Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Dez 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Já por aqui passaram leitores que se queixaram das reduzidas oportunidades que têm para participar na vida interna do PS/Marco, para debater ideias e projectos, para conhecer as propostas e decisões do partido. E não faltam militantes e antigos dirigentes que digam o mesmo.

Agora, quando nos aproximamos do período que antecede as eleições para a Comissão Política Concelhia, o próprio site do PS/Marco (www.psmarco.net) deixou de estar operacional há várias semanas. Uma decisão tomada pelo secretariado ou apenas pelo líder concelhio do partido, Artur Melo? E com que propósito? Vai a Concelhia, em final de mandato, apostar num novo meio de comunicação com os militantes e simpatizantes?

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Como militante do PS, estive, no sábado, no "Plenário anual" de militantes. A ética partidária, que respeito, faz-me auto-inibir de relatar o que quer que seja. Em relação a factos, claro.
Contudo, ficou evidente que a "democracia interna" não pode ser um mero manifesto de intenções, ou uma realidade que se suspendeu em Maio, quando o trabalho eleitoral começou a aquecer.
Tiques de autoritarismo, ridículas figuras de "amanuenses" que "mandam bocas" mas não se inscrevem para falar, encarar as críticas como ataques pessoais, são sintomas daquilo a que chamei "efeito eucalipto" : "secar" tudo á volta, para criar um "deserto" fácil de gerir.
Os apelos ao unanismo, ao não criticar em nome de uma "unidade" balofa e falsa, criada sobre o tal "deserto", insinuar que, mesmo discordando da estratégia e das práticas, se tinha o dever de estar nos actos de campanha, faz-me lembrar, a mim, que tenho 52 anos (logo vivi coisas antes do 25 de Abril e ápós), faz-me lembrar, sem ofensa, repito, o Estado Novo e o PCP, ambos no seu pior.
Estou á vontade para escrever isto, pois disse-o nesse "Plenário" : é preciso mais PS, mais da ideologia presente na Declaração de príncípos do PS (disponível na net) e menos Artur Melo.
Não pela pessoa, cujos méritos elogio, mas pelo efeito "eucalipto" e pela sua sua "entourage".
Isto porque os Partidos não podem ter como único objectivo ganhar eleições. Esse "ganhar" tem de ser uma CONSEQUÊNCIA da sua presença activa e dinamizadora da sociedade local, feita à luz da visão do mundo e da vida de que são portadores (vulgo "ideologia").
É essa a "reforma" que tem de acontecer no PS do Marco.
Porque se o diálogo interno é formal e com tiques de autoritarismo e as críticas são tidas como subversão e alvo de vilipêndio, os militantes têm de, além de o fazerem internamente, de o expressar para a sociedade.
Tudo isso em nome da "honra" e "tradição republicana" que é matriz do PS. E que, por sinal, me fez, HÁ UM ANO, apoiar Artur Melo, mas que igualmente, desde Maio, me fez demarcar da sua estratégia.
Abel Maria Simões Ribeiro a 16 de Dezembro de 2009 às 10:23

As suas palavras merecem ser ouvidas pelos militantes e dirigentes do PS local. Não nos conhecemos, mas creio que não erro quando digo isto.

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