De facto, tivemos, na tomada de posse da CPC do PS Marco, perante dirigentes distritais e nacionais, mais uma exibição pública da falta de entendimento do que é a Democracia interna e o assumir de atitudes que contradizem o discurso da "união" em torno de algo, que afinal não são princípios, mas uma pessoa, Artur Melo.
A história, que no post refere, é caricata : na acta da tomada de posse, os eleitos estão, ainda por listas, ou seja, primeiro todos os da Lista A, depois todos o da Lista B; ou seja, a acta que consagra a constituição da CPC não evidenciava a ordem de eleição, consagrada pelo método de Hondt.
Os protestos dos eleito na então Lista B, foram, paradoxalmente, aproveitados por Artur Melo, uma vez mais, manifestando evidente desconforto e o "tique autoritário" que o impediu de ter a clarividência de fazer algo simples (ir ao computador mais próximo e imprimir uma nova acta), para, numa intervenção de abertura, sem direito a réplica, criticar quem protestou, acusando-os de dividir o Partido, de dar má imagem perante os dirigentes presentes, enfim dizendo que as "listas" tinham acabado e agora o que havia era a CPC . Contradição : então, porque é que a Acta de Posse ainda reflectia a realidade de 2 listas (primeiro os da A, depois os da B).
Mas se fosse só isso...
Para a tomada de posse da CPC , não foi feito um convite generalizado aos militantes, como, aliás, é comum, ao que ouvimos de militantes de referência, de outros Concelhos, ali presentes : havia uma presença massiva da "entourage" de Artur Melo e dos seus apoiantes e nem sequer os membros não eleitos da Lista B foram convidados, por quem de direito : o Secretariado cessante ou o Presidente da CPC . Aliás, os que lá estavam foram por aviso, sobre a hora, feito por nós, os eleitos da então lista B; aliás, eu fui convocado, por escrito, para tomar posse, no sábado, em carta que recebi, via CTT, na 4ª feira !!!.
Depois, houve um exercício, uma vez mais, da visão pouco democrática que o Presidente eleito da CPC tem da vida interna do PS.
No seu discurso, disse, e bem, que o Presidente da CPC é (cito) "um orgão do Partido" . É verdade. Mas não refriu que as únicas competências estatutários desse "orgão" são, de acordo com os Estatutos do PS, as que cito :
"Artigo 43º
(Do Presidente da Concelhia)
Ao Presidente da Concelhia compete coordenar a actividade da CPC e do Secretariado da Concelhia, convocar as
respectivas reuniões e assegurar a articulação adequada com os secretariados das Secções de Residência que existam na
área do concelho."
Logo, estamos longe da legitimação do poder pessoal e individual, do "peronismo" ou "chavismo" de quem, ainda sem reunir a CPC , já anunciava medidas, com uma data marcada, do Vereador e CPC a uma freguesia. Então a CPC e o futuro Secretariado servem para quê ? Para dizer "Amén", 3 vezes por ano ? Estamos, sobretudo, estatutáriamente, longe da legitimação da deriva autoritária e deseducada de quem se dá mal com a crítica, encarando-a como uma ofensa pessoal.
Sem vontade pessoal ou, sequer, aptidão institucional para exercer uma Democracia interna (o processo eleitoral e a tomada de posse são, disso, exemplo), tornar-se-á difícil (a não ser que se queira ser desrespeitado em todas as reuniões, pela sua arrogância e da sua "entourage"), trabalhar com este Presidente da CPC .
Pessoalmente, só tomei posse, perante o "carnaval" instalado, no acto, por respeito aos militantes que me elegeram e à declaração de princípios do PS, onde me revejo.
Por respeito aos mesmos, exercerei o mandato, dando contributos, como venho referindo, mesmo se para irem "para o cesto dos papéis".
Resta a Artur Melo provar que eu não tenho razão, mormente tendo a coragem de propôr um Secretariado com composição proporcional á dos resultados eleitorais.
Fico a aguardar, pois as "unidades internas" tipo "paz dos cemitérios" não cabem num partido democrático.
Abel Maria Simões Ribeiro a 18 de Maio de 2010 às 12:05