Avelino Ferreira Torres tirou mais um coelho da cartola e arranjou forma de se furtar ao debate com os seus adversários, ao contrário do combinado com a organização (Rádio Marcoense, Douro Verde TV e "Repórter do Marão"). Há muito que todos sabiam que o debate se realizaria no espaço do auditório. Ferreira Torres teme, sobretudo, a possibilidade de não se conter perante o contraditório dos adversários. Se ele já mordeu a orelha a um...
O modelo do debate, muito compartimentado, deixou a desejar por não colocar os candidatos em diálogo permanente. Mas reconheço que isso também poderia tornar o debate confuso e inconclusivo.
Norberto Soares esteve sereno, mas sem a chama que se esperaria de alguém que teve mais de nove mil votos há quatro anos. Norberto tem de conviver com o seu passado e esse foi um peso em cima da suas costas quando se falou de temas como a dívida ou a concessão da água e saneamento.
António Varela insistiu nas posições habituais da CDU e foi perspicaz quando referiu que a concentração dos pelouros das finanças e das obras, prometida por Artur Melo no caso de vencer, costuma degenerar em maus exemplos na presidência de autarquias. De facto, o que se diria se fosse Avelino Ferreira Torres e não Artur Melo a anunciar que concentrava em si esses dois pelouros, a manifestar a sua pressa em negociar amigavelmente com a Águas do Marco e pagar aos empreiteiros que fizeram as obras não cabimentadas de 2005?
Artur Melo embrenhou-se nas questões contabilísticas (imobilizado em curso, controlo de existências, gestão de stocks, provisões), num discurso mais próprio de um técnico do que de um político.
Manuel Moreira começou por lamentar a ausência de Ferreira Torres, reveladora de falta de cultura democrática. Recordou o escândalo da atribuição de verbas para obras não cabimentadas nas vésperas das eleições de 2005 - Artur Melo era então vereador e não votou contra a proposta - e enfatizou as consequências da dívida. Falou menos do futuro do que do passado.
Artur Melo disse que o passado já não fará mossa nestas eleições. Ora, não concordo de todo com esta afirmação. Em Marco de Canaveses temos ainda um longo caminho até podermos proclamar, como António Varela, que a política é a arte mais séria e honesta que devia existir.