Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Out 09
publicado por José Carlos Pereira, às 20:15link do post | comentar

Nas últimas semanas, designadamente após a realização das eleições autárquicas, têm sido muito comentados os processos disciplinares visando os militantes partidários que se candidataram contra os respectivos partidos. É público que haverá mesmo processos dessa natureza no PS/Marco,  a acreditar nas palavras do líder distrital, Renato Sampaio.

Esse anúncio fez-me recuar no tempo e lembrar os idos de 1986, era eu militante da JSD, quando recebi esta carta intimidatória (deve relevar-se o português da mesma) a convocar-me para prestar contas sobre o meu comportamento político. Tinha acabado de cometer a "heresia" de apoiar Mário Soares nas eleições presidenciais, intervindo mesmo no comício realizado em Marco de Canaveses.

Isso foi o suficiente para a douta Comissão Política Concelhia da JSD ameaçar com um processo, depois de ter sido anteriormente presidente da concelhia, presidente da Associação de Estudantes da secundária, apoiado pela JSD, e membro do Conselho Municipal, entre outros cargos, e de me ter envolvido activamente na campanha autárquica de 1985, ao lado de Aniceto Costa. Depois da dita ameaça ainda fui membro da Assembleia de Representantes da Faculdade de Letras do Porto, apoiado pela JSD, mas renunciaria à condição de militante em Julho de 1987, nas vésperas da maioria absoluta de Cavaco Silva. Aquele já não era o meu "mundo" e fui votar no PS de Vítor Constâncio. Mas foi o bastante para me vacinar contra os partidos políticos!

 

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Caro José Carlos,
Até no português a carta é deliciosa. Estou a brincar, pois é lamentável a todos os níveis. Assim se perdem militantes e se descredibilizam os partidos.
João Monteiro Lima a 27 de Outubro de 2009 às 20:36

É verdade. Claro está que ignorei a dita carta e os seus autores, mas o resultado foi que nunca mais fui convocado para qualquer assembleia de militantes fosse da JSD ou do PSD.

O "inquisidor (ou o Salazar) que vive dentro de cada um de nós rejubiliará, sempre, que se anunciarem processos contra quem (independentemente da legitimidade "estatutária" da forma) comete os famigerados "delitos de opinião" ou "de opção".
Nunca vi nenhuma força política, contudo mover processos contra quem fomentou estratégias desastrosas que conduzem a resultados eleitorais igualmente decepcionantes, precisamente, devido a um tipo de estratégias "de eucalipto" : "secar" tudo á sua volta.
Isto sim, é grave. Mas a que punir os outros, os que se "desalinharam".
Falo do PS, aqui no Marco, claro. Mas agora me lembro. Não podem ser movidos processos alguns, pela simples razão que quem fomentou estratégias desatrosas, quem decidiu quem ficava em que lugar nas listas, que definiu a estratégia eleitoral, foram, quase sempre, pessoas que não eram militantes do PS. Eis a vantagem de termos candidaturas independentes disfarçadas de candidaturas partidárias : não há responsabilidades nem contas a prestar.
Espero , com curiosidade, que aconteça um plenário de militantes do PS, para balanço dos resultados e análise de toda esta política de "eucalipto". Uma certeza ,porem : mandatos são para cumprir.
Abel Maria Simões Ribeiro a 28 de Outubro de 2009 às 16:57

O que diz é muito relevante. Conheço alguns militantes socialistas que aguardam por esse plenário para fazer o balanço dos resultados eleitorais. Também aqui o PSD levou a melhor - apesar das vicissitudes internas, foi o primeiro a reunir os militantes depois das eleições autárquicas.

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