Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
02
Mai 12
publicado por João Monteiro Lima, às 12:55link do post | comentar

Deixo aos leitores a interenção de Rui Cunha Monteiro, líder do PSD Marco e do grupo municipal do PSD na Assembleia Municipal do Marco de Canaveses

 

Por mais mutações que a sociedade portuguesa viva será sempre oportuno e imperativo comemorar o dia 25 de Abril de 1974 e os valores conquistados nesse dia pelas portuguesas e portugueses que ao longo de décadas se bateram pela democratização do nosso país.

Por essa razão, hoje, em 25 de abril de 2012, com Portugal e a europa mergulhados na maior crise de sempre, também partilho convosco esta comemoração, sentindo-a como momento de esperança apoiado na resiliência dos nossos compatriotas que conquistaram em abril de 74 a liberdade e a democracia para o nosso país.

Dos valores idealizados com a revolução dos cravos em Portugal, muitos felizmente, conquistaram-se e consolidaram-se e outros há que não se concretizaram. A evolução da nossa sociedade ao longo dos últimos trinta e oito anos proporcionou muito desenvolvimento para Portugal e para os portugueses mas não é menos verdade que o individualismo do cidadão, o culto da vaidade e o deslumbramento pelo poder perante um manancial de oportunidades surgidas em momentos facilitadores evidenciaram as fragilidades do sistema e a incapacidade dos portugueses em lidarem com os verdadeiros valores de justiça e liberdade. E hoje todos pagamos as consequências.

Histórias de corrupção, abusos de poder, enriquecimento ilícito, gestão danosa, entre outros crimes praticados nas últimas décadas por detentores de cargos de muita responsabilidade pública são das histórias mais vivenciadas pelos portugueses. O prejuízo de facto causado ao nosso país e aos portugueses por este modus operandi refletido na divida publica aliado ao descrédito provocado nos mais altos decisores do país pôs irremediavelmente em causa muitos dos valores idealizados em 25 de abril de 1974. E quem assim pensa e julga é o povo português e não um qualquer opinion maker ou comentador politico. É o nosso povo, são os portugueses.

A falta de rigor no trabalho, a falta de seriedade nas atitudes e o descaramento com que mentem pessoas com as mais altas responsabilidades indignificam as suas missões e os lugares que ocupam. Que não se deve mentir é dos primeiros ensinamentos que uma família dá aos seus filhos! Qual a frustração quando em adultos se deparam com aqueles que têm o dever de dar o exemplo, mentindo, enganando e sem princípios condignos aproveitando-se dos outros em seu interesse pessoal. Foi esta falta de ética de vida que nos empurrou a todos para o lamaçal de incertezas que hoje vivemos. E por mais ajudas económicas e financeiras que tenhamos se não houver em Portugal a capacidade de mudar esta atitude nada resultará. Virá um ciclo mais favorável e seguir-se-á novamente um desfavorável, pondo em causa cada vez mais o nosso regime político que tanto custou a conquistar e que muito nos orgulha.

A democracia e a justiça estão e estarão sempre nas mãos dos portugueses. Sendo certo que o poder muitas vezes se sobrepõe à justiça também é verdade que cada um de nós saberá cada vez mais atentar ao que o rodeia e usar os seus meios para contribuir para um país diferente, mais justo, mais verdadeiro e mais produtivo.

Cada português é igualmente importante para a recriação do nosso país. Lá vai o tempo em que alguns iluminados se julgavam donos da sabedoria e da estratégia. O destino mostrou a sua incapacidade e a sua invalidez.

Ninguém deve ficar parado.

Todos devem ser interventivos.

Todas as opiniões são válidas.

Ninguém se deve menosprezar das suas capacidades.

Um exemplo paradigmático que não posso deixar de citar é o estado da nossa agricultura. Há uns anos atrás, quando o dinheiro ilusoriamente parecia abundar não havia político que olhasse para a agricultura em Portugal com o mínimo de dignidade que esta merecia e sempre mereceu. A estratégia foi de tal ordem depreciativa que se subsidiou o abate para cremação de vitelos recém-nascidos entre outros incentivos à não produção e onde ser agricultor era uma profissão de menor importância. O nosso povo mostrou estranheza, dizia-se a voz corrente, um país sem agricultura não garante a sua subsistência! Veremos como será o futuro!

Hoje vivemos esse futuro e esse futuro mais uma vez mostrou que sábio era o povo, porque tinha a experiência da vida real e não a experiência dos gabinetes.

E para deceção de todos nós, aqueles que no passado destruíram a agricultura portuguesa são hoje os primeiros a colocarem-se na primeira fila dos defensores da agricultura como uma das possíveis saídas para a crise que Portugal vive. Usam e abusam da boa-fé dos portugueses e da sua capacidade de tolerância com o maior dos descaramentos.

Caras e caros marcuenses, escamotear esta nossa realidade é mostrar incapacidade de seguir em frente por melhor caminho.

Viver agarrados a este passado recente também não nos permitirá evoluir.

Resta-nos meter mãos à obra e cada um fazer a sua parte, dando o exemplo e não se deixando enganar.

O índice de desemprego, nomeadamente nos jovens licenciados deve ser encarado como uma oportunidade para a criação do próprio emprego.

O nível de qualificação entre os nossos jovens licenciados é excelente. E é por este grupo etário que a mudança terá que acontecer. É necessário arriscar! Dar o passo em frente. Olhar o mercado e definir setores estratégicos onde apostar.

Sabemos que nada é fácil e hoje particularmente, mas devemos acreditar. Temos quadros qualificados ao mais alto nível que devem ser estimulados a empreender e a criar o seu próprio emprego. Serão as pequenas e médias empresas que darão o impulso que Portugal precisa para abrir os horizontes do futuro.

É necessário acreditar no valor de cada um e procurar sem limites de esforço atingir o sucesso.

A mobilidade é hoje muito importante na vida profissional de todos nós. Mas beneficiando-se das novas tecnologias e das novas oportunidades de transporte facilmente chegamos a casa em qualquer meia dúzia de horas.

O foco na excelência ditará a diferença entre o sucesso e o insucesso.

O combate ao desperdício, a disciplina, o rigor nos processos, a frugalidade e a melhoria contínua são a base para a melhor conta de exploração.

É verdade que muitas adversidades encontrará quem hoje se lança no mercado de trabalho, nomeadamente criando a sua empresa. Mas é fundamental acreditar e arriscar. Arriscar dentro de cenários ponderados, mercados analisados e possuindo a formação adequada.

Acredito muito nos nossos jovens. Acredito que a excelente formação que hoje dota a grande maioria dos nossos licenciados precisa apenas de um incentivo na capacidade de arriscar para os lançar na vida empresarial e na criação do seu emprego. Este é um momento de oportunidade pois nada têm a perder e tudo o que criarem terá um valor acrescido.

A esperança na ajuda de um estado em falência é perda de tempo. O tecido produtivo nacional não conseguirá acompanhar na absorção a mão-de-obra qualificada formada anualmente pelas nossas universidades. Portugal precisa como nunca de um espirito empresarial na sua bolsa de técnicos. Antes de abandonarem Portugal tentem. Ao menos tentem os seus valores!

Indicar setores promissores não é sério porque as variáveis inesperadas são sempre muitas. Incentivar deve ser o nosso papel. Os mercados, cada um saberá encontrar o seu.

Caras e caros conterrâneos, não posso terminar sem uma referência objetiva a algumas causas marcuenses que estão na ordem do dia e que necessitam e merecem o envolvimento de todos nós. Algumas com mediatismo recente como é o caso da eletrificação da linha do douro até Marco de Canaveses e a manutenção dos comboios desde Caíde. Outra é a construção do IC35 entre Penafiel e Entre-os Rios, servindo o baixo concelho e a importante industria do granito. E ainda outra é a manutenção do tribunal do Marco com as atuais valências pois a justiça faz-se também com proximidade. Estes são três exigências das quais não devemos abdicar. Já somos um concelho sofrido e não nos podemos dar ao luxo de perdermos aquilo que é nosso por direito!

Quando a disponibilidade de orçamento exige muito rigor, também o bom senso deve imperar. Não podem as regiões mais pobres ficar cada vez mais debilitadas e mais pobres e as mais ricas, como é Lisboa e vale do tejo, serem cada vez mais favorecidas.

Estaremos com os marcuenses, sempre, nestas e noutras causas municipais e supramunicipais. Não mais fazendo que o nosso dever e com muito gosto no nosso sentir de marcuenses.

Viva Portugal

Viva o Marco de Canaveses

 

O Líder do PSD

Rui Cunha Monteiro


Assim não senhor engenheiro Rui Cunha.Dizer que não se deve mentir é um dos primeiros ensinamentos que damos aos nossos e depois assitirmos a toda uma colectânea de mentiras de Pedro Passos Coelho,só nos poderá levar a concluir,que o coitado não teve pais à altura.Nem todos temos a sorte do senhor engenheiro.
Miguel Fontes a 3 de Maio de 2012 às 02:24

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