Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
06
Jan 09
publicado por José Carlos Pereira, às 12:50link do post | comentar

O vereador José Mota (PSD) escreveu-nos para também recordar algumas memórias e para mostrar que continua empenhado e preocupado com a sua, e nossa, terra:

 

Caro Zé Carlos,
Ao saber desta presença na blogosfera, "aventura" para a qual não me reconheço qualidades, vim espreitar e confesso que senti um arrepio quando li as tuas palavras sobre os passados anos 83. Já passou um quarto de século e é isso que nos faz velhos!
Lembro bem essa aventura eleitoral de 82 e 83. Pela minha parte, aqueles primeiros anos da década de 80 foram duma intensidade extrema.
Embora já andasse pelas fileiras da JSD há mais tempo, foi também após a morte de Sá Carneiro que, de forma mais assumida, me comprometi com estas coisas da política. O facto, inicialmente triste, de ter ficado um ano à espera para entrar na Universidade, permitiu-me participar de forma mais activa na politica local nesse período de 82-83. Mas, por altura da campanha eleitoral de 83, já estava eu de partida para uma temporada na "capital do reino", por onde me deixei andar quase uma década.
Depois voltei ao Marco e, uns anos mais tarde, voltamos a abraçar um projecto comum.
Agora, pelas funções que exerço, entendo não dever "comentar" (como eu entendo a posição resguardada que pretendes manter sobre o actual momento que se vive no PS Marco) a vida politica do Marco.
Fica aqui apenas esta mensagem, que também é para o Cristiano (outro daquele período tão especial).
Independentemente dos percursos mais ou menos próximos, mais ou menos coincidentes, sou dos que acredita que há valores pelos quais vale a pena lutar e em torno dos quais vale a pena juntar vontades.
Acho que a nossa terra merece que a pensemos, que a protejamos e que a promovamos. Quanto mais me apercebo das afrontas que lhe fazem, principalmente dos que, estando de fora, a usam a seu belo prazer, numa base de bem descartável, mais vontade sinto de continuar.
Um grande abraço
Zé António
 
P.S. como não me entendo com estas "modernices" dos blogues e dos comentários, envio a mensagem por correio electrónico

 


José Mota é um amigo de longa data e ficou tocado por lembranças antigas. No início dos anos 80, estivemos juntos na Direcção da Associação de Estudantes da Secundária, fui seu vice-presidente na concelhia da JSD e acabei por lhe suceder na liderança deste órgão. Participámos juntos em reuniões “históricas” do PSD local. Depois, as vidas universitárias levaram-nos para sítios distantes e fizemos caminhadas diferentes – José Mota afirmou-se como um dos mais destacados dirigentes do PSD/Marco e eu tornei-me naquilo que alguns apodam de “independente próximo do PS”, seja lá isso o que for.
Reencontrámo-nos no mesmo lado da barricada na candidatura de Coutinho Ribeiro, em 2005, tendo como foco a luta essencial que era necessário travar. José Mota mais organizador e institucional. Eu mais livre e totalmente independente face ao partido que suportou a candidatura. Dadas as circunstâncias, ambos demos o melhor contributo que pudemos, como o Coutinho Ribeiro reconhecerá.
Desde 2005 que voltamos a ser adversários, mas sempre numa relação de total cordialidade e de respeito mútuo. Entendo de há muito que só respeitamos os nossos amigos se compreendermos que as relações de amizade não podem pôr em risco a independência, a verticalidade e a seriedade, tão necessárias na acção política.
Um abraço, Zé
José Carlos Pereira a 6 de Janeiro de 2009 às 12:52

Reconheço, sim, senhor.
Abraço aos dois.

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