menos do futuro do que do passado.

Artur Melo disse que o passado já não fará mossa nestas eleições. Ora, não concordo de todo com esta afirmação. Em Marco de Canaveses temos ainda um longo caminho até podermos proclamar, como António Varela, que a política é a arte mais séria e honesta que devia existir.

 


Tenho muita pena que o Sr. António Varela não tenha peso politico no Marco de Canaveses, apesar de não me encontrar no espectro politico dele.
Leitor Atento a 9 de Outubro de 2009 às 09:51

Conheço António Varela há muitos anos e sei bem das suas qualidades.

Ao ler a sua "analise" do debate, pergunto:
MM esteve no debate?
tonymadureira a 9 de Outubro de 2009 às 12:39

Esteve no debate e teve de responder mais pelo que fez do que pelo que se propõe fazer. Talvez também já tenha aprendido que não pode prometer mundos e fundos. Fiz-lhe muitas vezes essa crítica na Assembleia Municipal, quando escrutinei a acção do executivo.

Nesta campanha é fácil perceber quem é apoiante de MM, basta que no discurso esteja sempre presente a questão da dívida herdada de AFT, que existia e que MM quando candidato dizia que conhecia, mas que agora quando são confrontados com as questões das contas de MM dizem que não passam de questões técnicas.
Se fosse confirmado que valor de 32 Milhões de euros que andam a “voar” seja um “buraco” nas contas da autarquia, esta situação por si será bem pior que a herança de AFT. Nos outros cenários é só demonstrado que o executivo é incompetente.
Os factos, confirmados pelas suas próprias contas, que MM não conseguiu nem inventariar o imobilizado nem as existências da autarquia é a prova de como a sua gestão foi incompetente.
Ignorar estes factos é também tornarem-se pelo menos cúmplices desta situação.
Mas como se diz “mais cego é aquele que não quer ver”.
jvaldoleiros a 9 de Outubro de 2009 às 17:15

Já o disse várias vezes. É um erro o PS e os seus apoiantes quererem colocar no mesmo plano AFT e MM, embora perceba que essa possa ser uma tentação do discurso eleitoral.
Elegemos um político e não um técnico para presidir à autarquia. Faço muita vezes essa crítica a Rui Rio - pode ser um bom "contabilista" e até endireitou as contas da Câmara, mas o Porto precisa de mais visão, mais estratégia metropolitana, mais política de afirmação da cidade.
Estou à vontade porque nunca votei favoravelmente as contas do actual executivo, por essas e outras razões, mas Artur Melo deveria ter privilegiado explicar aos marcoenses as razões porque não votou contra o contrato de concessão da água e saneamento à Aguas do Marco e porque não votou contra as transferências não cabimentadas para pagar obras não planeadas em vésperas das últimas eleições. Dois erros crassos, de consequências avultadas para o município, e que não mereceram a sua reprovação enquanto vereador.

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