Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Nov 10
publicado por João Monteiro Lima, às 17:45link do post | comentar

O leitor Emanuel Moreira enviou-nos o seguinte texto para publicação. Transcreve-se:

 

Filho e atleta, a influência!

 

O ser humano é um ser sociável, vivendo em sociedade, sendo passível de sofrer influências que vão afectá-lo de várias maneiras, a vários níveis e nas mais variadas situações.

A interacção de uma criança na sociedade sofre primeiramente influência dos pais, depois da escola, do professor e de outros grupos como por exemplo uma equipa desportiva.

Os pais têm um papel fundamental para o bem-estar dos filhos, mesmo na prática de actividade desportiva. No entanto, apenas mediante o tipo de apoio que vai receber por parte dos pais, é que o jovem atleta vai conseguir o prazer de praticar a sua modalidade desportiva preferida.

Vários estudos identificaram pais que se dedicam a apoiar com solidariedade o crescimento desportivo dos filhos, outros que nunca estão presentes e ainda outros que só perturbam com condutas totalmente desequilibradas.

Avaliar o desempenho desportivo dos filhos tendo apenas em consideração os resultados imediatos, leva à criação de climas de ansiedade manifestados por comportamentos violentos e uma carência cada vez maior de comportamentos desportivos traduzidos no “fair-play”.

Aqueles pais que da bancada exigem determinadas pontuações e atitudes por parte dos filhos, proporcionam que nas crianças se desenvolva um cidadão ansioso que compete não para seu próprio benefício, mas para agradar aos pais.

Os outros pais que dão palpites sobre problemas tácticos com que os filhos se deparem, têm como consequência a criação de indecisão na cabeça do atleta/filho, pois essas tácticas são na grande maioria das vezes muito diferentes das do treinador. Estes pais esquecem-se que em campo estão crianças em crescimento, maturando-se gradualmente, ainda sem condições e estrutura suficientes para poderem responder com precisão emocional e física.

Outros ainda, identificam-se com os filhos, perdendo as suas próprias características, valorizando-se a si próprio em função dos resultados que os filhos conseguem obter, exercendo deste modo uma enorme pressão sobre estes, prejudicando a criança, o atleta e a modalidade que este se propõe praticar.

A constante pressão e a crítica permanente, favorecem o aparecimento de personalidades inseguras com desenvolvimento emocional não preparado para fazer face às dificuldades do dia-a-dia.

A grande exigência dos pais decorre na maioria das vezes do seu mau desempenho e/ou falta de oportunidades enquanto crianças e jovens.

É necessário que as expectativas dos pais em relação ao sucesso ou insucesso dos filhos sejam adequadas às capacidades reais destes e ao trabalho pelos mesmos, realizado.

Os pais devem evitar julgamentos negativos e estimular, em si próprios, a capacidade de reconhecer os bons desempenhos dos filhos no contexto desportivo em que os mesmos estão inseridos.

A exigência que os pais exercem sobre o desempenho dos filhos e a energia dispendida nesta “batalha”, deveria ser por estes canalizada para a orgânica que as Associações Desportivas colocam à disposição das crianças e da modalidade. Um pai que paga para que o seu filho frequente determinada modalidade numa qualquer Associação Desportiva, deve “fiscalizar” a correcta aplicação do dinheiro por si dispendido para que o seu filho cresça desportivamente. Nomeadamente inteirar-se das condições de treino, existência de materiais desportivos em número suficiente e em bom estado de conservação, pessoas qualificadas…afinal, o seu dinheiro deve ser aplicado no melhoramento das condições de trabalho do escalão em que o seu filho está inserido e jamais desviado para sustentar ordenados de escalões seniores, vícios. Sempre que verifique anormalidades, deve ser exigente para com os responsáveis da Associação e denunciar as mesmas nas Assembleias-Gerais desta, para que os sócios tenham conhecimento das mesmas.

O ideal é que os pais consigam apoiar os filhos e acreditem de forma incondicional no sucesso destes, criando-lhes um ambiente tranquilo, em que se transmita afecto absoluto, independentemente dos resultados por estes alcançados.


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