Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
28
Mai 10
publicado por José Carlos Pereira, às 00:15link do post | comentar

Abre hoje ao final da tarde e decorre até domingo a Feira das Colectividades e o Festival do Anho Assado de Marco de Canaveses. A iniciativa terá lugar no Largo da Feira e é organizada pela Câmara Municipal, pela Associação das Colectividades do Concelho e pela Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno.

O programa inclui eventos de natureza cultural, recreativa e desportiva, destacando-se na tarde de sábado as comemorações de âmbito nacional do 86º aniversário da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, de que já falei aqui.

Enquanto membro da Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno desejo que os cinco restaurantes presentes no Festival saibam promover o nosso principal emblema gastronómico e contribuam, dessa forma, para a atracção de turistas e visitantes a Marco de Canaveses.


Como comentador "inpenitente", deixo uma reflexão, datada.
Uma das minhas actividades, enquanto residi, longos anos, em Beja, foi ser "confrade" e "dirigente" da extinta Confraria dos Gastrónomos do Distrito de Beja.
Em Novembro de 2005, tive a honra de participar no 1º Congresso das Confrarias das Regiões da Europa, em Bruxelas e, em nome da "minha", apresentar comunicação sobre, precisamente, o papel de novo movimento social, pela identidade local, que as Confrarias eram e deviam ser. E, sabe-se lá porquê, dizer do perigo da sua apropriação, indirecta, pelas Câmaras ou poderes locais.

Ficam partes de texto,já que uma Confraria local está em festa, escrito na sequência e maturação desse Congresso, datado, mas que reconheço actual.

"Um novo movimento social"
Publicado no "Diário do Alentejo" (Beja), em 2004-02-06
Reuniu-se em Bruxelas, no hemiciclo do Parlamento Europeu, o 1º Congresso das Confrarias das Regiões da Europa, a 7 de Novembro.
Tive, enquanto membro de delegação, a honra de testemunhar e de me aperceber da dimensão e pujança que, hoje, assumem, na Europa, todos aqueles “confrades” que se batem pela afirmação dos “produtos do território” como motores do desenvolvimento local e, mesmo, de uma nova economia e de um processo de reforço identitário.
De facto, das confrarias tendemos a ter, entre nós, uma ideia que aponta para uma espécie de “sociedades almoçaristas” ou de “tertúlias de amigos de petiscos e copos”, que mais não buscam senão a manutenção desse reconhecido (e louvável) direito de se juntarem para conviver em torno de iguarias autênticas. Só isso lhes daria, já, um estatuto qualificado.
Contudo, pude perceber, nesse Congresso Europeu, algo diferente: as Confrarias são um fraterno e emergente movimento social de combate por uma nova economia construída sobre os “produtos do território”.
Sobre este conceito de “produtos do território”, dei por mim, a aplaudir, delirantemente, o exprimido pelo ministro francês do Desenvolvimento Rural (com o qual politicamente nada tenho a ver...), nesse 7 de Novembro, em Bruxelas: esses produtos são aqueles que são obtidos com materiais, tecnologias e saberes próprios de um território, sendo só compreendidos em função dessa realidade global e das relações sociais que a constituem, logo, defender o mundo rural passa por valorizar tal pertença.
Pude perceber o papel estratégico que as Confrarias desempenham neste combate. Afinal, não se trata, só, de agrupar aqueles que gostam de um dado bem, mas de lutar, fraternalmente irmanados, para que o mesmo continue a ser produzido e que, da excelência dessa produção e do acto de o consumir, resulte o reforço da economia local.
Daí que seja urgente que as confrarias portuguesas façam aquilo que já é ensaiado naquela onde sou um “humilde gastrónomo de base”: a Confraria dos Gastrónomos do Distrito de Beja. Nela, aposta-se na formação, nas suas diversas vertentes.
Isto porque se acredita que as iguarias típicas o são, quer na forma como são consumidas, quer como são produzidas, quer como são apresentadas.
Tal significa que a formação deve incidir sobre as técnicas de aproximação e manuseamento do produto (por exemplo, uma acção de formação de “Cortadores de presunto” ou de “Provadores de Azeite”), seja sobre a sua transformação (por exemplo, nas acções sobre “Cozinha” ou “Culinária”), seja em relação à dignidade com que são apresentados (por exemplo, as acções sobre “Serviço de Mesa”).
A tudo isto a Confraria se tem dedicado, recorrendo às fontes de financiamento disponíveis, tentando qualificar quem manuseia e transforma as matérias primas em “produtos do território”, sem esquecer o sentido de “irmandade”, presente nas refeições e cerimoniais comuns de sua exaltação(...). É urgente que as confrarias sejam consideradas, pelas organizações e corporações ligadas aos interesses económicos, como um parceiro que pode contribuir para a dignificação e validação do produto que se apresenta(...).
Do que não restam dúvidas é que este movimento social das confrarias é bem vindo a este combate pela identidade.
Assim resista às tentações e seduções que, não tarda, os “poderes” lhe farão."
Fim de citação. Já agora, a nossa Confraria em festa candidatou-se ao PRODER ?
Abel Maria Simões Ribeiro a 28 de Maio de 2010 às 15:03

Agradeço que tenha partilhado connosco a sua reflexão, que se mantém actual. Referia-se a temas que tenho defendido como prioritários na acção de uma Confraria. E os agentes da restauração deveriam ser os primeiros a perceber o que ganhavam com isso.
A Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno dá ainda os primeiros passos e tem desde o início do ano uma nova liderança. Há com certeza muito a fazer pela gastronomia tradicional.

a confraria do anho assado com arroz de forno teve um início prometedor mas infelizmente o aproveitamento político vai acabar com ela...
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Apesar de não acompanhar de muito perto a gestão executiva da Confraria, não vejo que isso seja verdade.
A primeira Chancelaria da Confraria era liderada por uma deputada municipal do CDS-PP e a actual integra actuais e antigos autarcas de vários partidos, o mesmo acontecendo nos demais órgãos sociais.

com os meus cumprimentos gastronómicos,talvez se o senhor josé carlos pereira acompanhasse de mais de perto a confraria iria perceber que as promessas da direcção da confraria ( um trabalho dos alunos das nossas escolas sobre o anho assado e arroz de forno,uma obra com um forno numa das nossas rotundas e mais algumas como a divulgação nacional através de feiras,etc.etc...)até agora nada foi realizado.
quando se marca jantares para certas horas com a ementa do anho assado com arroz de forno,e o senhor deve saber que o anho tem que ser apreciado a horas e se chega 2 digo duas horas atrazado e fazer esperar todos os outros confrades,o que é que o senhor acha?
mas também lhe digo oxalá que eu esteja enganado para bem da nossa gastronomia.
o tempo o dirá....,
atentamente
amm

Concordo que há muito por fazer, com as populações locais, com os mais jovens, com os empresários da restauração, na promoção e divulgação, etc., mas já se deram passos positivos.
Sei que a Confraria se tem feito representar por alguns dos seus membros em reuniões um pouco por todo o país, divulgando o anho assado com arroz de forno e promovendo o nosso concelho e isso até pode ser visto no blogue da Confraria.
Contudo, as críticas construtivas serão sempre bem-vindas pelos responsáveis da Confraria.

Sou oriundo de uma familia marcoense, que sempre me falou do "arroz de forno e anho" e não do "anho assado com arroz de forno",Já fiz vários contactos com pessoas mais idosas do Marco e, todas me confirmam que nas pensões Ferrador e Queiroza o prato assim era designado. Haveria assim, necessidade da Confraria corrigir , para começar a dar autenticidade às coisas, e não inventar nomes para o tão afamado "prato". E já agora, os restaurantes presentes no evento, deveriam praticar preços convidativos para começar a atrair turistas à cidade. Não é com preços que me dizem que lá se praticaram ,que se atraem pessoas à cidade do Marco. Contudo, ficam os meus parabéns à organização do evento e há que melhorar.
visitante a 31 de Maio de 2010 às 19:49

Deixo para os mais entendidos a questão que coloca sobre a denominação do prato, mas julgo que é correcto dar a primazia ao anho assado na designação.

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