Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
03
Mai 11
publicado por João Monteiro Lima, às 17:45link do post | comentar

O leitor António Ferreira enviou-nos o seguinte texto para publicação. Está relacionado com os CEF´s na sequência da intervenção de um deputado na Assembleia Municipal de Fevereiro passado realizada na freguesia de Alpendurada. Transcreve-se:

 

Os CEF

            No Despacho conjunto n. 453/2004, pode ler-se “… tendo presente o elevado número de jovens em situação de abandono escolar e em transição para a vida activa, nomeadamente dos que entram precocemente no mercado de trabalho com níveis insuficientes de formação escolar e de qualificação profissional, importa garantir a concretização de respostas educativas e formativas, (…) São criados os cursos de educação e formação (…) destinam-se, preferencialmente, a jovens com idade igual ou superior a 15 anos, em risco de abandono escolar ou que já abandonaram antes da conclusão da escolaridade de 12 anos, bem como àqueles que, após conclusão dos 12 anos de escolaridade, não possuindo uma qualificação profissional, pretendam adquiri-la para ingresso no mundo do trabalho. (…) os cursos são desenvolvidos pela rede das escolas públicas, particulares e cooperativas, escolas profissionais e centros de gestão directa e participada do IEFP, ou outras entidades formadoras acreditadas, em articulação com entidades da comunidade, designadamente os órgãos autárquicos, as empresas ou organizações empresariais, outros parceiros sociais e associações de âmbito local ou regional,…”.

            A Lei n.º 85/2009, de 27 de Agosto, “estabelece o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens que se encontram em idade escolar” e acrescenta “… consideram -se em idade escolar as crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos.”

            Da acta da reunião da Assembleia Municipal, “… O deputado (…), colocou duas questões. Uma tem a ver com os CEF’s que estão na EB 2/3 do Marco, nomeadamente, se há perspectivas de alguma solução, pois considera que eles estão totalmente desenquadrados, pois há jovens com dezassete e dezoito anos a conviver com miúdos de onze, doze, treze anos, o que lhe parece que não faz grande sentido. (…) O Presidente (…) Respondeu ao senhor Deputado (…) sobre a questão dos cursos CEF. Informou que essa é uma decisão do próprio agrupamento de escolas, principalmente da EB 2/3 do Marco de Canaveses.

            De referir que o primeiro diploma foi assinado por David Justino e esta em vigor desde 2004, desconheço desde quando esta oferta de formação prevista em diploma legal, é disponibilizada nos nossos estabelecimentos de ensino. A pergunta que gostaria de ver respondida; os CEF são um problema do agrupamento, neste caso da “EB 2/3 do Marco” ou serão uma resposta às necessidades dos alunos que frequentam os nossos estabelecimentos de ensino? O que pretende exactamente o nosso representante para os alunos que frequentam a Escola Pública e a frequentar os CEF?

 

 

António Ferreira


Boa noite.
Só hoje li o texto aqui publicado, e tendo sido minha a abordagem á matéria relacionada pretendo dizer que o que coloquei em causa não foi a utilidade ou não dos Cef`s mas sim o enquadramento dos mesmos na referida escola bem como noutras deste concelho.
Na minha opinião, é necessário tentar arranjar uma solução que se enquadre com faixas etárias próximas , não sendo de excluir, a hipótese de utilização de um espaço que eventualmente se encontre livre, e seria de uso exclusivo para estas turmas. não vejo isso como descriminação.
gil a 7 de Maio de 2011 às 22:24

Antes de mais permita que o felicite por se ter dignado vir dar esclarecimentos tidos por convenientes, prática não habitual dos nossos representantes. Respeito o seu ponto de vista com o qual discordo.
O conceito de Escolas Inclusivas pretende incluir todas as crianças e adolescentes em idade escolar, quaisquer que sejam as suas características físicas, sociais, linguísticas ou outras. De acordo com a Declaração de Salamanca, o mérito das Escolas Inclusivas não consiste somente no facto de conseguirem proporcionar um ensino de qualidade a todas as crianças, mas também de contribuírem para modificar atitudes discriminatórias, criando sociedades acolhedoras e inclusivas.
Hoje a escola é frequentada por crianças e jovens portadores de deficiência que, “não há muitas décadas, era uma realidade quase dominante colocarem-se em capoeiras, em currais, em casas sem nenhumas condições, aqueles que tinham nascido com a infelicidade de ter uma deficiência ou que a tinham desenvolvido na sua vida" (Vieira da Silva), hoje estes cidadãos frequentam a Escola, a qual deve criar condições para os acolher e não o contrário.
A escola dispõe de Autonomia; “A autonomia é a faculdade reconhecida ao agrupamento de escolas ou à escola não agrupada pela lei e pela administração educativa de tomar decisões nos domínios da organização pedagógica, da organização curricular, da gestão dos recursos humanos, da acção social escolar e da gestão estratégica, patrimonial, administrativa e financeira, no quadro das funções, competências e recursos que lhe estão atribuídos” (Dec-lei 75/2008).
Ao defender o “afastamento” destes alunos, que por motivos diversos não acompanharam os pares, está a discriminar. Estariam estes alunos em igualdade com os demais, no caso de se “arranjar uma solução”, isto é, “um espaço eventualmente se encontre livre”? Não estariam! E se fosse pai de um destes alunos, teria a mesma posição? A sua intervenção foi na qualidade de pai ou de deputado municipal?
Não só está a discriminar como também, acredito que involuntariamente, está a rotular!
antonio ferreira a 9 de Maio de 2011 às 23:39

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