Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
16
Abr 09
publicado por José Carlos Pereira, às 20:30link do post | comentar

Anunciei neste post que começaria em Abril a lançar algumas ideias e propostas para o debate autárquico, a partir das reflexões que fiz nas minhas participações em candidaturas anteriores e da minha visão para o desenvolvimento do concelho. Em tempos de crise, começo pela área económica.

 

ECONOMIA

 

A Câmara Municipal deve ser um agente facilitador da actividade económica e um parceiro activo dos empresários e dos investidores na criação de emprego mais qualificado e na reintegração sócio-profissional das pessoas que se encontram desempregadas, contribuindo para uma maior coesão social. Em tempos de crise como aqueles que vivemos, a Câmara deve acompanhar de muito perto a acção desenvolvida pelo Centro de Emprego e pelos serviços da Segurança Social, exercendo uma vigilância activa sobre esses serviços do Estado em nome dos cidadãos.

É fundamental potenciar os nichos de excelência que já existem na indústria marcoense, promovendo-os dentro e fora do país, e criar condições para atrair novas indústrias de base tecnológica, de modo a aumentar a empregabilidade do concelho e a promover o desenvolvimento sustentado. 

A autarquia deve procurar aproveitar as oportunidades abertas pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional no domínio do acolhimento empresarial, designadamente os meios disponibilizados pelo Programa Operacional Regional do Norte. Quem hoje visita a zona industrial da cidade não pode deixar de se sentir constrangido e de lamentar as oportunidades que têm sido sucessivamente desperdiçadas. Muitos municípios já há muito perceberam que os projectos de fomento empresarial são um instrumento decisivo para atrair empresas e investimentos, fixar quadros, criar empregos e melhorar o nível de vida das populações, contribuindo significativamente para a prosperidade económica e para o desenvolvimento desses concelhos. 

As áreas de localização empresarial, agora enquadradas pelo recente decreto-lei 72/2009, devem ser projectos direccionados para dar resposta às necessidades das empresas, apoiados por uma gestão integrada e pela oferta alargada de equipamentos sociais e serviços de apoio, designadamente formação, consultoria técnica especializada e apoios à internacionalização. Quando estes empreendimentos são convenientemente infra-estruturados, bem promovidos e comercializados, tirando partido das acessibilidades, das mais-valias ambientais, dos recursos humanos qualificados e da relação preço/qualidade dos terrenos, estão encontrados os elementos diferenciadores que permitem criar uma vantagem competitiva para um concelho ou uma região.

A Associação Empresarial do Marco deve ser um parceiro activo na definição da política de acolhimento empresarial e de fomento do emprego. A Câmara Municipal deve manter um diálogo próximo com os representantes das principais indústrias do concelho, mantendo uma antena permanente para auscultação dos seus problemas e dos seus constrangimentos, visando a procura de soluções de interesse comum. 

O comércio e a agricultura, enquanto actividades económicas, não podem ser negligenciados. A revitalização do comércio tradicional e o estímulo à agricultura, nomeadamente através de uma colaboração empenhada com a Cooperativa Agrícola e com a Adega Cooperativa e da promoção dos produtos regionais, devem fazer parte dos objectivos da autarquia.


A minha mãe é comerciante no Marco há quase 30 anos, mas temo que nos próximos tempos seja forçada a fechar pois o Marco está ao abandono.
É verdade que a crise tem influência pois as pessoas não têm dinheiro para fazer compras, mas se olharmos para o centro, vê-se que desde o cruzamento dos antigos correios até ao fechado D. Carlos, existem várias lojas fechadas e algumas em estado muito mau (antiga loja do Foto Carneiro) e ainda vai ficar pior com a saída da Caixa Geral de Depósitos para a Rua Amália Rodrigues. Não existe no Marco nenhum espaço comercial que chame gente (tirando talvez os Gémeos Ferreira) e assim as pessoas cada vez mais fazem as suas compras em Penafiel, Baião e claro Porto.
Era preciso criar alternativas para atrais as pessoas, quer de outras cidades, mas pelo menos para manter os marcoenses.

Miguel Monteiro
Miguel Monteiro a 17 de Abril de 2009 às 08:57

O que diz é totalmente certo. A "baixa" do Marco está desertificada e os empresários pagam por isso. É uma pena o que se passa com o D. Carlos ou com o Palladium , por exemplo. Dois espaços com história e que estão encerrados e abandonados. Fazem falta, sobretudo o primeiro, porque foi uma âncora da movimentação da vila/cidade durante muitos anos. E há muitas mais lojas encerradas no corredor das ruas Sá Carneiro e Gago Coutinho.
Sei que a Câmara apresentou um projecto de regeneração urbana do centro da cidade e aguarda pela sua aprovação. Não conheço detalhes, mas espero que contribua para criar outra atractividade no centro da cidade. Talvez Cláudio Ferreira, que comenta abaixo, e a Câmara nos queiram elucidar aqui sobre o que está previsto para essa área.

Caro José Carlos Pereira,

Em Novembro de 2008, a AEMarco apresentou um estudo de levantamento e caracterização do tecido empresarial instalado no concelho, que teve como objectivo de, por um lado, conhecer de forma mais precisa e detalhada a actividade empresarial existente na sua área de actuação bem como as principais dinâmicas empresariais instaladas e emergentes e, por outro lado, contribuir para o reforço da sua capacidade de intervenção, através do estabelecimento de um quadro de orientações estratégicas para o desenvolvimento empresarial do Marco de Canaveses.

Tenho publicado as conclusões/orientações desse estudo no jornal da AEMarco, e o mesmo já foi feito no Jornal a Verdade.
É um trabalho, na minha opinião, muito importante, e a prova disso é que vários empresários (fora e dentro do concelho) nos têm solicitado informações mais pormenorizadas.

Sempre defendi que, a AEMarco, é um interlocutor privilegiado e credível entre os diversos actores da economia local, que pode e deve desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento empresarial do concelho.

Concordo consigo no que disse, e neste trabalho também refere que “Essas orientações são sempre direccionadas ao desenvolvimento do tecido empresarial do concelho, embora por vezes configurem sugestões indirectas, entendidas como sendo relevantes para uma estratégica concelhia que depende, em grande parte, de instituições públicas e/ou privadas”.

Cláudio Ferreira
Cláudio Ferreira a 17 de Abril de 2009 às 09:39

A AEMarco deve ter um papel relevante na estratégia de desenvolvimento empresarial do concelho. Se me permite um reparo, e sem querer imiscuir-me nas decisões soberanas dos seus associados e dirigentes, talvez a AEMarco beneficiasse com um menor envolvimento político-partidário, designadamente dos seus presidente e secretário-geral. Não são as respectivas qualidades pessoais que estão em causa, mas sim as leituras que facilmente se retiram de atitudes ou tomadas de posição enquanto responsáveis associativos.

pesquisar neste blog
 
blogs SAPO