Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
13
Mar 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Renato Sampaio, líder distrital do PS, tem conduzido de forma infeliz a preparação das próximas eleições autárquicas, como o demonstram o infeliz episódio do convite a Norberto Soares e o subsequente desinteresse pelos resultados que venham a ocorrer em Marco de Canaveses, bem como a incapacidade para travar candidaturas independentes na área socialista, em Matosinhos e Valongo, que podem lesar seriamente o PS. Sampaio é um cinzento deputado - o seu momento de glória chegou com o projecto de ilegalizar os piercings! - catapultado para líder da distrital do Porto por demissão dos dirigentes qualificados que o PS/Porto ainda tem.

Bom, mas que Sampaio não tem (algumas) qualidades essenciais já eu sabia há algum tempo. Em 13 de Setembro de 2007, dirigi-lhe um e-mail (para ler aqui), que nunca mereceu resposta, a propósito da retirada de confiança política ao vereador Luís Almeida. A partir desse momento nunca mais participei nas iniciativas realizadas pela distrital para as quais fui convidado. Quem não responde às interpelações que recebe, revelando falta de educação, quem não cumpre com as iniciativas que anuncia, como foi o seu caso quando se comprometeu a realizar uma reunião com os principais responsáveis locais do PS, quem não é consequente com as atitudes que toma, como quando disse publicamente que não reconhecia a retirada de confiança política a Luís Almeida, não é merecedor de grandes créditos.

O problema é que há quem só vislumbre as deficiências de carácter quando são eles as vítimas...


Quer-me parecer que os meus amigos conhecem muito pouco da história do PS ou fazem de conta que na política é tudo gente séria e que os favores são desinteressados e sempre em benefício do país. Isso é conversa de campanha: os líderes dos partidos políticos são tudo, menos gente séria e a sua falta carácter é gritante como testemunhamos todos os dias.
Não entendo muito bem a vossa admiração em relação à atitude tomada por Renato Sampaio. O homem foi apenas realista. O PS anda a tentar ganhar a Câmara do Marco de Canaveses há 30 anos e nunca o conseguiu. Durante estas três décadas, os candidatos do PS foram todos dizimados e se isto ainda não serviu para lhes provar que o Concelho está muito mal servido em termos de dirigentes, que sempre sobrepuseram os seus interesses pessoais e as suas vaidades à competência e capacidade aglutinadora dos votantes, a distrital acordou para a realidade e pelo menos tentou dar a volta por cima.
Como se sabe, Renato Sampaio não tomou a decisão de convidar Norberto Soares de livre e espontânea vontade. O partido mandou fazer uma sondagem e perante a realidade dos números, mau seria, não dar crédito ao que estes demonstraram.
A oportunidade para o PS ganhar as próximas autárquicas estava mesmo ali à mão. O povo deu quase 30% da sua confiança a Norberto Soares e uns escassos 4% a Artur Melo e Castro. Norberto Soares já tinha assumido a sua candidatura como independente e nada melhor que o “encostar” ao PS para conseguirem a tal vitória tão procurada há quase 3 décadas.
Mas, mais uma vez, as guerras pessoais e as vaidades minaram esta eleição autárquica com Artur Melo e Assis a assumirem as despesas de uma guerra que lhes vai ficar muito cara.
Assis, devido às suas responsabilidades políticas dentro do partido, deveria ter retirado uma elação mais consciente do seu próprio fracasso e da vergonha porque passou quando eleito para a Assembleia Municipal. Mas, o seu instinto de vingança foi mais forte que ele e lá se foi mais uma oportunidade para o PS.
Sabendo que o presidente da concelhia não tinha a mínima hipótese de ganhar as próximas eleições, Renato Sampaio fez aquilo que lhe pareceu mais adequado à situação: demarcar-se de mais uma derrota do seu PS e deixar que Artur Melo assumisse sozinho o peso da responsabilidade do seu acto. Se ele se achou capaz, que prove no terreno que tem perspicácia para dar a tal vitória ao partido.
Penso que qualquer um de nós, nunca se ligaria a uma candidatura que sabia de antemão que ia ser derrotada, quando tinha uma solução com muito melhores perspectivas. Volto a repetir: Renato Sampaio fez aquilo que deveria ser feito.
Quanto a fragilidades em relação a Renato Sampaio pelas declarações produzidas ao “JN”, estejam descansados, porque este dirigente está muito bem alicerçado no partido. Nunca esqueçam que ele foi uma pedra basilar na campanha de José Sócrates na conquista do lugar de secretário-geral do PS e o nosso “primeiro”, nunca esquece esse tipo de favores. Fragilizado está Artur Melo e os seus parceiros, quando passarem pela vergonha de uma derrota histórica do PS no Marco.
Manuela a 13 de Março de 2009 às 12:42

Para haver vencedores tem que haver vencidos. Na nossa vida desempenhamos múltiplos papeis, que só são possíveis na medida em que existe o outro. Somos pais, porque há filhos, da mesma forma que somos empregados porque há um empregador. Nesta aldeia global nem todos podem ser empregadores. Só a multiplicidade de papeis que cada um desempenha permite encontrar uma resposta às múltiplas solicitações com no dia a dia nos deparamos. Poderá haver papeis mais ou menos agradáveis , mas não acredito em papeis menos dignos.
antonio ferreira a 13 de Março de 2009 às 16:09

Completamente de acordo. Reforço essa ideia dizendo que, em política, tão digno e importante é o papel de quem está no poder como de quem está na oposição.

Conheço muito, às vezes até mais do que gostaria, do que se passa na política, nos partidos e nos respectivos bastidores. Renato Sampaio errou, mas devo dizer-lhe que isso não me surpreendeu, como se percebe pelo meu post.
Francisco Assis não moveu nenhuma guerra. Disse apenas o que outros preferiram calar. O PS deve ser fiel à sua história e aos seus princípios. Não pode valer tudo para ganhar. É preferível perder com dignidade do que atropelar valores fundamentais para chegar à vitória.
Os Renatos Sampaios são figuras efémeras, que hoje estão circunstancialmente num lugar do aparelho, mas de quem a história não guardará memória.

Cada vez tenho mais certeza que a candidatura de Norberto Soares faz sentido assim, independente. Logística e financeiramente deve ser um tormento de todo o tamanho, mas há coisas bem mais importantes que meros tacticismos económico políticos Quanto a sondagens ouve-se falar de uma que eu apelido da 30/30/30, mas no fundo revela pouco... Mais curioso seria conhecer os resultados de uma alegada sondagem interna de um partido e conhecer qual a personagem local desse partido melhor colocada para concorrer à CM Marco... Seria curioso...
Nuno Pinto a 13 de Março de 2009 às 14:42

Manuela: devo depreender das suas palavras que os políticos não são gente séria e ainda bem?
J.M. Coutinho Ribeiro a 17 de Março de 2009 às 00:31

O facto de haver uma árvore doente na floresta não significa que a floresta não seja saudável Levando o comentário à letra significaria que neste pequeno quintal não há gente séria e honesta. Parece-me completamente despropositada esta generalização. Afinal notícias de situações menos dignas não são, nem um exclusivo da classe politica nem frequentes. Os resultados desportivos do meu clube são tanto mais valorizados quanto mais fortes forem os adversários. Sem adversário não há jogo, logo não há motivo para festejar. Penso assim,
antónio ferreira a 17 de Março de 2009 às 12:10

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