Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
07
Jan 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Já por aqui me fui referindo à actividade política que desenvolvi na primeira metade dos anos 80. Contudo, entre a saída da liderança da JSD/Marco, logo no início de 84, e a entrega do cartão de militante, em meados de 1987, ainda há alguns factos curiosos que vale a pena assinalar.

Em 1985, já desligado de quaisquer funções dirigentes, participei activamente na quixotesca candidatura de Aniceto Costa à presidência da Câmara, um homem que merecia ser recordado pelos democratas marcoenses. Digo quixotesca porque os meios, tanto humanos como materiais, eram tão escassos que, pese embora toda a energia dispendida, o resultado final só poderia ser aquele. Os convites que fazíamos para as listas, alguns até os fiz sozinho, eram vistos quase como se proviessem de autênticos extra-terrestres. Pois se Ferreira Torres ia ganhar por muitos! PSD e PS consolidaram aí o desastre de 1983 e franquearam as portas ao domínio avassalador de Ferreira Torres, com o atrapalhado PRD a dar uma pequena ajuda. Aniceto Costa e Babo Ribeiro acabariam por renunciar aos respectivos mandatos, sendo substituídos por Luís Monteiro da Silva e Rui Brandão.

Em 1986, as candidaturas de Mário Soares e de Freitas do Amaral partiram o país a meio. Ainda hoje recordo a emoção que se viveu no Marco com a visita de Soares, acompanhado por um pequeno grupo de pessoas desde os Encambalados até ao comício na esplanada do jardim, voltado para a Praça Crispiniano da Fonseca. Ser o speaker do comício valeu-me uma afonia, recompensada por um valente abraço de Mário Soares. Daí até ao Porto, onde julgo que encerrava a campanha da primeira volta, foi uma festa emocionada. Os pequenos que se revelavam grandes! É claro que a ameaça de processo disciplinar por parte da concelhia da JSD, com carta registada e data marcada, nem sequer mereceu resposta.

Em 1987, terminou a minha carreira de dirigente estudantil, agora já na universidade, e também a de militante partidário. Aquele já não era o meu partido e, mesmo estando à vista de todos que Cavaco ganharia as eleições com maioria, apresentei a demissão durante a campanha eleitoral e o meu voto foi para Constâncio e o PS.

Desde então guinei à esquerda, motivado por razões que procurarei enunciar em próxima oportunidade, e nos últimos vinte anos tenho votado invariavelmente no PS. Sampaio, Guterres e Sócrates tiveram o meu voto nas legislativas. Soares, Sampaio e de novo Soares (apesar de não ter aceite ser o seu mandatário concelhio) tiveram-no nas presidenciais. Nas autárquicas, a música foi diferente – PS e PSD obrigaram-me a votar em branco em 1989 e em 1993. Em 1997 acreditei na candidatura protagonizada por Ismael Cardoso – parece que ainda estou a ver Artur Melo e Castro, deslumbrado, a entrar pela cafetaria Trenó a cantar “Três vereadores, vitória!” – mas cedo chegou a decepção. Nesse ano, até tinha recebido um convite improvável para iniciar a vida autárquica. Não, não foi do CDS, nem do PSD (acobertado nas listas do CDS), nem do PS.

Sobre 2001, falaremos adiante.

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Ainda te lembras do escândalo que foi eu ter aparecido no tempo de antena de Mário Soares?
J.M. Coutinho Ribeiro a 8 de Janeiro de 2009 às 01:48

Então não lembro. Um dirigente do CDS a apoiar Soares! Recordo-me de entrar contigo na sede de Soares no Marco, só não sei se foi na primeira volta ou na segunda. Em qualquer caso, o ambiente era de muita festa.

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