Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
07
Set 12
publicado por João Monteiro Lima, às 15:55link do post | comentar

Jaime Teixeira, no blogue Marcoense como nós, escreve um texto que intitulou "Conversa de café" na qual  aborda a questão de uma lista supra-partidária. Sou amigo do Jaime Teixeira há muitos anos, e apesar das diversas diferenças de opinião, ou se calhar até por causa delas, a amizade vingou.

Mas neste assunto, ou melhor, sobre o texto do Jaime estou em desacordo sobre muito do que escreveu. Por partes,

- um esclarecimento prévio, pois este tema anda a tolher muitas mentes dos diversos partidos representados no Marco, a ideia de uma lista supra-partidária não foi minha, mas sim o que vou ouvindo a muitos marcoenses com quem falo diariamente. Marcoenses com e sem partido, com e sem filiação partidária, gente que acredita ser possível mudar o Marco, sem os partidos e as suas "jogadas" e "golpes"

- o PCP pode ser muita coisa, mas seguramente não é um partido elitista, por muito que certo sector político (em particular no Marco) o queira tornar como elista, o PCP é um partido de todos, onde todos podem ter o seu lugar, assim o queiram e os deixem

- sobre a mudança que os militantes devem empreender nos partidos, é uma ideia interessante principalmente quando defendida por quem está do lado do poder, mas quando o lado muda, tuda passa a ser diferente. O Jaime Teixeira ainda está na política partidária há poucos anos e ainda não terá passado (exceptuando a patifaria que tentaram fazer em 2009 ao PS Marco) para o outro lado da barricada

- o Jaime sabe que eu não acho que sou o melhor, da mesma forma que também não acho que sou o pior, mas entendo que há gente boa nos diversos partidos, gente que seria interessante juntar e não separar. Aliás, até dentro dos partidos o deveriam fazer, mas a prática partidária, os bastidores, os interesses, os "joguinhos" levam a que as pessoas cada vez mais se afastem, e vemos que os que ficam nos partidos tantas vezes criam os seus "grupos" para tentar chegar ao poder e afastar os que lá estão, ou seja, mais do trabalhar por uma terra ou um ideal, trabalham no seu próprio interesse

- sobre as noites a trabalhar, o tempo gasto com a política, levo mais de 20 anos nestas andanças, que permitem falar "de cima da burra" sobre "estar dentro dos processos, trabalhar, perder noites, sofrer, batalhar", e num partido como o PCP, que no Marco pouco diferente é do PS, em que os que dão a cara são poucos e quase sempre os mesmos, o trabalho é maior do que nos partidos que têm governado a nossa terra, que fruto do poder, criam uma máquina que trabalha quase sozinha. Díficil é fazer listas no PCP ou no PS, não no PSD nem no CDS/FT, difícil é estudar os assuntos para as Assembleias e intervir (como se faz no PC e também em algum PS) e não estar comodamente na galhofa nas assembleias municipais ou de freguesia

- o Jaime Teixeira desafia a pensar nos exemplos dos movimentos independentes que concorreram em 2009, mas não disse que, no fundo, aqueles movimentos não eram independentes, moviam-se apenas pelo interesse próprio dos principais candidatos, um que, sem o apoio expresso do seu partido, pretendia regressar à terra de onde tinha saído 4 anos antes - e não aprendendo com a derrota de Amarante, foi derrotado também no Marco, e o outro, era a última carta que o candidato tinha para jogar depois de ter sido deixado à frente de uma Câmara à beira da ruína e ter perdido para o PSD. Aliás no caso de NS sabia-se que estaria disponível para se candidatar ou teria essa vontade, pois se assim não fosse não teria permitido sequer que utilizassem o seu nome como foi feito na tal jogada que quiseram fazer ao PS Marco.  Os dois movimentos eram liderados por dois ex-Presidentes de Câmara que pretendiam voltar ao lugar, mais do que propôr algo de novo, de bom para o Marco. Um como outro, conduziram mal a campanha, criaram expectativas que as listas rapidamente dissiparam e foram derrotados nas urnas pela candidatura do poder, que beneficiou com o "voto útil", com mais organização, com mais dinheiro e, em abono da verdade, com um maior conhecimento da realidade do concelho do que as tais candidaturas.

Ao desejo final do meu amigo Jaime Teixeira para contribuir para a efectiva mudança, para me integrar e contribuir, fica a garantia que continuarei a trabalhar para tal, também aqui no Marco 2009, e integrado que estou na minha Terra, continuarei a contribuir para a melhorar.

Para terminar, a ideia que vou ouvindo, vai sendo cada vez mais falada, vai ganhando mais força e chegam-me informações que os partidos não estão desatentos a esta ideia, dizem-me que os partidos estão à alerta, pelo que se pode concluir que ou não tem mais nada para fazer ou então esta ideia não é uma simples conversa de café

 


Caro João,

Como dizes somos amigos há muitos anos e não considero que tenhamos estado em lados diferentes. Pelo contrário, acho que estivemos sempre do mesmo lado da barricada porque o nosso lado é o Marco. Se concorremos em partidos diferentes, isso são contingências da vida e eu aceito isso com a maior normalidade, coisa que nem todos aceitam, como bem sabes. Eu nunca me hateei com ninguém por ter outro partido, aliás até gosto disso e não acho que isso seja matéria para clivagens ou para acabar com amizades. mais uma vez, sabes que nem todos pensam como eu...
Essa de as pessoas se estarem a afastar dos partidos é contrariada pelo crescimento do PS Marco (distingo sempre os partidos do Marco dos partidos nacionais e distritais). Convém sempre olharmos para a nossa realidade porque devemos ser julgados pelo que fazemos pela nossa terra e pelos partidos da nossa terra.
Esse exemplo que dás de 2009 é paradigmático. Quem se afastou do PS por causa de 2009 não o fez pelas melhores razões, foi nessa altura que se viu a força dos socialistas do Marco e é por isso que sou militante, não pelo que dizes de "estar no poder". nem sei o que isso é e quando perder uma eleição para a concelhia terei a mesma posição que o anterior líder da concelhia: oferecer-me-ei para ajudar! Tão fácil quanto isso, aliás nos partidos não há "oposições", só há um cartão de militante e esse é igual para todos, como muitos ou poucos anos de "serviço". Essa conversa de "eu já cá ando há muitos anos" tem inquinado a discussão interna, só porque quem está há muito se acha melhor do que quem não é "histórico". Muitos anos de militância são números, não um sinal de ter feito algo de útil. Tal não é o teu caso, obviamente.
Jaime Teixeira a 7 de Setembro de 2012 às 19:27

Jaime
não disse que estivemos em lados diferentes da barricada, mas sim que em alguns assuntos temos opiniões diferentes.
depois, o que escrevi foi que tu ainda não estiveste no papel dos que não ganharam as eleições internas, a´liás, reconhecerás que os que não as ganham são muitas vezes os primeiros a torcer para que quem ganhou tenha um mau mandato. Basta olharmos para os principais partidos e facilmente percebemos que as divisões internas por vezes são piores do que as diferenças políticas de maior grandeza.
tens razao no que escreves sovre a militância de há muitos anos, mas eu apenas me referia ao facto de participar de uma ou de outra maneira na vida partidária´desde meados dos anos 80. Reconheço que a antiguidade da militancia nao é sinonimo de qualidade de militancia, por isso defendo uma renovação dos dirigentes, renovação que nos partidos representados no Marco se tem verificado em todos os partidos por diferentes motivos. No CDS a perda do poder levou ao afastamento de alguns ditos historicos, no PSD aconteceu o inverso, o poder atraiu novos militantes, no PCP a entrada de novos dirigentes deveu-se também à necesidade de ter novos dirigentes fruto de algumas saídas derivadas de diversos motivos, no PS o facto das passagens pelo poder em Portugal contribuiram para que entrassem novos militantes e estes conseguissem captar outros.

Ah, essa questão não me "tolhe" a cabeça de forma nenhuma! Em 2009 lutei contra dois ex presidentes de câmara em movimentos independentes. Não será por causa de uma ideia que não passa de ideia que me afligirei...
Um abraço, amigo!
Jaime Teixeira a 7 de Setembro de 2012 às 19:29

Também não disse que eras tu que andavas "tolhido" por causa desta ideia, mas sim as direcções partidárias a nível superior à concelhia.
abraço

Meus caros amigos João e Jaime

A Democracia serve-se e pratica-se, e não deveremos nunca servimo-nos dela.
E aqui é que está o busílis do problema.
Atrever-me-ei a afirmar que a maioria dos militantes de quaisquer forças,ou coligações partidárias,são-no por interesses da mais variada ordem,a maioria das vezes bem mesquinhos.
À falta de outros valores,de mérito próprio,do trabalho desenvolvido em prol dos outros,usam o trampolim da Política para se alcandorarem a posições sonhadas e ambicionadas,mas inatingíveis apenas pelo seu esforço e mérito.
Quem é que já se esqueceu das lutas,"birras",exigências e traições de tantos,que se dizem democratas,obviamente de cores político-partidárias diferentes,quando da elaboração das listas para as eleições autárquicas,distritais ou nacionais?
Há tempos tive o prazer de ler um comentário de Miguel Esteves Cardoso,cronista e escritor com quem sinto ter alguma afinidade,comentário em que este "fundava" o clube dos graxistas e culambolistas.Mal imaginava M.E.Cardoso,da enormíssima quantidade de adesões, que se viria a verificar.
Um abraço aos meus caros
João Valdoleiros
João Valdoleiros a 9 de Setembro de 2012 às 00:21

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