Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
15
Abr 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Norberto Soares tem vindo a apresentar no seu blogue os candidatos que o acompanham na candidatura. Primeiro Duarte Menezes, depois Cláudio Ferreira. Compreende-se que Norberto Soares tenha necessidade de promover as qualidades dos seus candidatos, mas já não se entende tanto o tom panegírico dessas apresentações, sobretudo a de Duarte Menezes. Norberto faria bem se moderasse os entusiasmos da sua entourage e deixasse para os eleitores o reconhecimento das qualidades das pessoas que leva consigo.


07
Abr 09
publicado por José Carlos Pereira, às 23:40link do post | comentar

O encontro divulgado no blogue do movimento "Um Marco de Verdade" dá conta das reflexões levadas a cabo pelos apoiantes de Norberto Soares nos domínios da acção social e do desporto e revela os seus mandatários de campanha. Norberto vinca assim a sua posição no terreno e inicia quinta-feira a recolha de assinaturas.

Por outro lado, a intervenção nesse encontro da psicóloga Rita Taveira mostra também que Norberto Soares é capaz de atrair pessoas da área do Partido Socialista. Com efeito, Rita Taveira foi candidata efectiva pelo PS à Assembleia Municipal nas últimas autárquicas e parece agora ter trocado Artur Melo e Castro por Norberto Soares. Será um sinal sem relevância ou a demonstração de que os cidadãos estão dispostos, em Marco de Canaveses, a privilegiar os movimentos independentes em detrimento dos partidos políticos? Para já, Norberto marca pontos no terreno de um adversário.


02
Abr 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 17:48link do post | comentar | ver comentários (15)

Tal como suspeitava, o ataque de Norberto Soares a Manuel Moreira caiu bem entre os seus apoiantes mais afoitos, a avaliar pelos comentários deixados por Nuno Pinto e Augusto Soares. Mas também é verdade que já recebi sinais, de quem está na expectativa, de que o ataque causou alguma perplexidade.

A Augusto Soares já respondi aos seus apelos de calma, dizendo-lhe que calma, por cá, é o que não falta. Mais difícil é a resposta a Nuno Pinto, que diz que não percebe o meu comentário, nem vê qualquer violência nas palavras de Norberto Soares.

Começando pelo princípio.

O que estranhei foi que o texto que abre as hostilidades tenha partido de Norberto Soares. E estranhei, porque não conhecia esta faceta de NS. Ela existe, porém, como se revela no texto. O que demonstra que nem sempre conhecemos tão bem as pessoas quanto julgamos. E isto está longe de ser uma crítica - trata-se apenas da constatação de um facto. Insisto, por isso: o tom do texto casa mal com o que conheço da personalidade de Norberto Soares. Como, certamente, se estranharia que eu, se fosse candidato, deixasse de responder à letra aos ataques pessoais, como aqueles de que fui vítima, por parte de Ferreira Torres, em 2001. Cada um é como é. E nem sequer estou para aqui a dizer que os outros devem ser como eu. Só que há imagens que se constroem e quando se foge delas o resultado é imprevisível.

Estou em completo desacordo com Nuno Pinto quando diz que o texto não é violento. É-o e muito. Se bem repararmos, não estamos perante um ataque político estrito. Resvala para o ataque pessoal, que visa o carácter de um adversário. O carácter. A falta de ética. A falta de vergonha.

E com tudo isto - repito - não estou a discutir se o que relata NS no seu texto é verdadeiro ou não. Porque não é isso o que está em causa nos meus comentários.

 


01
Abr 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 22:52link do post | comentar | ver comentários (2)

Confesso que estranhei - e parece que José Carlos Pereira também - o conteúdo e o tom do texto de Norberto Soares de que abaixo se dá nota. E estranhei, desde logo, porque não contava com tamanha violência vinda de um candidato que tem uma imagem - por vezes excessivamente - cordata.

Se não tenho dúvidas de que o texto pode ter caído bem junto do seu núcleo duro de apoiantes - ou, pelo menos, de muitos deles -, fico com sérias dúvidas de que seja muito eficaz junto do potencial eleitorado de Norberto Soares, porque revela uma faceta do candidato que não fazia parte da imagem que construiu ao longo dos anos.

Mas, claro, é fácil ser treinador de bancada. Norberto Soares é quem está no terreno e, melhor do que quem está em casa, saberá avaliar qual o caminho a seguir.

De qualquer modo, convém que NS tenha consciência de que acaba de abrir as hostilidades e de marcar o tom da campanha. A partir daqui não será possível qualquer recuo. E se o cordato Norberto fala assim a tantos meses das eleições, é fácil presumir como será a pré-campanha a partir de agora.


publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 19:34link do post | comentar | ver comentários (7)

Abriu a época de caça: no seu blogue, Norberto Soares lança um duro ataque a Manuel Moreira. Os factos imputados são graves - desde pressões sobre funcionários da autarquia por causa das listas nas freguesias, à utilização do automóvel presidencial em pré-campanha - e o tom do ataque desenfreado. Leia-se um excerto:

 

(...) A isto chama-se falta de ética, carácter e vergonha e muito mais, quando se utiliza o poder para retirar benefícios pessoais de candidatura. Maior vergonha, é ainda, quando se utilizam os meios camarários para se fazer campanha. Se Manuel Moreira quer percorrer os locais do Concelho para conquistar gente para as suas listas, que o faça em viatura própria e não com automóvel e motorista da edilidade. (...)»

 

Manuel Moreira não pode deixar de responder.


publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 19:23link do post | comentar

 

Trava-se, em comentários por aqui abaixo, discussão interessante sobre o que vai ser julgado nas próximas eleições: se o trabalho de Manuel Moreira nos últimos quatro anos; se a herança de Ferreira Torres das mais de duas décadas de poder.

Manuel Moreira vai ser julgado, certamente. É o presidente em exercício. Tem maioria absoluta. Contou com a benevolência das oposições, em nome da desgraçada situação financeira do Município e em nome dos ares democráticos (a tal obra imaterial de que tanto fala) e, também, porque há na oposição quem não tenha legitimidade para assumir uma postura muito crítica.

O actual edil vai ser confrontado com o que prometeu e não cumpriu. E quando se escudar na falta de meios, lembrar-lhe-ão que sabia de antemão a situação da autarquia. Lembrar-lhe-ão despesas em bens ou serviços não fundamentais. Vão-lhe atirar que foi um mandato com muito circo e pouco pão.

Mas Manuel Moreira não será o único a ser julgado. Ao contrário do que alguns pretendem, Avelino Ferreira Torres também vai a julgamento. Não tendo ido a votos, no Marco, nas últimas eleições, irá ser confrontado pela sua responsabilidade na situação financeira da Câmara. E também por dossiês quentes como a concessão da água ou a compra do Cine-Teatro. Tantas coisas...

Norberto Soares também irá ser julgado e estará numa posição ingrata. Vai sofrer os reflexos, ainda, da sua proeminente actividade de nº 2 de Ferreira Torres e vai ser julgado por se ter afastado e passado a correr em pista própria. E que dizer do mandato de Norberto Soares enquanto vereador da oposição?

Quanto a Artur Melo, o julgamento a que vai ser sujeito estará sempre condicionado pelas trapalhadas que rodeiam a sua candidatura.


10
Mar 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 19:39link do post | comentar | ver comentários (2)

Em comentários abaixo, discute-se sobre se Norberto Soares já se demarcou definitiva e suficientemente de Avelino Ferreira Torres. Na minha opinião, ainda não. Mas ainda vai a tempo, desde que comece breve. A questão que se coloca é saber se lhe vai ser assim tão fácil. Ou melhor: se Ferreira Torres lhe vai facilitar a tarefa ou não.


05
Mar 09
publicado por José Carlos Pereira, às 18:45link do post | comentar | ver comentários (2)

O blogue de Norberto Soares respondeu hoje à minha interpelação. Norberto Soares diz que está a trabalhar na constituição das suas listas e que não há motivos para apreensões ou especulações. Em breve começará a recolher as assinaturas de que necessita para concorrer.

Apesar de tudo o que aí é dito, mantenho a opinião que expressei anteriormente. E não sei a que se refere quando diz que não alimentam boatos. Que boatos?


03
Mar 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar | ver comentários (1)

Mais de um mês decorrido desde a última actualização, o blogue de Norberto Soares permanece desprovido de notícias, comentários e opiniões do candidato e dos seus apoiantes. Sei que Norberto Soares reserva para momento mais oportuno, segundo o seu próprio entendimento, a revelação das suas ideias e das suas equipas, mas ter no ar um blogue desactualizado, sem informação sobre a candidatura e as actividades do candidato parece-me errado.

Para isso, mais valia optar por um instrumento de comunicação que exigisse menos exposição e menos interactividade com os (e)leitores.


13
Fev 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Este post sobre a legislação autárquica motivou um outro de Coutinho Ribeiro sobre o mesmo assunto, com comentários pertinentes de um nosso leitor.

A longa permanência de certos autarcas em funções fez-me pensar na reduzida renovação que se anuncia para as próximas eleições autárquicas, pelo menos em determinados sectores. Como exemplo paradigmático, o movimento "Marco Confiante" apresentará três candidatos que, em conjunto, somam quase 80 anos de exercício de funções autárquicas!

Avelino Ferreira Torres tem praticamente 30 anos de história autárquica: vice-presidente da Câmara entre 1979 e 1982, presidente da Câmara entre essa data e 2005, vereador da oposição em Amarante até ao ano passado. O único interregno foi durante os meses em que o seu executivo "caiu" em 1983, até à reeleição nas intercalares.

Lindorfo Costa completa cerca de 25 anos de funções. Foi vereador de 1982 até 2005, na maior parte do tempo como vice-presidente da Câmara, apenas com o mesmo interregno de Ferreira Torres, e é deputado municipal desde 2006.

Monteiro da Rocha, previsível candidato à Assembleia Municipal, presidiu a esse órgão entre 1985 e 2005 e mantém-se como deputado municipal no actual mandato. 24 anos, portanto.

Já Norberto Soares, do movimento "Um Marco de Verdade", embora com uma experiência diversa, completará este ano 20 anos de exercício autárquico. Esteve na Junta de Freguesia de Soalhães 12 anos, 8 dos quais como presidente, foi vereador entre 2001 e 2005, durante parte do tempo como vice-presidente, e é desde então vereador da oposição.

Perante este retrato esmagador, vale a pena perguntar se é o poder que atrai assim tanto, provocando uma natural acomodação ao seu exercício, ou se são os próprios bastidores do poder que barram a porta à renovação.


10
Fev 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 18:37link do post | comentar | ver comentários (4)

Norberto Soares quer um "Marco de Verdade". Sabe-se, agora, que Manuela Ferreira Leite apresentou hoje o fórum "Portugal de Verdade". Coincidências. E ainda queria Norberto ser candidato pelo PS... Quem não deve estar a achar piada à coincidência é Manuel Moreira. Realmente, o pão com manteiga caiu-lhe com a manteiga virada para baixo. A sua querida líder a usar o mesmo slogan que um dos seus adversários é mau de mais para ser verdade.

 

 


04
Fev 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 17:54link do post | comentar | ver comentários (4)

a Augusto Soares:

 

Comecemos por clarificar que Norberto Soares só ganhou uma eleição: a da Junta de Soalhães, em 1997, numa altura em que a presidia, por substituição de Couto Leite, que a ganhara em 1993 (ao meu pai, curiosamente).

Em 2001, estava na lista do CDS para a Câmara, mas creio que o mérito da vitória terá sido de Ferreira Torres. Ou não?

Em 2005, NS foi cabeça-de-lista do CDS à Câmara e perdeu. E, então, se entrarmos nesta coisa de vitórias e derrotas, podemos dizer que NS conduziu o CDS à sua primeira derrota autárquica no Marco desde 1982.

Diz-me que perdeu por causa das traições. Não sei de que fala, meu caro. Em muitas conversas que tive com NS antes e depois dessa eleição, ele nunca me falou de traições.

Quanto ao processo de 2009, digo agora o que disse antes: nem o PS-Porto, nem Norberto Soares estiveram bem. O PS apostou em NS, com o argumento de que Artur Melo não estava a "pegar" e que NS era um candidato já "feito". Norberto já tinha aceitado ser candidato do PS e só não se consumou porque, entretanto, percebeu que não tinha nada a ganhar com isso.

Tudo isto, sem esquecermos a não desmentida conversa entre Norberto e Manuel Moreira a seguir às eleições de 2005.

 

a Helena Alves:

 

Creio que parte das resposta já foram dadas acima.

Quanto a Norberto nunca ter sido militante do CDS, creio que deves ver isso melhor, porque estou creio de que o foi até há algum tempo. De outro modo, desfiliou-se - houve uma carta - do que não era filiado.

Por outro lado, no que se trata de demarcações, há que avançar um facto objectivo: no tempo em que convivi com NS no Executivo - entre o princípio de 2002 e final de 2003 - nunca vi que ele tivesse discordado de qualquer proposta da maioria CDS-PP. Pode chamar-se a isto lealdade. Eu acho falta de independência.

NS esteve naquele mandato até ao fim, foi candidato do CDS em 2005, assumiu-se como herdeiro da gestão de Ferreira Torres nesse debate em Penafiel. Moral da história: não se pode ser "torrista" quando dá jeito, e deixar de ser quando não o dá. Porque, entre um momento e outro, não vi nada que possa justificar uma mudança de opinião sobre o "torrismo".

Em rigor, Norberto deixou o CDS quando percebeu que AFT viria outra vez por aí e que ficava sem espaço.

 

(Quanto ao resto, tens razão: ainda hoje acho que os primeiros anos de gestão de Ferreira Torres - em que participei - foram bons e marcaram uma viragem positiva num Marco anquilosado. Pena que se tenha perdido esse espírito e que depois a coisa se tenha transformado no que se transformou. E foi nessa parte que Norberto esteve...)


publicado por José Carlos Pereira, às 00:50link do post | comentar | ver comentários (3)

A propósito das reflexões lançadas sobre o que é ser ou não ser independente, devo dizer que concordo com Coutinho Ribeiro. E não posso estar mais em desacordo com o leitor Augusto Soares. A prova da independência não se faz por andar a saltar de partido para partido ou por usar de forma oportunista a máquina dos partidos. No nosso regime, os partidos políticos são essenciais. É verdade que há muito a fazer na relação de transparência e de proximidade dos partidos com os cidadãos, mas são um pilar fundamental do regime democrático.

A nossa independência mede-se em relação aos valores e princípios que defendemos na acção política. Seja no exercício de funções ou no debate de ideias. A independência afirma-se no que construímos todos os dias. É essa a questão que deve pesar na análise ao percurso de Norberto Soares e de cada um de nós.

Pessoalmente, vejo-me como um social-democrata na velha tradição nórdica e essa matriz conduz o meu pensamento político e a minha visão do Estado e do Mundo. Fui militante da JSD/PSD até aos 21 anos e decidi nessa altura que não voltaria a militar em nenhum partido. Porquê? Porque não estava disposto a abdicar da minha liberdade e independência, ficando manietado pelos dogmas partidários. Isto porque sou dos que pensam que um militante de um partido tem obrigações e deveres de lealdade perante os dirigentes e as opções do seu partido. Quando concorri à Assembleia Municipal pelo PSD, em 2001, e pelo PS, em 2005, fiz questão de ser registado como candidato independente, garantindo uma margem de liberdade suficiente para nunca ter de violentar os meus princípios.

Considero-me um cidadão independente não por ter concorrido por partidos diferentes, o que até é uma heresia para alguns, mas por ser fiel aos valores em que acredito. Destes sou um dependente. O que faz com que haja partidos ou movimentos pelos quais nunca seria candidato a coisa alguma. Como há pessoas que nunca acompanharia.

Norberto Soares tem de actualizar o seu "registo de interesses" nesta matéria. Quando ainda há pouco disse publicamente que, para si, Ferreira Torres era uma referência e que, no essencial, reconhecia como positivo o trabalho de Manuel Moreira, Norberto estava a ser independente ou estava a fugir de se comprometer com uma opinião concreta?


03
Fev 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 22:30link do post | comentar | ver comentários (6)

 

Diz o leitor Augusto Soares que o que faz de Norberto Soares independente é já ter concorrido «com as cores de várias camisolas em todo o seu trajecto autárquico».

Pensei que a afirmação iria desencadear comentários discordantes. Mas não. Arrisco-me, pois, a ser o único a discordar. Mas, ainda que corra o risco de parecer patético, explico por que discordo.

Assim, desde logo, para dizer que não vejo mal que as pessoas mudem de partido (eu já mudei). O que já não me parece correcto é dizer-se que mudar tantas vezes de "camisola" faça de alguém um independente. A independência está na cabeça das pessoas, na forma como agem na sua actividade política. É saber dizer Não quando não estão de acordo, mesmo que os demais da sua área política entendem que é Sim. E é saber ir embora quando a discordância se torna de tal modo insanável, que manter-se em funções ou é violentar-se a si mesmo ou constitui deslealdade para com os da sua área que pensam de outra forma. E a pergunta que aqui se coloca é esta: terá Norberto um percurso de independência, visto por este prisma?

Dito isto, não posso concordar, também, com AS, quando afirma que «os partidos apenas serviram para percorrer um caminho e atingir um objectivo. É esta a forma de lutar daqueles que são realmente independentes e querem servir o Concelho, mas não têm dinheiro para montar uma máquina eleitoral porque sempre pautaram a sua vida com honestidade e elevação. Perante tal quadro, parece-me despropositado criticar o CDS e aqui Norberto Soares só demonstrou o seu verdadeiro carácter, seguindo a velha filosofia de que não se deve cuspir no prato onde se come».

E não concordo, desde já, porque entendo que os partidos não servem só para chegar ao poder. Têm as suas linhas programáticas, são espaços de discussão e têm as suas diferenças. Ser social-democrata não é o mesmo que ser comunista. Ser de um ou de outro partido tem na sua base uma certa forma de ver o mundo. Ora, pelo que vejo, Norberto Soares é demasiado elástico na sua forma de ver o mundo. Demasiado para o meu gosto, claro.

Mas há mais: sendo certo que Norberto já decidiu que vai a votos como independente (não tem, por isso, máquina partidária), uso as palavras de AS para perguntar: de onde vem, então, o dinheiro para montar a sua máquina eleitoral? Será que de algum grupo económico que, a seguir, vai cobrar o apoio?

E há ainda: eu nunca disse que Norberto Soares deveria ter-se demarcado do CDS, que é um partido tão respeitável quanto os outros. O que eu queria dizer é que Norberto nunca se demarcou do «circo» dos últimos 20 anos e, por isso, vai ser-lhe difícil explicar onde está o seu espaço.

Ora, isto não tem nada a ver com «cuspir no prato onde se come». Por um lado, porque acho que Norberto não andou a comer em nenhum prato; por outro, porque quando as pessoas se afastam de um projecto por discordarem dele, não estão a cuspir em coisa nenhuma. Estão a pensar pela sua própria cabeça e a ser honestos consigo mesmos e com os outros. Estão ser independentes.

Entendámo-nos: Norberto Soares já me disse várias vezes que é um social-democrata. E ser social-democrata, pelos vistos, é bom: dá para ser candidato por todos os partidos.

 


publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 15:25link do post | comentar | ver comentários (1)

O leitor Augusto Soares, em comentário abaixo, sai em defesa de Norberto Soares. Os argumentos que utiliza são, no mínimo, polémicos. Designadamente quando afirma:

«Norberto Soares já concorreu com as cores de várias camisolas em todo o seu trajecto autárquico e é isso que faz dele independente».

Ou quando diz:

«Os partidos apenas serviram para percorrer um caminho e atingir um objectivo. É esta a forma de lutar daqueles que são realmente independentes e querem servir o Concelho, mas não têm dinheiro para montar uma máquina eleitoral porque sempre pautaram a sua vida com honestidade e elevação. Perante tal quadro, parece-me despropositado criticar o CDS e aqui Norberto Soares só demonstrou o seu verdadeiro carácter, seguindo a velha filosofia de que não se deve cuspir no prato onde se come».

Qual é a vossa opinião sobre o assunto?, pergunto (já agora acho que devem ler primeiro o texto que deu origem ao comentário de Augusto Soares). Eu respondo mais tarde.

 


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