Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Jan 10
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 15:03link do post | comentar

Cristina Vieira, presidente da Junta de Soalhães quer gastar 11.000 euros num monumento ao ferroviário. A psiquiatra Soledade Coutinho Varela insurge-se e escreve à autarca:

 

 

CARTA ABERTA à Senhora Presidente da Junta da Freguesia de Soalhães

 

Antes de mais será oportuno dizer que esta carta é um grito de inquietação!

Corro o risco até de ser precipitada ou injusta e serei capaz, se assim for, de pedir desculpa e, digo - nada me daria mais contentamento agora.
Soube que a Junta de Freguesia de Soalhães terá reunido para, sob proposta da sua Presidente, homenagear os trabalhadores ferroviários da freguesia sob a forma de uma locomotiva a colocar no centro da Rotunda que é hoje a principal entrada da aldeia de Soalhães e que para tal se irão gastar cerca de 11 000 Euros.
Sorri de incredulidade e, apaguei o sorriso para passar à estupefacção total.
Será possível que toda a gente, afora um elemento da Assembleia de Freguesia tenha votado a favor?
Vejamos porque não concordo com tal homenagem com “Monumento ao Ferroviário”.
Ponto 1- com todo o respeito que os trabalhadores em geral me merecem, e obviamente também os ferroviários, não creio que Soalhães seja “uma terra de ferroviários ou comboios”. Os comboios passam nas franjas desta terra, os ferroviários são seguramente pessoas de bem, mas que de forma diferenciada de outros grupos profissionais tenham contribuído para o desenvolvimento sustentável desta terra, tenho sérias dúvidas.
Ponto 2-Que uma aldeia essencialmente rural tenha na sua principal entrada uma locomotiva parece bizarro, no mínimo!
Ponto 3- Que se proponha a Junta de Freguesia gastar cerca de 11 000 Euros nesta iniciativa parece-me inquietante; porque não haverá nada de mais útil ou necessário ou prioritário ou ainda esteticamente mais confortável do que uma locomotiva para homenagear a um grupo profissional minoritário e sem impacto relevante e positivo na história da Freguesia?
Quando me questionei sobre o interesse na locomotiva e nos ferroviários por parte da Presidente da Junta, disseram-me ser a Senhora, filha de um ferroviário. Gostei! Acho bonito, sinceramente, o apreço da Senhora Presidente pelo seu Pai e, digo-o sem qualquer ponta de cinismo. Já não acho bem que nos queira associar todos à homenagem que lhe quer prestar, a menos que precise de tão publicamente expressar o seu amor pelo Pai. Se é certo que em política nos devemos expor sem medo, não creio que os seus sentimentos privados precisem de tanta ostentação. Sinceramente, não lhe fica bem gastar tanto dinheiro público em festas que devem ser privadas, tornando-se mesmo abusiva a atitude de colocar sequer esta proposta à Assembleia de freguesia.
Há vários anos, quando se passava em Paredes de Penafiel, havia na beira da estrada uma quinta onde o seu dono tinha como decoração um carro eléctrico no meio do pomar. Provavelmente era o senhor grande admirador de carros eléctricos, ou não. Teria razões que nós não conhecíamos. O sentido estético era também discutível, mas o homem tinha-o posto no seu terreno e a expensas suas. É o que lhe sugiro Senhora Presidente, coloque a locomotiva no seu quintal, porque Soalhães não é uma coutada sua! É a terra de cuja Junta é a Presidente e pela qual tem feito também coisas acertadas. Devemos respeitá-la enquanto Presidente eleita, mas deve, sempre pensar que este lugar a coloca ao serviço da Freguesia (foi para tal que se fez eleger) e não o contrário - A freguesia de Soalhães não pode estar ao seu serviço -, isto é viver em Democracia.
Estranho que a Assembleia tenha quase unanimemente votado neste absurdo e a minha grande inquietação reside aí, porque ou todos os membros desconhecem a história desta terra ou haverá mesmo prepotência em quem a preside?
Tendo atrás de mim uma longa história de luta democrática (fui mesmo a primeira mulher eleita para a Assembleia desta Freguesia há vários anos), gostaria de ver que a chegada de uma mulher à presidência da Junta, seria uma certeza no cumprimento integral e até pedagógico da democracia e também do bom gosto.
Espero que impere o bom senso e o sentido de honra que um político democraticamente eleito tem o dever de pugnar.
 
Soalhães, 18 de Janeiro de 2010
 
 Mª da Soledade Pereira Coutinho Varela

Dra Soledade, concorfo com muito do que escreveu e não se deixe abater pelos que sempre defenderam a ditadura marcoense e se converteram em modernos socialistas. Eles que sempre questionam as decisões (o irmão que "escolhe" irmão, os orçamentos, etc, etc, etc) e que dizem que são marcoenses pretendem defender alguem que os correrá certamente. Os ferroviários devem ser homenageados mas pela camara, eles que sao de todas as linhas e nao apenas do Douro, mas nao gastar o nosso dinheiro em carruagens que o menos que gastar em almoços
Maria Pereira (Soalhães) a 23 de Janeiro de 2010 às 19:03

Caríssima Cristina
Não ligues a tão doutas opiniões.
Não sou filho de Ferroviário, mas ando de comboio, pelo mundo fora, desde que tive idade para "inter-rail". E continuo a utilizar o "cavalo de ferro" como tranporte preferencial, mesmo em termos da vida profissional e pessoal.
Respeito a opnião de quem te critica.
Só que não tem razão. O comboio, na Linha do Douro, servia e serve muita gente dos territórios circundantes, mesmo se a mais de 500 m das Estações. Basta viajar neles, nas horas mais matutinas e nocturnas e ver como a economia do "comboio" ainda é determinante. Basta ver a falta que faz o ramal de Amarante...
Contudo, continuamos a ter governantes dirigentes e "opinion makers" que, se calhar, nunca andaram de comboio, metro ou outro transporte público...
Depois, lamento a pessoalização do ataque que te é feito.
Contudo é a baixa política que tu e eu conhecemos.
Abel Maria Simões Ribeiro a 24 de Janeiro de 2010 às 18:29

Muito bem Dr.ª Cristina... Parece que ficou irmanada do sentimento de homenagem que o Dr. Manuel Moreira tanto apregoou nos ultimos 4 anos. Nas bandeiras à entrada da cidade (presumo que em homenagem à Nação???), no monte de ferro dos Murteirados (ao 25 de Abril), no pilarete junto à Câmara (Freguesias), e, claro, como não podia deixar de ser, nas inumeras medalhas municipais que resolveu "atribuir" a ilustres marcoenses numa clara atitude de reconhecimento dos feitos destes (o facto é que de grande parte deles, senão de 99% nunca resará a história do Marco... mas as razões das medalhas lá as saberá o Dr. Manuel Moreira!).
De qualquer forma, e voltando ao propalado combóio em Soallhães, se custar só 11 mil euros nem é muito... Pelo que disse AFT na campanha, mudar as 3 bandeiras (quase todos os meses) custa à Câmara quase metade! Acho que se deve investir na cultura, não na coltura! Há muitas necessidades em Soalhães para suprir, e 11 mil euros dão para muita coisa,Dr.ª Cristina. Pode ser que repense e reveja as prioridades da sua freguesia pois, pelo que sei, a Câmara irá cada vez mais desinvestir nas freguesias, pois precisa de 2 milhões de euros para acompanhar os 5 milhões do QREN para requalificar o núcleo da Cidade! Ainda estou para ver de quantos kilates será o ouro com que irão pavimentar os passeios, ou se irão almofadar os bancos dos jardins para conseguir gastar 7 milhões de euros numa extensão que dificilmente chega a 2 kilometros. Mas para as freguesias, onde ainda há gente que tem caminhos por pavimentar, não há dinheiro! Logo veremos! Ainda a procissão vai no adro!

Cumprimentos,

Varela
António Varela a 25 de Janeiro de 2010 às 20:53

Exmo Dr. Carlos Pereira

Lamento, mas alguma confusão de apelidos deve ter sugerido que eu seria esposo da Dr.ª Soledade. No entanto, e sendo marcoense de raiz (de que me orgulho muito, "nado e criado" como se dizia antigamente), não sou marido, nem tenho qualquer grau de parentesco com o candidato da CDU, apesar do comum do nosso apelido.
Porém as achegas que dei, e mesmo que não tendo sido emanadas do marido da Dr.ª Soledade, terão certamente o reconhecimento dos muitos marcoenses que lêem este blog, no sentido que estas são aplicadas a quem de direito, numa expressão livre, própria da Democracia apregoada e que "chegou" ao Marco em 2005, pela mão do Dr. Manuel Moreira.
Se me permitirem, e porque esta primeira experiência numa intervenção directa neste blog, suscitou na minha pessoa alguma motivação, irei, no futuro, continuar a contribuir com a minha humilde opinião, ajudando assim a crescer esta comunidade que se alastra e é muito lida, nomeadamente pelos internautas ligados à vida pública marcoense.
E já agora, porque se deve a homens como Tim Berners-Lee, que, não tendo propriamente inventado a internet (esta surgiu como evolução de um projecto do governo norte-americano denominado ARPANET, em 1969), foi quem começou a usar a rede como uma WEB, o meu público muito obrigado.
E é por coisas como esta que o Mundo gira.

Um bem haja a iniciativas como este blog.

Cumprimentos

António Varela
António Varela a 26 de Janeiro de 2010 às 21:00

Já dei nota da confusão em que incorri e que lamento.
Havendo uma personalidade com intervenção na vida política local conhecida por António Varela, solicito que no futuro se apresente com o nome completo, de modo a evitar equívocos.

È sem dúvida uma vergonha, para não falar-mos dos rendimentos minimos.
Monteiro a 26 de Janeiro de 2010 às 11:55

E porque será que a estrada de Vinheiros ainda não foi reparada?Já passaram quase 2 meses e nem sequer começaram a repará-la.Será que é assim tão difícil meter umas condutas com capacidade para um caudal maior das águas que danificaram a estrada?
José Alecrim
José Alecrim a 26 de Janeiro de 2010 às 21:36

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