Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Abr 12
publicado por João Monteiro Lima, às 12:55link do post | comentar

Nos próximos dias publicarei aqui no Marco 2009 as intervenções dos líderes municipais nas comemorações do 25 de Abril.

Para tal solicitei aos diversos líderes, as suas intervenções. Tal como na cerimónia realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a primeira intervenção será a minha

 

No ano em que Portugal celebra o 38º aniversário do 25 Abril, revolução que devolveu aos portugueses a liberdade e a democracia, após 48 anos de tirania fascista, e, se excluirmos as comemorações populares nos anos imediatos à Revolução e o 25º aniversário, o Marco relembra Abril apenas pela 7ª vez. 

Anos houve em que no Marco, o 25 de Abril, mais não era do que o 25 do 4, saudoso que era o poder de então do antigo regime.

 

Aquando do 33º aniversário do 25 de Abril de 1974, nesta mesma sala, alertei para o facto de, todos os dias, assistirmos, a par da privatização de muitas funções sociais do Estado, ao encerramento de Esquadras de Polícia, de Hospitais, de Centros de Saúde, de Maternidades, de Tribunais, bem como ao encerramento de largas centenas de escolas, numa óptica meramente economicista que em muito prejudica os portugueses.

Nestes 5 anos, o ataque aos ideais, valores e conquistas do 25 de Abril, não abrandaram. Muito pelo contrário, agravaram-se

 

Vejamos, por exemplo, a recente decisão da CP de suprimir 15 horários de comboio que ligam o Marco a Caíde, naquele que poderá ser o derradeiro ataque à linha do Douro. Assim, este é o momento de felicitar a Comissão de utentes da Linha do Douro, bem como todos os marcoenses e não marcoenses que participaram na grandiosa manifestação do passado domingo, manifestação contra a supressão de horários e pela electrificação da Linha do Douro. A luta pela Linha do Douro está longe de ter terminado, pelo que se apela também aos marcoenses e não marcoenses, municípios e partidos políticos, para continuarem alerta e dispostos a novas formas de luta na defesa da nossa terra e da nossa região. Este ataque ao transporte público ferroviário, transporte essencial para tantas e tantas pessoas, mais não é do que mais uma medida e um sacrifício a juntar a tantos outros que vêem sendo pedidos os portugueses e que, há muito tempo, ultrapassaram os limites do suportável.

A manifestação do passado domingo, apartidária, é também a prova de que os marcoenses estão também indignados com os sacrifícios que lhes são pedidos. Era possível ler em alguns cartazes que os marcoenses “estão fartos de ser roubados

 

E esta é uma verdade indesmentível, pois é assim que se sentem muitos milhares de marcoenses.

 

Os marcoenses foram, estão e continuarão a ser roubados, fruto das opções políticas de quem dirigiu os destinos dessa nossa Terra.

 

 

Ao retirar comboios na Linha do Douro, estão a roubar os marcoenses. 

 

Ao não ter sido feito um investimento nas redes de água e de saneamento, foram roubados os marcoenses.

 

 

Ao privatizar-se a concessão da água e a recolha do lixo, foram roubados os marcoenses. Quem já esqueceu as tarifas praticadas e contrato de concessão, ou mais recentemente os gastos assumidos para a modificação unilateral do contrato da água?

 

 

Aos desbaratar sem regras milhares de euros no futebol profissional, foram roubados os marcoenses. Quem já esqueceu que o extinto Futebol Clube do Marco viveu muitos anos acima das suas possibilidades, tão só porque a Câmara era um poço sem fundo.

 

 

Ao existirem extensões de saúde no concelho, sem médicos, estão a ser roubados os marcoenses.

 

 

Ao diminuírem as verbas a transferir pelo Estado para os municípios e freguesia, estão a roubar os marcoenses

 

Ao terem que suportar as taxas máximas do IMI e a derrama, os marcoenses estão a ser roubados

 

Ao serem deliberadas obras sem cabimentação orçamental, como as de 2005, estão a ser roubados os marcoenses. Veja-se que só agora é que as

mesmas serão pagas e que, entretanto, algumas das empresas entraram em processo de insolvência.

 

Com o encerramento de empresas, o despedimento de trabalhadores, o trabalho sem direitos e o aumento da emigração, estão também os marcoenses e o Marco a ser roubados.

 

 

O roubo que foi feito aos marcoenses não é só um roubo de “valores” é também um roubo de futuro. Roubaram o futuro dos marcoenses, quando o mesmo foi hipotecado pelo contrato de reequilíbrio económico-financeiro

 

 

A crise que o Marco e o País estão a atravessar, como muito bem disse o nosso conterrâneo D António Couto – Bispo de Lamego, no Congresso dos 160 anos do Município do Marco de Canaveses, não é só uma crise de “valores” mas uma crise de Humanidade. É pois este o momento de inverter o caminho. E isso mesmo foi o 25 de Abril de 1974, uma inversão no caminho do retrocesso em que Portugal seguia.

 

Não estando em causa – pelo menos para já - a liberdade e a democracia, e quando se assiste a um ataque cerrado a direitos fundamentais, no campo laboral e social, saibamos resistir como os muitos de portugueses antes de Abril, e seremos capazes de construir uma vida melhor num Portugal de futuro.

 

Viva o 25 de Abril de 1974

 

Viva o Marco de Canaveses

 

Viva Portugal


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