Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
02
Mai 13
publicado por João Monteiro Lima, às 13:45link do post

Alertado por um leitor, vejo que António Santana, meu amigo e colega de blogue, faz referências à minha renúncia ao cargo de deputado, estranhando que tenha abandonado a cargo a 6 meses do final de mandato. António Santana questiona se terei uma agenda diferente da do PCP, relevando o meu afastamento da linha oficial do PCP e expondo a sua curiosidade para saber o que “de tão grave se terá passado para que tenha abandonado o cargo e abandonado os eleitores

Por partes, esclareço os leitores dado que o António Santana já sabe os motivos que me levaram a renunciar ao cargo na Assembleia.

Em Outubro de 2010, decidi apoiar Manuel Alegre nas eleições para PR, o que na minha opinião não traria mal ao mundo. No entanto, alguns funcionários-responsáveis do PCP não pensaram assim e decidiram mandar um representante para me “puxar as orelhas” e me impor uma linha de pensamento. Triste sorte a deles, pois como não me conhecem não sabem que não deixo que outros pensem por mim e depois de repudiar tudo o que tentaram dizer, recambiei o mensageiro aconselhando-o a não continuar com as considerações de índole pessoal que ainda proferiu, sob pena de a coisa azedar mais.

De imediato transmiti ao responsável do PCP Marco, a minha vontade de abandonar a Assembleia e a concelhia, sendo que só o concretizei apenas na estrutura local, mantendo-me na Assembleia, respeitando a vontade dos eleitores que me elegeram, os comunistas e (sobretudo) os não comunistas que votaram na lista que encabecei.De lá para cá, participei apenas numa reunião da concelhia do PCP na qual expus os meus argumentos e transmiti a minha decisão de sair da concelhia. Há quem diga que me auto-excluí, mas não explicam porque não fui convocado para o plenário de militantes do PCP realizado acerca de um ano.

Para adensar o afastamento, no dia 24 de Março, recebi duas chamadas telefónicas, uma de uma autarca do PCP (que deverá ser de novo candidata e que ganhará outra vez se souber elaborar uma boa lista) e outra de uma pessoa próxima do PCP. A gravidade da conversa (no meu ponto de vista) com esta última foi tal que me leve a concluir que terei perdido grande parte da estima que tinha por tal pessoa. Não uso determinados argumentos com quem quer que seja, logo não o admito os utilizem comigo. Seja quem for. Quem respeita quem já cá não está, não os tráz para onde não são chamados, até porque se cá estivessem, estariam de um lado. O meu.

Entrei e saí do PCP por vontade própria, estou de consciência tranquila, nunca estive dentro ou fora conforme era mais interessante

Sobre as agendas do PCP, o António Santana deverá perguntar ao PCP e quanto à minha, o meu amigo não tem com que se preocupar, pois aquela pergunta me leva a crer que está preocupado com algo que não diz. Mas poderia retribuir a pergunta sobre a agenda do meu amigo, tem o António Santana alguma agenda que o leve a estar preocupado com eventuais agendas alheias?

Esclareço o meu amigo António Santana que o meu abandono da Assembleia não se traduz num afastamento da participação política e cívica e menos ainda traduz um abandono aos meus eleitores. A participação política continuarei a exercê-la sempre que entenda (tal como o fiz na última Assembleia, embora a minha participação tenha provocado algum prurido em alguns responsáveis do concelho, tal eram as preocupações que por diversas vias me iam transmitindo), a participação cívica continuará inalterada também.

A minha decisão de abandonar a Assembleia foi tomada atendendo também aos eleitores que me confiaram o voto, por um lado os comunistas ou dessa área que terão agora uma nova ideia do que é o funcionamento do PCP ou de pelo menos algumas pessoas do PCP, e por outro, os eleitores que não sendo do PCP confiaram o voto na lista que liderei, pois a confiança que depositaram em mim foi baseada no reconhecimento de um trabalho que iniciei em 2005 e também por acreditarem que nunca delegaria noutras pessoas que pensassem por mim.

António Santana anda curioso e talvez, em breve, se perceba porquê, mas não o vi com tanta curiosidade quando o ex-vice Presidente da Câmara, depois de ter saído do executivo para a Assembleia, renunciou ao cargo de deputado.

E também não o vi curioso para tentar perceber o porquê da “despedida” de Carla Babo

Nem sobre a escolha de Luís Vales para o lugar da actual vereadora.

Nem o vi preocupado com os motivos que levam a que hoje seja perceptível que a concelhia do partido pelo qual foi eleito não tenha (aparentemente) qualquer peso na escolha dos candidatos que vão sendo conhecidos.

Mas lá está, a curiosidade é a curiosidade, e não temos que ser curiosos em tudo


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