Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Dez 09
publicado por José Carlos Pereira, às 13:45link do post | comentar

Faz hoje precisamente 29 anos que entreguei a minha ficha de adesão à JSD, subscrita pelo então presidente da concelhia da JSD/Marco, Armando David. Tinha participado nas campanhas eleitorais de 1980, mas o acidente de Camarate e a morte de Sá Carneiro foram o clique emocional que me levou a aderir formalmente à JSD, quando estava prestes a completar 15 anos.

Depois, comecei por envolver-me na vida associativa estudantil – integrei a direcção da Associação de Estudantes (AE) da Escola Secundária, liderada por Armando David e José Mota, em 1981, presidi eu próprio à AE a partir de 1982 e em 1983 falhei a reeleição, após derrota na segunda volta. Nesses anos, participei no Conselho Pedagógico e representei os alunos junto do Conselho Directivo. Já no ensino superior, fui eleito em 1986 para a Assembleia de Representantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, ainda em lista apoiada pela JSD.

A nível partidário, integrei a concelhia da JSD liderada por José Mota em 1982 e em 1983 passei eu a presidir àquele órgão. Fui também membro do Conselho Distrital e escrevi durante alguns anos para o "Jovem Reformista", órgão nacional da JSD. Foram anos quentes, que coincidiram com a vitória do CDS nas autárquicas de 1982, a queda da Câmara e as eleições intercalares de 1983. Fui um dos subscritores do acordo de coligação entre PSD e PS, já que na altura era membro por inerência da concelhia do PSD. A pesada derrota eleitoral foi um dos motivos que me levou à demissão da concelhia no início de 1984.

Ainda acompanhei Aniceto Costa na campanha autárquica de 1985, mesmo sem qualquer vínculo formal, mas as presidenciais que se seguiram, em que apoiei publicamente Mário Soares, foram o início do fim da minha militância na JSD e no PSD. Renunciei à condição de militante em meados de 1987. Ao fim de seis anos e meio.

Em termos ideológicos, sempre me mantive fiel aos princípios da social-democracia, plasmada dos exemplos que nos chegavam dos países do norte da Europa. A sua aplicação prática, em Portugal, é que ajudou a levar-me, na idade adulta, para terrenos mais próximos do PS. Sem traumas...

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Realmente se é um social-democrata dificilmente se poderá rever no PSD dos dias de hoje.
Sá Carneiro de certeza que ficaria de cabelos em pé ao verificar que o seu partido se tinha transformado puramento num partido de poder e sem ideologia definida.
jvaldoleiros a 11 de Dezembro de 2009 às 18:36

É verdade. Já expliquei por aqui, de forma mais aprofundada, as influências que me conduziram para a esquerda democrática.

Caro Dr.

Penso que o meu amigo estaria bem no PS actual e como disse em tempo um amigo comum, num comentário que fez a um "post" escrito por si, o Socialismo Democrático precisa de pessoas com as suas ideias. De facto o PSD actual não tem nada a ver com os ideais de Sá Carneiro e seus Fundadores. Conhece bem os meus sentimentos de ordem politica e os ideais que perfilho e não me custa nada reconhecer que de facto o actual PSD nem uma Oposição responsável sabe fazer no Parlamento, para bem do PAÍS.

Saudações

José António
José Antonio a 11 de Dezembro de 2009 às 23:49

Sou eleitor habitual do PS e um apoiante convicto da actual liderança. Veja que os meus amigos até me apodam de "socrático".
Concordo que o actual PSD está pelas ruas da amargura, muito embora defenda que o nosso regime precisa de um PS e um PSD fortes, já que são as duas principais âncoras do sistema.


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