Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Jul 10
publicado por José Carlos Pereira, às 12:45link do post | comentar

O ex-presidente da Junta de Freguesia de Rio de Galinhas, Hernâni Pinto, assina um artigo de opinião na última edição do jornal “A Verdade” sobre o cancelamento das obras de electrificação da Linha do Douro.

Este é um assunto caro a Hernâni Pinto e o antigo autarca dispara sobre vários protagonistas socialistas, desde o primeiro-ministro, José Sócrates, ao vereador Artur Melo e a outros deputados e dirigentes distritais. O PS, dos “políticos santeiros”, é o alvo de todas as críticas.

Hernâni Pinto vê ser adiado um investimento que permitiria criar uma nova centralidade em torno da estação de Rio de Galinhas e isso magoa-o, o que se percebe. Contudo, Hernâni Pinto, que foi autarca pelo PS durante largos anos, sabe que muitas vezes há circunstâncias exógenas que levam os políticos a ter de mudar de opções e prioridades, criando a ideia de que faltam à palavra dada.

Creio que nenhum agente político tem prazer em entrar em contradição com as promessas e com os objectivos anunciados publicamente. A realidade é que muitas vezes condiciona a acção dos políticos. Ainda há dias o “Público” referia que a REFER teve de reduzir o seu plano de investimentos de 800 milhões de euros para 200 milhões de euros. Foi neste quadro que foi adiada a maior parte dos investimentos na rede ferroviária, incluindo os previstos para as Linhas do Douro e do Tâmega.

Poderia haver outras opções? Poderia escapar a esses cortes a electrificação da Linha do Douro até Marco de Canaveses? Talvez, mas também aqui há que privilegiar a rentabilização dos investimentos e não conheço em pormenor os números para fazer comparações desse tipo.

Acreditemos que este cancelamento das obras não vai prolongar-se por muitos anos e que, à primeira oportunidade, a REFER voltará a colocar a requalificação da Linha do Douro no topo das prioridades. Seja qual for o Governo em exercício de funções.


Este comentário é feito sem que tenha lido o artigo do Hernâni.
Relativamente á electrificação da linha do Douro até ao Marco é evidente que o momento que o país atravessa justifica tudo - até a falta de cumprimento de compromissos assumidos - mas apetece perguntar: estavam á espera da crise para ( não) fazer esta obra? E os milhões que já foram gastos pela Refer para preparar esta electrificação? O estado não terá a obrigação de promover a igualdade?
A verdade é que para, por exemplo, organizar uma viagem, em grupo, de comboio do Marco ao Porto - uma ida de alunos ao teatro, por exemplo- tem que ser ter em conta enúmeras variáveis( mudar em Caíde,compatibilzar horários, alterar a tipologia das caruagens..), e a verdade é que o marco está a 50 km do Porto.
Quando há relativamente pouco tempo a então secretária de estado dos transportes nos anunciou um investimento de muitos milhões nas linhas do Tâmega e Douro ( Só para a requalificação da linha do Tâmega eram 14 milhões de euros) houve um misto de alegria e desconfiança e, confesso, nunca pensei justificável tal investimento na linha do Tâmega.
Mas penso que a grande questão é: se há 2 anos havia tanto dinheiro para investir, porque não se fizeram as obras?

Claro que ao mais incauto dos marcuenses custa saber a notícia que a participação da selecção na Africa do Sul custou aos cofres do estado cerca de 4 Milhões de euros e que há obras serem adiadas por falta de verba- É A VIDA!
alcino jorge a 13 de Julho de 2010 às 14:25

Percebo o teu ponto de vista, que subscrevo inteiramente. Objectivamente, não se compreende que não haja comboios regulares, rápidos e frequentes entre Marco e Porto, beneficiando toda a região envolvente.
O mal do nosso país é a falta de planeamento e de consistência das políticas de investimento nas infra-estruturas prioritárias. Mudam governos e ministros e as políticas alteram-se profundamente. Vale a pena olhar para a vizinha Espanha para perceber como sabem construir os grandes consensos, independentemente de quem está no poder.
Tal como tu, sempre achei "fruta a mais" investir 14 milhões na Linha do Tâmega. E quanto ao futebol, é mesmo o que dizes: é a vida...

É verdade que a falta de planeamento e a inconsistência politica são, provavelmente, das maiores causas de desperdicio de verbas neste país.
Só a titulo de exemplo e ainda nos caminhos de ferro testemunho aqui que em Santo Isidoro, na linha do Tâmega, foram gastos muitos milhares de euros, primeiro na aquisição de terrenos e execução de obras para a supressão de passagens de nível depois na electrificação de passagens de nível - uma das quais se tinha decidido suprimir e já se tinha pago o terreno para essa supressão - e, actualmente há terrenos que foram pagos pela REFER mas que, suponho, continuam propriedade do vendedor e há obras de supressão executadas onde não há passagens. Se juntarmos a isto, o que foi gasto para levantar a totalidade da linha e o que é pago ao autocarro que está a fazer as carreiras para Amarante, enfim, ficamos estupefactos e apetece perguntar, como diria Pedro Barroso " quem inventou estes critérios?"
alcino jorge a 13 de Julho de 2010 às 23:02

Aí estão alguns bons exemplos...

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