Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
15
Abr 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 13:08link do post | comentar

Concordo com José Carlos Pereira (post abaixo): objectivamente, os textos de apresentação das figuras que acompanham Norberto Soares são fraquitos. Mas não tenho tantas certezas de que não sejam eficazes.

(Do mesmo modo que não tenho a certeza de que os cartazes de Ferreira Torres - que são medonhos - não sejam eficazes.)

Os textos em causa inserem-se num estilo muito amador, que tem marcado a forma amadora de NS estar na política, que mais assemelha a sua candidatura a uma candidatura de Junta de Freguesia.

Creio, contudo, que este é - com o tom paroquial e a ajuda dos padres - o grande trunfo eleitoral de Norberto Soares. Dai que tenha estranhado sua disponibilidade para uma candidatura - "profissionalizada" - pelo PS; daí que tenha estranhado o tom demasiado duro do seu ataque recente a Manuel Moreira.

Se fugir deste registo que é a sua imagem, NS não tem nada a ganhar e terá muito a perder.

Era como se, por exemplo, Manuel Moreira começasse a ser, agora, uma pessoa menos enfatuada e começasse a usar jeans e a fralda de fora. Todos sabemos que foi por ser enfatuado que deslumbrou os marcuenses e ganhou as eleições.

(A iniciativa de NS de fazer reuniões para discutir matérias sectoriais parece-me bastante boa. Ainda que possam não sair de lá grandes ideias, tem a vantagem de envolver as pessoas num projecto comum).


Caro Coutinho Ribeiro, parece-me que desta vez estavas pouco inspirado quando escreveste este texto, isto, para além do muito mau gosto ao ilustrares um post sobre Norberto Soares, com uma imagem que me parece corresponder a uma qualquer desconhecida confraria e dares-lhe o título que deste.
Nunca ouvi em qualquer discurso de Norberto Soares qualquer alusão a religiões ou padres (quem costuma andar com um clérigo atrelado não é ele) nem tão pouco é usual que o faça sequer entre amigos.
Quanto à falta de profissionalismo na política considero isso um elogio e espero que o Norberto também. Se ser profissional da política é utilizar discursos agressivos, insultuosos e mentirosos, nunca ter feito outra coisa na vida para além de andar colado a um ou mais partidos, nunca ter exercido qualquer profissão nem se lhe conhecer habilitações para tal, ele não é, mesmo profissional da política. Contudo o seu currículo profissional é invejável. A par dos diversos cargos que já exerceu, desenvolveu uma carreira empresarial que está à vista de qualquer um. Pediu a demissão do cargo de director que exercia num laboratório de renome internacional, para ocupar o cargo de vereador e quando, mais tarde, regressou a essa actividade, não lhe faltaram convites e hoje, exerce o mesmo cargo de director noutro grande laboratório. Achas que é porque tem falta de profissionalismo? Não me parece, estas multinacionais não brincam com estas coisas. E muito menos é por ser católico praticante assumido, não te parece? Ele possui capacidade de trabalho, espírito de liderança, inteligência e humildade, características que me parecem suficientes para garantir um bom desempenho em qualquer cargo, público ou privado.
Quanto a achares que das reuniões de trabalho que estão a realizar não deverão sair grandes ideias é a tua opinião mas antes de opinares deverias falar com quem lá esteve. É como se chamasses incompetentes a 80 pessoas ao mesmo tempo e podes crer que estás completamente errado, apareceram grandes e boas ideias e que serão as eleitas pelos Marcoenses para nortearem o nosso Concelho nos próximos 4 anos.
Maria Helena a 15 de Abril de 2009 às 15:09

Vamos por partes:
1. Dizer que a campanha de NS revela algum amadorismo é, efectivamente, um elogio. E mais: resulta do meu texto que entendo que esse é um trunfo de NS.
2. Não digo em lado nenhum que NS anda atrelado aos padres. O que digo - porque mo dizem - é que é bem visto entre a classe. O que também é um importante trunfo eleitoral, embora eu goste pouco de ver este tipo de misturas (de que NS certamente não tem, culpa);
3. Em lado nenhum aludo ao percurso profissional de NS. O que sei dele é o que me contam pessoas que trabalham com ele e dizem-me bem;
4. Quanto à ilustração: num blogue local sobre política os protagonistas são sempre os mesmos. Logo, ou não se ilustram os postais (como fa JCP), ou tem de haver alguma criatividade artística, sob pena de se estar sempre a repetir fotos. Eu opto pela via da criativiodade artística: umas vezes é mais conseguida, outras nem tanto.
5. Eu não disse que as reuniões sectoriais não dão boas ideias. O que eu disse é que mesmo que não dêem (é difícil quando o grupo de pessoas é tão alargado) são uma boa iniciativa, porque envolve as pessoas.
Abraço. E volta sempre.

Claro que volto e agradeço a rapidez com que respondeste pois sei que deves estar numa corrida acelerada para chegares a horas ao Dragão. Apesar de Benfiquista (mais um defeito, vão dizer) desejo toda a sorte do mundo ao teu FCP.
Maria Helena a 15 de Abril de 2009 às 18:09

Realmente não costumo ser tão rápido a responder. Pelo menos durante o dia. Mas calhou...
(Não correu bem com o FCP...)

Se me permite, discordo da forma como avalia a candidatura de Norberto Soares em relação à pobreza dos textos e ao tal amadorismo.
Norberto Soares parece conhecer, muito melhor que Coutinho Ribeiro, o concelho do Marco e, como tal, escreve ou manda escrever textos curtos e ligeiros para que a mensagem chegue ao seu destino. O Marco de Canaveses não é um espaço de grande nobreza e de grandes intelectuais. Esses existem, mas numa minoria e no seio desta minoria são mais os pseudo intelectuais, que os verdadeiros; os legítimos.
Como deve entender, porque o considero um homem inteligente, seria fácil encomendar grandes textos, coisas bonitas, cheios de frases “caras” e que a maioria dos marcuenses não entenderia e nem se quer leria. Norberto deu prioridade à simplicidade, ao povo, recusando esconder-se atrás de frases que não dizem nada e que na maior parte das vezes apenas alimentam o ego de quem as escreve.
Uma campanha política não é a mesma coisa que escrever um romance e nas mensagens que Norberto tem deixado, pelo menos o povo entende-as e pelos vistos o resultado nem tem sido tão mau: afinal Norberto Soares já ganhou por duas vezes, com maioria absoluta, a junta de freguesia de Soalhães, e nas última autárquicas quase chegou aos 32%.
O Coutinho Ribeiro que até escreve muito bem e teve em 2001 uma campanha super profissionalizada só chegou aos 16%, porque se calhar esqueceu-se de falar a mesma linguagem do povo e este não entendeu a sua mensagem.
Quanto ao panegírico citado por José Carlos, terei que dizer que tanto Duarte Menezes com Cláudio Ferreira, ficaram muito aquém dos vossos insistentes conselhos e análises que mais parecem vindos de quem sabe tudo, raramente tem dúvidas e nunca se engana.
Manuela a 15 de Abril de 2009 às 19:59

Cara Manuela (Castanheira, não é?), Coutinho Ribeiro falará sobre o assunto com maior propriedade, mas denominar a sua campanha de 2001, em que também estive envolvido, como super profissionalizada só pode ser uma piada. Se questionar quem participou nessa campanha, verá que todos se rebolarão a rir. Essa campanha - geracional, motivada, generosa - foi tudo menos profissional. Foi até onde a deixaram, com os diminutos meios possíveis.
Se nos ler com atenção, verá que aqui não há quem saiba tudo, raramente tenha dúvidas e nunca se engane. Procuramos lançar ideias, reflectir, criar debate político. Claro que temos as nossas convicções e elas são tão válidas como as de outras pessoas com informação e interesse pela coisa pública.

Cara Manuela:
Aceito todas as críticas, menos uma: a de dizer que em 2001 tive uma campanha superprofissionalizada.
Aquela campanha elitoral foi a mais barata e mais amadora de que há memória no Marco. Não tive meios, nem partido. Com a agravante de que o PSD nem sequer tinha concorrido na eleição anterior.
A única coisa que foi profissional foram os cartazes. Tudo o mais foi voto a voto. Pergunte a NS que até ele pode confirmar.
Volte sempre.

Meu Caro, não me apetece voltar à discussão de sempre em volta de NS ('preso por ter cão e preso por não ter') e visto que a minha parcialidade é por aqui bem conhecida apraz-me apenas dizer que estive presente na primeira dessas reuniões de trabalho de NS e digo-lhe que se o Meu Caro lá estivesse estado estou certo não escreveria o que escreveu, acredite. Não sabe com certeza a forma aberta como lá se debateram os temas em questão, não sabe não... Se pensa que sabe, porque alguém lho disse, anda com certeza mal informado. Quanto ao resto verifico que persiste em valorizar a forma e não o conteúdo, seja na apresentação de candidatos ou de propostas politicas para o Marco de Canaveses... Opções legitimas do Meu Caro mas das quais discordo em absoluto, como já aqui bastamente referi.
Nuno Pinto a 16 de Abril de 2009 às 00:36

Caríssimo:
Desde logo: não sei o que se passou nessa reunião, para além do que li no blogue.
Depois, para repetir: não disse que de lá não tinham saído boas ideias - disse apenas que, ainda que não saissem boas ideias, seria sempre uma boa iniciativa. Não teimem em ler o que eu não escrevo.
Por outro lado: uma forma pouco adequada de comunicar pode estragar o melhor dos conteúdos.

Meu caro, a adequação da forma tem muito a ver com a mensagem a transmitir e com receptor da mesma. Não vejo mal nenhum nisso se for feito de forma genuína , o que me parece o caso. Como apoiante de NS , mesmo respeitando muito a opinião dos Meus Caros, não fico nada preocupado que apelidem os ditos textos em 'tom panegírico' de 'fraquitos'... Preocupa-me bem mais saber se os candidatos tem capacidade para os cargos a que se propõem , isso sim é relevante, o resto são 'minudências' em forma de post .
Nuno Pinto a 16 de Abril de 2009 às 12:35

Caro Nuno Pinto:
Quem não priva com as pessoas em causa, fica a conhecê-los do que está escrito. Por isso é que a forma da mensagem é tão importante para quem lê.
Porque não conheço as pessoas, não tenho a menor ideia sobre a sua competência e capacidade para ocupar os cargos a que se propõem. Logo, dou alguma importância ao que escrevem.
Tudo isto, sem embargo de repetir que até pode ser um meio eficaz.

Meu Caro por outro lado conhecerá bem o 'curriculo' de alguns dos propostos ou 'supostos' candidatos de outros quadrantes. O 'mal' de uns não faz os outros melhores, sei bem disso. Mas pelo menos aos candidatos apresentados já apresentados por Norberto Soares poderá ser dado o beneficio da dúvida inicial, já a outros custa muito a acreditar que o Meu Caro dê essa 'abébia'.

Lá iremos, lá iremos... Ainda não vi ninguém confirmado do outro lado...

Confirmações à parte saberá bem quem é o nº 2 de AFT ... E quem se alvitra como candidato (a que lugar não sei) na candidatura de MM. Sabe com certeza. É disso que falo. Confirmações? Ok, aguardemos pois pacientemente por elas (e pela reacção do Meu Caro às mesmas), porque essas sim já sabemos ao que vêm.
Nuno Pinto a 17 de Abril de 2009 às 10:39

Histórias vaticanas "

O Jornal (?) "Tribuna Livre" publicava, no seu último número, em destaque, a notícia de uma deslocação de Ferreira Torres ao Vaticano.
Lido o desenvolvimento da notícia (?) , percebe-se que o cidadão em questão vai, como muitas centenas de portugueses, por sua iniciativa, enquanto cidadão, assistir ás cerimónias de canonização de Nuno Alvares Pereira..
Portanto, ao contrário do que o título da notícia prenunciava ou fazia esperar, vai anónimo, não vai ser recebido pelo Papa, etc ; aliás, a forma correcta de noticiar seria "vai á Praça de S. Pedro, em Roma", pois o termo "Vaticano" (ou "Santa Sé") aplica-se a um Estado minúsculo, só usado em termos diplomáticos/institucionais ou de relações internacionais, ou, então, precedido de um substantivo esclarecedor (por exemplo, "Museus do Vaticano"...).
A leitura da dita notícia (?) fez-me voltar atrás no tempo ( tipo "História ao vivo"...), quase 40 anos, quando os jormais locais, do tempo do Estado Novo, continham, com frequência, notícias do tipo "Para merecidas férias, partiu para a praia de Moledo, acompanhado pela extremosa esposa, os simpáticos 5 filhos e criadagem necessária, o ilustre comerciante da nossa praça, Senhor....", ou "Regressou de férias, em Roma, onde, também,assistiu á benção papal dominical, o ilustre Notário deste Concelho, Doutor..., que vacacionou acompanhado da sua diligente Mãe e da extemosa Esposa; os filhos permaneceram entre nós, a cargo da afectuosa Tia D. ....".
O Jornal (?) "Tribuna Livre" retoma essa tradição, mas com honras de grande destaque em relação a uma viagem "vacacional" (de férias) de um cidadão, enquanto tal.

Cruzo essa notícia com o conteúdo de alguns posts, que li no "Marco 2009", onde se refere a pretensa e suposta simpatia de alguns sacerdotes/párocos locais, pelo cidadão Norberto Soares, enquanto candidato a Presidente da Câmara.
Isso leva-me a um segundo momento de "História ao vivo" ou de regresso ao passado : a confessionalização das candidaturas, ou seja, a busca, no caso de Ferrreira Torres, evidente, e de Norberto Soares, induzida, de sintomas de apoio (ainda que pessoal, pois os sacerdotes são cidadãos, logo, opinam) "católico".

Julgava eu que este tipo de posturas estava ultrapassado. Que nenhum candidato tinha, já, de publicitar (ou outros por ele) que ia a Roma "ver o Papa" ou que era "católico praticante" ou "benfiquista praticante"...; julgava eu que bastava defender ideias e soluções para o Concelho e ter uma vida e experiência cívica conhecidas ou demonstráveis. Pensava eu que as opções pessoais que implicam Fé (ou seja, adesão pessoal a uma entidade transcendente ou julgada como tal) eram do foro privado e não utilizadas como "emblema" manipulador dos outros restantes seguidores dese tipo de Fé.

Lembrei-me logo, do Jornal do tempo do Estado Novo, ("Novidades") que, em 1970, escrevia, na sua capa de Agosto (está no Museu da Resistência), "Portugal Católico reza por Salazar", ou, num outro número (cuja data não fixei), aquando da inauguração da estátua do Cristo-Rei de Almada : "Cardeal Cerejeira : o Anjo do Estado Novo".

Isto (sem ofensa a quem quer que seja, sublinho e esclareço) para não referir que, pela mesma razão, os grandes "capos" das Mafias sicilianas frequentavam, com suas famílias, com toda a pompa, as Missas dominicais (veja-se a trilogia "O Padrinho", mormento o III). Isto depois de, na véspera, talvez, terem cometidos actos criminosos pouco "santos"...

De facto, a política marcoense (ou "marcuense", não sei o termo correcto...) asssemelha-se, muito, a "História ao vivo".
Por isso, acredito, espero (e, como tal, vou trabalhar para isso...) que um novo ciclo, limpo destes bafientos passados, possa ter início.
E isto já não vai lá só com "mudança tranquila". Urge, já, uma "ruptura democrática".
Abel Maria Simões Ribeiro a 17 de Abril de 2009 às 14:57

Caro Abel M. S. Ribeiro:
Tenho dúvidas de que alguém, num concelho como o Marco, consiga ganhar eleições sem apoio dos padres. E também há alguns padres que estão mais preocupados com a contabilidade eleitoral do que com a sanidade das almas do seu rebanho. É pena, mas é assim.

Tal como Abel Ribeiro, também, acho que o grave erro do Marco recente foi a propalada «mudança tranquila», essa coisa de meias-tintas que deixou tudo na mesma, que é o que normalmente acontece quando se quer agradar a todos. Introduziu-se mais respeito pelas oposiçõese, é certo, mas não basta. Sobretudo quando esse respeito é mais institucional do que real.
O Marco perdeu a sua oportunidade de fazer rupturas, que eram bem necessárias. Agora, talvez já não vá a tempo e talvez nem tenha os protagonistas adequados.

cuidado que os norbertistas andam ai, e aflitos! :-)
mario machado ribeiro marcoense a 17 de Abril de 2009 às 20:50

Aflitos? Com quê?

Norbertistas?!! Aflitos?!! Isto há com cada um... Nisto dos comentários a posts é sempre mais fácil ser engraçado do que cair em graça.
Nuno Pinto a 18 de Abril de 2009 às 00:26

pesquisar neste blog
 
blogs SAPO