Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Out 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

aqui tinha adiantado a minha convicção de que António Coutinho gostaria de continuar a contar com a mesma Mesa da Assembleia Municipal, designadamente com Mário Luís Monteiro (CDS-PP e agora eleito pelo movimento Marco Confiante) e Rui Brandão (PS). Os meus colegas de blogue João Monteiro Lima e Coutinho Ribeiro pronunciaram-se em sentido contrário, acreditando que o PSD apostaria numa Mesa monopartidária.

Pois bem, parece que se confirma a minha previsão e que Coutinho terá confrontado os membros do Grupo Municipal do PSD com a vontade de convidar para a Mesa as duas forças mais votadas a seguir ao PSD. Ter-se-ão levantado algumas vozes contra essa possibilidade, nomeadamente de alguns deputados estreantes, ainda pouco despertos para os aspectos mais institucionais da política. Alguém deve explicar a esses senhores deputados que em política não há lugar para ódios e rancores pessoais, sobretudo quando são dirigidos para as pessoas erradas.

A elevação deve prevalecer, assim como o respeito pela representatividade de todos os marcoenses. Também a nível nacional há alguns milhões de pessoas que não "gostam" de ter Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, como vice-presidente da Assembleia da República, o que lhe permitirá ocasionalmente ser a segunda figura do Estado, mas são essas as regras do parlamento.

No caso da Assembleia Municipal não existe essa obrigatoriedade, mas creio que António Coutinho e o PSD dão um excelente exemplo de abertura democrática se convidarem o movimento Marco Confiante e o PS para a Mesa da Assembleia. Concluirei com satisfação que o acordo em que estive envolvido em 2005 não surgiu apenas pela necessidade dos votos...


Concordo inteiramente contigo.
Penso que será um exemplo magnânimo e de grande elevação da parte de A. Coutinho constituir uma mesa plural e, além disso, será melhor para todos.
Contrariamente ao que alguns pensarão o exercício da democracia faz-se com este tipo de decisões que não prejudicam quem as toma, apazigua e responsabiliza a todos.
Pensar que na mesa da assembleia poderão sentir-se representadas mais de 70% das pessoas do concelho e uma percentagem aproximada de deputados municipais, só poderá ser positivo
alcino jorge a 29 de Outubro de 2009 às 13:11

Amigos,
eu também acho que era um bom de exemplo se a Mesa fosse constituída por pessoas de diferentes partidos. Mas com a recente maioria, penso que a tentação do controlo absoluto é maior. Esperemos para ver

Caro José Carlos,
Discordo em absoluto da tua leitura. Creio que, inclusive, ultrapassas o comentário normal quando dizes que "alguém deve explicar a esses senhores deputados que em política não há lugar para ódios e rancores pessoais". Não se trata nada disso. Como dizes, e bem, o regimento da A.R. é diferente do regimento da A.M.. Um determina que seja assim, o outro dá liberdade de opção. Quanto a mim o povo deixou uma clara mensagem. Quem obteve a maioria tem que pôr todos os órgãos a funcionar e assumir a plenitude da sua governação. Não tem desculpas . Não pode alegar que este ou aquele órgão lhe está a condicionar o que quer que seja. Ainda que seja um órgão com os poderes que tem a mesa da Assembleia. Se no passado assim foi, não tem que o ser agora. Como estreante nestas andanças devo dizer-te que não preciso que me venham com moralismos. Eu, tenho a minha posição que entendo deve ficar dentro do grupo parlamentar, e entendo muito bem a nobre atitude de António Coutinho. Mesmo assim, seja qual seja a decisão que venha a ser tomada, que é totalmente legitima, não aceito que venhas com essa de ódios ou rancores pessoais. Nada tem a ver com isso. São opiniões diferentes da tua. Ou será que também necessito recomendar a alguém que te ensine a respeitar as opiniões dos outros ?
António Santana a 29 de Outubro de 2009 às 19:27

Caro Santana, longe de mim querer ser moralista ou limitar a tua opinião ou a de quem quer que seja. Pensamos de forma diferente neste caso concreto e isso é saudável.
Em 2005, quando encabecei a lista do PS à Assembleia, propus-me criar uma Mesa pluripartidária. António Coutinho seguiu o mesmo princípio, congratulei-me com isso e gostava que assim continuasse.
A presença na Mesa é sobretudo simbólica e institucional, mas marca a diferença em relação a outros comportamentos.
Quando Ferreira Torres e Monteiro da Rocha tiveram as suas maiorias fizeram como quiseram e impuseram a sua vontade unilateral a tudo e a todos. Jardim faz o mesmo na Madeira. Não gostava que a maioria do PSD no Marco seguisse o mesmo trilho, por tudo o que isso representava. As vitórias de uns não devem ser a exclusão de todos os outros. Isso é o que pensam os "Ferreiras Torres" deste mundo.

Bom dia José Carlos,

Continuo a discordar. Não é assim que pensam todos os Ferreira Torres do país. Pode ser assim que pensam todos os que são pragmáticos, objectivos, têm cabeça para pensar e sabem perfeitamente o que querem. Além disso, não são poetas e muito menos teóricos. Mais uma vez penso que há diferentes formas de pensar e, mais uma vez, entendo que não são menos democráticas. É por estas e por outras que se instituíu o " politicamente correcto" e se tornou este país amorfo e refém dos que fazem carreira nesta área. Certo é, na minha opinião, que vale o que vale, que cada um assuma as suas funções . Os que devem governar que governem, os que devem fazer oposição que a façam. Aí sim, com elevação, honestidade, ética e correcção.
António Santana a 30 de Outubro de 2009 às 09:11

Há, por aí, quem afirme, ao contrário do que eu (ainda) penso, que é por estas e por outras dos apaniguados de Manuel Moreira que este, e também os que o rodeiam (à excepção do José Mota), não é muito melhor do que o seu antecessor, mas apenas mais educado, pelo menos em público.

Discordo, mas há muitos que assim pensam.

O que leva a comentários como o seguinte, que transcrevo do blog "Janela Marcoense ":

'"Esquecer"até certo ponto.
Passados que foram quinze dias de nojo ( luto ) pela derrota sofrida por mim e por muitos marcoenses no passado dia 11 de Outubro, é tempo de invertermos a situação e passarmos da fase do nunca ! nunca ! nunca ! com que fomos bombardeados durante alguns dias, para a fase do Sempre ! Sempre ! Sempre ! com que vamos bombardear o poder durante quatro anos. Isto de ser oposição, para quem não tem pretensões de desempenhar qualquer cargo político, só traz vantagens porque vamos puder cascar forte e feio no poder. Vamos transformar o sabor amargo da derrota que durou poucos dias, no doce sabor da vitória que vai durar quatro anos. Mahatma Gandhi disse : Não existe caminho que nos conduza à felicidade, a felicidade está no caminho ! Os vitoriosos já estão a entrar no vazio porque a felicidade da vitória é efémera e esses vão entrar em fase de depressão. Os derrotados vão entrar numa fase de pequenas vitórias durante quatro anos até uma vitória, ou não, final . Mas isto não acabará com a vitória amanhã dos derrotados de hoje, porque a política é um círculo vicioso.

Chegou o momento da libertação dos derrotados !

Vamos aprisionar os vencedores !!!

publicado por ANTÓNIO OLIVEIRA às 18:14"

Ah! Já me esquecia:

Caro António Santana e demais eleitos da maioria - Deveriam seguir o lema "Glória aos vencedores e Honra aos vencidos"! E não se esqueçam que a maioria dos eleitores (cerca de 54%) não votou no PSD...

Cumprimentos do,
Adão Oliveira
Adão F. F. de Oliveira a 31 de Outubro de 2009 às 17:12

Com certeza, assim terá que ser. A vida é uma roda e por isso os que hoje ganham amanhã perdem. Temos que aceitar isso com naturalidade. O importante é que os perdem sejam suficientemente positivos para se prepararem para ganhar e os que ganharam sejam suficientemente humildes para reconhecer que amanhã podem perder, se não forem capazes de satisfazer os que neles votaram e os que neles não acreditaram.

Caro Adão, esse comentário que transcreves, que julgo ser do mesmo António Oliveira que aqui por vezes comenta, é revelador de um certo ressentimento que também não ajudará a fazer uma oposição construtiva. Sejamos claros: a oposição não se faz primordialmente nos blogues ou nos jornais, mas sim nos órgãos autárquicos através dos representantes eleitos.

Foi Coutinho Ribeiro quem afirmou ( e eu comungo da sua opinião ) que se em 2001 existisse a arma dos blogs ele saberia utilizá-la da melhor maneira e talvez as coisas tivessem sido diferentes nessa altura.A teoria da bipolarização resultou em pleno muito por "culpa"deste blog. Qualquer blog com alguma credibilidade e com bastantes visitas,pode fazer mais mossa do que uma oposição numa qualquer assembleia.

Está a sobrevalorizar os blogues. Têm a sua importância, claro está, mas não creio que sejam o palco onde tudo se decide.
A dita teoria da bipolarização estava na mente de quase toda a gente, mesmo na de quem nunca acedeu a blogues e internet's. Só que havia quem não a quisesse ver e havia quem a afirmasse e defendesse. Essa foi a diferença.

Concordo consigo. Fui eu quem afirmou aqui no fórum ( concordando com C.R. ) que Ferreira Torres e Manuel Moreira era os principais candidatos à vitória porque F.T. tinha cá no Marco um cavalo de Troia que era a obra realizada,boa ou má,boa para os seus ainda muitos apoiantes.Manuel Moreira era também favorito porque começou a utilizar as mesmas armas de F.T.(o aliciamento de presidentes de juntas não PSD's e a atribuição de benesses).

Leio com atenção os comentários e posts que aqui são publicados e alguns pela sua evolução são para mim, surpreendentes. Permita que transcreve parcialmente alguns deles:
“É forçoso identificar talentos, atraí-los para os novos desígnios, independentemente das suas cores e ideologias e com eles trabalhar.
(…) Sobre o futuro o que importa é ter uma atitude positiva e não essa que me parece que quer passar, a de que muitos marcoenses se vão considerar postos de lado. Não acredito que venha a ser assim. Acredito que se eles quiserem também podem e devem ajudar a construir um Marco melhor. (…) Quem obteve a maioria tem que pôr todos os órgãos a funcionar e assumir a plenitude da sua governação.
(…) Não pode alegar que este ou aquele órgão lhe está a condicionar o que quer que seja. (…) Se no passado assim foi, não tem que o ser agora.
(…) Os que devem governar que governem, os que devem fazer oposição que a façam.”
O autor dos comentários transcritos, começa por apelar à união de TODOS, para terminar, aparentemente, a defender o seu contrário, isto é, colocar de um lado os governantes e do outro os vencidos. Não tem que ser necessariamente assim, porque TODOS os eleitos foram mandatados para defender o melhor para os MARCOENSES , “independentemente das cores e ideologias”.
antonio ferrreira a 31 de Outubro de 2009 às 23:41

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