Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Abr 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 17:48link do post | comentar

Tal como suspeitava, o ataque de Norberto Soares a Manuel Moreira caiu bem entre os seus apoiantes mais afoitos, a avaliar pelos comentários deixados por Nuno Pinto e Augusto Soares. Mas também é verdade que já recebi sinais, de quem está na expectativa, de que o ataque causou alguma perplexidade.

A Augusto Soares já respondi aos seus apelos de calma, dizendo-lhe que calma, por cá, é o que não falta. Mais difícil é a resposta a Nuno Pinto, que diz que não percebe o meu comentário, nem vê qualquer violência nas palavras de Norberto Soares.

Começando pelo princípio.

O que estranhei foi que o texto que abre as hostilidades tenha partido de Norberto Soares. E estranhei, porque não conhecia esta faceta de NS. Ela existe, porém, como se revela no texto. O que demonstra que nem sempre conhecemos tão bem as pessoas quanto julgamos. E isto está longe de ser uma crítica - trata-se apenas da constatação de um facto. Insisto, por isso: o tom do texto casa mal com o que conheço da personalidade de Norberto Soares. Como, certamente, se estranharia que eu, se fosse candidato, deixasse de responder à letra aos ataques pessoais, como aqueles de que fui vítima, por parte de Ferreira Torres, em 2001. Cada um é como é. E nem sequer estou para aqui a dizer que os outros devem ser como eu. Só que há imagens que se constroem e quando se foge delas o resultado é imprevisível.

Estou em completo desacordo com Nuno Pinto quando diz que o texto não é violento. É-o e muito. Se bem repararmos, não estamos perante um ataque político estrito. Resvala para o ataque pessoal, que visa o carácter de um adversário. O carácter. A falta de ética. A falta de vergonha.

E com tudo isto - repito - não estou a discutir se o que relata NS no seu texto é verdadeiro ou não. Porque não é isso o que está em causa nos meus comentários.

 


Não Meu Caro, não conseguiu explicar melhor. Mas com certeza é a minha parcialidade que não me deixa ver mais longe, limitações que fazer... Respeito claro a sua opinião, só não consigo entender que num caso que considera de tão 'violento' se focalize a atenção na forma, esquecendo que o mais importante seria comprovar a veracidade do que foi escrito (que ainda não vi refutado), que a ser confirmado é de facto grave em termos políticos , pessoais ou como os queira catalogar... Mas isso serão minudências e que parecem desvanecer-se na importante demanda sobre a forma/tipologia/autoria (e outras que tais) do que foi escrito. Nisso discordámos.
Nuno Pinto a 2 de Abril de 2009 às 19:20

Caro Nuno Pinto:
Reconheço a minha incapacidade para lhe explicar melhor :-) Logo, aceito a sua própria sugestão de que é a sua parcialidade que dificulta a comunicação. A parcialidade tem destas coisas...
Se bem reparar, eu não questionei a verdade das afirmações. E também não deixei de dizer que, a serem verdadeiras, são atitudes graves.
Eu estava a tentar evitar dizê-lo, para não lançar achas para a fogueira. Mas já que insistem, posso até dizer que os actos imputados a MM podem constituir crime, seja de ameaça, coacção ou de peculato de uso. Por isso os considerei graves.
Mas também o texto de NS está no limite entre o lícito e o ilíciito, ainda que a jurisprudência nestes casos de pugna eleitoral costume ser um bocado condescendente. NO que se refere à forma, foi isso o que estranhei em NS.

Meu Caro eu não sou responsável pelo que foi escrito, nem sou eu que tenho de comprovar a sua veracidade. As responsabilidades a quem as tem. Mas o meu comentário anterior teve o condão de pela primeira vez colocar o Meu Caro a referir-se à 'matéria de facto' - é esta a linguagem jurídica não é ? :-) - e às suas implicações politicas ou até jurídicas. Assim já nos entendemos.
Nuno Pinto a 2 de Abril de 2009 às 19:52

Concordo com Coutinho Ribeiro. O texto em questão é violento. E como entra no campo pessoal torna-o ainda mais grave.
Há pouco tempo, na AM , José Carlos Pereira apelava à serenidade e elevação no debate (que se quer) político que temos pela frente, mas por este andar não será muito fácil.
Do pouco que conheço de Norberto Soares não esperava que estes ataques partissem dele. Estas reacções esbarram com a imagem que NS transmite (cordato e respeitador), colidindo até com a demarcação que tenta fazer com tempos idos. Os tempos em que os ataques pessoais eram mais importantes do que a discussão política.
Mas estaremos só o debate for desta espécie.
João Monteiro Lima a 2 de Abril de 2009 às 19:21

Pronto. Também o João Lima estranha e considera o texto violento. E é uma opinião, no caso, imparcial porque não contende com as suas opções políticas.

Considero a opinião do Meu Caro e não menos a do João, assim é a democracia. Para mim um texto é violento principalmente quando alicerçado em mentiras, de outra forma esta discussão não leva a lado nenhum, é 'chover no molhado'... Falta saber onde está a verdade e a mentira. Isso sim é o cerne da questão...

Insisto, Nuno Pinto: é importante saber se são verdadeiros os factos imputados a MM por NS. Por todas as razões: em primeiro lugar, porque se trata de alegada utilização abusiva de bens do Município; depois, porque a não veracidade desses factos tornaria o ataque inexplicável.
Mas também insisto: a forma como o ataque foi desencadeado estranhou-me, porque não esperava este estilo de NS.
Repare bem: quando a artilharia torrista começar a cair sobre NS - porque vai cair, só não sei é quando -, as pessoas não vão reagir com aquele tom de indignação que seria de esperar em relação ao cordato NS. Nessa altura, seja injusto ou não, vão recordar o tom com que NS se dirigiu a MM e não vão ficar indignadas.
No fundo, acho que NS alienou um trunfo que tinha: o ser cordato.

Diz o Nuno Pinto que ainda não leu uma resposta ao que foi escrito por Norberto Soares. E diz bem, pois eu também não li. Mas também admito que o presidente da Câmara tenha mais que fazer do que responder a um candidato, pelo menos, num blogue.
Admito que a resposta de Manuel Moreira não venha a ser conhecida publicamente e que o mesmo venha a responder a NS noutro local que não a blogoesfera.
Penso que o debate não fica melhor com este género de ataque pessoal. Ganhavamos todos muito mais se o debate fosse sobre questões importantes para o concelho.
Gostava mais de saber se NS (e os outros candidatos) concorda(m) ou não com o contrato da àgua, da recolha do lixo, com a carta educativa, o que fariam com o processo do cine-teatro, onde fariam o centro escolar projectado para o campo do Lapoceiro, se concordam com as bandeiras colocadas pelo executivo, se em debate de orçamento municipal ouviriam os restantes partidos tal como estipula a lei, etc.
João Monteiro Lima a 2 de Abril de 2009 às 20:03

João:
Quando disse que Manuel Moreira tem de responder, também não estava à espera que ele o fizesse via blogue. Mas continuo a achar que deve responder, sob pena de se achar que quem cala consente, designadamente quanto aos factos imputados.

Concordo. E fico na expectativa para ver a resposta de Manuel Moreira. A próxima reunião do executivo promete...

Dá-me a sensacao que tanto o Coutinho Ribeiro como o Jose Carlos estao peladinhos por uma "guerrinha" entre Norberto Soares e Manuel Moreira.
Na opiniao deles, Norberto sabia que MM lhe andava a "roubar" os presidentes de junta com falsas promessas e devia ficar calado.
Esta opiniao e ainda mais grave quando se sabe que Gil Mendes fez uma acusacao ainda mais grave a Avelino Ferreira Torres e dentro do mesmo estilo e nessa altura todos aplaudiram.
O mal de alguns politicos do Marco e que perdem tempo com coisas pouco importantes e optam sempre pelo caminho do nao me toques que desafino" e deixam o mais importante fora da discussao. A realidade do Marco e diferente.
Talvez por causa disso, AFT fez o que quis e lhe apeteceu durante mais de 20 anos e os que o acusavam de arrogancia ficaram sempre em segundissimo plano.
Ca por mim, aplaudo Norberto Soares. So nestes dois dias teve mais audiencia que no resto dos dias de campanha.
Por outro lado, condena se Norberto por ser educado demais e depois tambem se condena se for agressivo. Talvez desse mais jeito era cala lo.

PS: Desculpem a pontuacao porque estou em Londres e os teclados dos computadores por cá sao assim mesmo.


Manuela a 2 de Abril de 2009 às 22:34

Uma lição de política vinda do lado de lá do Canal da Mancha é sempre bem-vinda! Anda-se sempre a aprender.

Não quero guerrinha entre ninguém. Quero ideias, convicção, projectos, clarificação. Se é este o caminho de Norberto Soares, é bom ficar a sabê-lo. Gostava, sim, que ninguém quisesse ser mais Ferreira Torres do que o próprio Ferreira Torres.


Estou de total acordo com o post. Porém Marco de Canaveses é uma realidade um pouco diferente, á bastantes anos que as campanhas não são digamos normais, há um clima de pressão, em que fomos habituados a ouvir de tudo em comícios, tudo e mais alguma coisa, desde ataques pessoais, entre outros, e em que os argumentos politicamente válidos eram escassos, o que no meu ponto de vista é muito mau.
Indo por este andar, penso que o regresso de um senhor, vem a "dobrar" se me percebem.
Sim acho vergonhoso, usar ataques pessoais, muito feio, penso que os adversários deviam ter mais respeito uns pelos outros e fazer uma campanha "limpa" porque no Marco de Canaveses, qualquer coisa é motivo de exagero, vejam o senhor já anda de carro há 4 anos e hoje ainda é criticado por isso lamentavelmente será sempre, será que não existem mais argumentos para pegar?
DM a 3 de Abril de 2009 às 01:36

Sim, sim, o tal senhor agradece e de que maneira. Basta ler os seus porta-voz...

Quanto ao carro, eu tive oportunidade avisar o utente de que ia ser assim, ainda ele não andava nele..

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