Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
18
Mai 10
publicado por José Carlos Pereira, às 00:15link do post | comentar

A forma como decorreu o antes e o depois do processo eleitoral no PS/Marco deixava antever que não seria fácil alcançar a unidade entre as “duas metades” do partido. E como aqui escrevi, cabe naturalmente à metade que ganhou criar condições para acolher o contributo daqueles que perderam. É essa a magnanimidade que se exige aos vencedores. Mas mais do que parecer magnânimo é preciso sê-lo.

Pois bem, os últimos sinais não têm sido muito encorajadores e a própria forma como foi organizada a tomada de posse dos eleitos, no passado sábado, serviu para agravar as feridas abertas no período eleitoral. Segundo nos foi transmitido, Artur Melo preparava-se para privilegiar os eleitos pela sua lista, olvidando nomeadamente que Rolando Pimenta, em virtude da aplicação do método de Hondt, foi de facto o segundo eleito para a Comissão Política Concelhia.

Espera-se agora para ver se, num partido dividido ao meio, Artur Melo terá a humildade suficiente para convidar alguns dos eleitos pela lista derrotada para o novo Secretariado concelhio. Esse sim, seria um passo que responsabilizava a metade derrotada e criava condições para a tão reclamada unidade interna.


Recordo, para memória futura, agora que no blog oficioso da "entourage" de Artur Melo se reagiu a este post e seus comentários, o teor do Artigo 43ª dos Estatutos do PS :

"Artigo 43º
(Do Presidente da Concelhia)
Ao Presidente da Concelhia compete coordenar a actividade da CPC e do Secretariado da Concelhia, convocar as
respectivas reuniões e assegurar a articulação adequada com os secretariados das Secções de Residência que existam na
área do concelho. "

Logo, está erradicado, por natureza estatutária, qualquer projecto de poder pessoal ou de presidencialismo, configurado em posições que se tomam sem ouvir os órgãos eleitos (e na tomada de posse houve algumas...).
Insistir, em nome da "unidade interna", feita em torno de afirmações como as referidas no blog "oficioso", em ignorar que se teve uma vitória por 3 votos (isto sem invocar as dúvidas, já reportadas a quem de direito , sobre o processo), em "incinerar", ignorar ou não considerar a proporcionalidade LEGÍTIMA saída das urnas, logo, a não acolher sugestões ou propostas porque não são da "entourage" do Presidente (atenção, só da CPC e não do PS Marco, como já assinou), não deixa muita esperança num PS que possa ser alternativa ao PSD; por culpa de quem teve uma "expressiva maioria" de 3 votos.
O Marco e o PS mereciam muito mais e melhor.
Era interessante que se entendese que quem, internamente, se opõem á filosofia e prática de Artur Melo, não se move, como repetidamente é dito e escrito, por embuçados que se acoitam como "anónimos" , "miguéis" e quejandos (a falta de coragem tem disto e tem um adjectivo, que não uso), por interesses pessoais ou profissionais.
Eu, pessoalmente, só perdi por me posicionar desta forma. Talvez, no meu blog pessoal, um destes dias, escreva sobre o preço pessoal disso.
O que me move e sei que move os elementos da CPC eleitos, que não integram o projecto de poder pessoal do Presidente da CPC , é o entendimento que o PS deve, antes de mais, marcar a agenda política e a da sociedade civil e POR CAUSA DISSO, ganhar eleições.
Mas, para tal, seria necessário que se participasse na vida local.
Por exemplo, espero, para ver, quantos elementos dessa "entourage" estarão, hoje, na Conferência sobre o Centenário da República, ás 21h, na Câmara.
É que sem ter genuíno interesse pela vida local, frequentar locais públicos, andar a pé nas ruas, ouvir as pessoas, mesmo nas conversas que nos limitamos a testemunhar, mas no seu quotidiano e não no formalismo "doutoral", mostrar interesse pelas iniciativas, mesmo se da Câmara, que acontecem, fica-se longe da realidade e não se ganha eleições...
Daí eu continuar a falar, até prova em contrário, de um "sindicato de voto" e não de um esforço para, afirmando os princípios de esquerda do PS, ganhar eleições....
Abel Maria Simões Ribeiro a 19 de Maio de 2010 às 11:37

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