Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
05
Dez 11
publicado por João Monteiro Lima, às 00:05link do post | comentar

O meu amigo Manuel António Teixeira, sociólogo, enviou-nos o seguinte texto que se transcreve:

 

Freguesias – Em defesa do poder local

 

Os iluminados decisores (leia-se decisores políticos dos últimos anos) que nos conduziram ao estado actual em que nos encontramos, parecem querer destruir uma das bandeiras que a nossa democracia ainda consagra – O poder local. Refiro-me concretamente à nova Reforma Administrativa do país, mais especificamente à reformulação do território Freguesia e ao desmembramento dos seus actuais representantes. As freguesias e os seus eleitos representam o que de mais puro a democracia nos oferece – organização e representatividade ao serviço das populações. 

Querer redefinir territórios e baralhar os seus representantes locais, à luz de duvidosos critérios economicistas, parece-me ser mais um dos crimes da nossa democracia. Querer destituir os representantes do povo que diariamente prestam contas às suas comunidades será um retrocesso no processo democrático que conduzirá ao empobrecimento das comunidades.

O que ganhará o país com a destruição de 1.500 freguesias?

Na minha opinião – Absolutamente nada! Bem pelo contrário, perderemos os legítimos representantes dessas comunidades que são indutores do desenvolvimento local e perderemos a capacidade de poder reivindicativo e consequente desenvolvimento local com as divergências territoriais que se adivinham. Perderemos o efeito multiplicador dos agentes locais de desenvolvimento, afastaremos os decisores dos problemas, ficaremos mais pobres, certamente.

Mas, sejamos pragmáticos. Se o problema é a falta de recursos económicos do país, haja seriedade no tratamento do assunto. Haverá muito por onde cortar para manter os actuais representantes das nossas freguesias. Por exemplo, nas inúmeras empresas municipais de proliferam pelo país.

Concretamente, no nosso concelho de Marco de Canaveses, entendo que para manter os 31 representantes das nossas freguesias seria preferível cortar, se necessário fosse no mesmo número, nos funcionários autárquicos que ultrapassarão as quatro centenas.

A ser concretizada a Reforma Administrativa como está prevista, será criar mais um problema estrutural no país a que se juntam outros impossíveis de resolver a médio prazo, tais como, o envelhecimento demográfico, o abandono do interior, o endividamento das famílias à banca, a cultura da facilitação e pouco rigor.

Acredito na vontade das populações, acredito que será ainda possível evitar este erro colossal!

 

 

Manuel António Teixeira - Sociólogo 

 

 

 


Parece-me pouco rigoroso o sociólogo Manuel Teixeira.

"iluminados decisores" refere-se a políticos eleitos democraticamente?
Usa o termo "destruição" e pouco depois pede "seriedade" no tratamento do assunto?
Equipara 31 "representantes" (entendo Presidentes de Junta) a funcionários publicos
e quase parece querer dizer que os custos inerentes a uma Junta de Freguesia/Assembleia de Freguesia se resumem a
esse cargo?
Que "problema estrutural" se cria com a fusão de freguesias? E já agora, que ligação tem isto ao
"o envelhecimento demográfico, o abandono do interior, o endividamento das famílias à banca,
a cultura da facilitação e pouco rigor."?
Erro colossal é uma opinião - a minha é totalmente contrária.
Ricardo a 5 de Dezembro de 2011 às 02:09

Subscrevo integralmente o conteúdo do Post de Manuel António Teixeira.
Nas grandes cidades, pertencer à freguesia "x" ou "y" não é significativo, pois não há "vinculação" à mesma, aí poderá fazer sentido juntar. Depois não esta demonstrado que o Estado poupe na despesa com a fusão de freguesias, principalmente as que se situam em meios rurais. Não é a mesma coisa ir de Lardosa à Junta de Soalhães ou ir a Rio de Galinhas (mero exemplo). A freguesia ainda é o nosso referencial. Uma reforma que se dispensava que, salvo melhor opinião, serve para criar alguma distração sobre os verdadeiros problemas que afligem o país.
antonio ferreira a 5 de Dezembro de 2011 às 15:54

pesquisar neste blog
 
blogs SAPO