Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
17
Jul 12
publicado por João Monteiro Lima, às 19:55link do post | comentar

Coutinho Ribeiro, fundador deste espaço, militante do PSD, candidato à Câmara em 2001 e mandatário de Manuel Moreira em 2009, escreveu um texto no facebook sobre a tomada de posse da concelhia laranja e a posição assumida pelo líder distrital do PSD, Virgílio Macedo.

Partilho muitas das preocupações de Coutinho Ribeiro, reconheço também as qualidades das pessoas que integram a concelhia social-democrata marcoense, começando desde logo pelas duas principais figuras Rui Cunha e Jósé António Mota

Dada a importância, publica-se no Marco 2009 o texto deste ilustre marcoense, figura incontornável do PSD Marco

 

Domingo à tarde, fui à tomada de posse da Comissão Política Concelhia do PSD Marco Canaveses, liderada por Rui da Rui Cunha Monteiro. Por dever de militância e porque os empossados são meus amigos. E também por curiosidade, uma vez que, embora aparentemente ande tudo no melhor dos mundos, é óbvio que há um clima de tensão entre o PSD que domina a Câmara e a Comissão Política.

Porque sou um militante cordato e porque tenho a noção do que está em jogo, tenho tentado diluir a tensão, falando com pessoas de um e de outro lado da barricada. E falando com quem, a nível distrital, tem a incumbência de resolver estes diferendos. Pensei que estava a ajudar e quem, a nível distrital, falou comigo também teve uma atitude cordata para resolver o problema.

Não contava, pois, por isso, que o presidente da Distrital do PSD, Virgilio Macedo, tivesse o discurso que teve, na tomada de posse. Confesso - não gostei do que ouvi, tanto mais que não corresponde ao que, dias antes, um responsável distrital me tinha dito sobre o assunto. Para Virgílio Macedo tudo se resume a isto: o PSD domina a Câmara e a Concelhia do PSD não deve fazer mais do que colaborar na reeleição de Manuel Moreira.

Virgílio Macedo foi mais longe ao ponto de dizer que esperava que a actual CP não tivesse atitudes para com os candidatos a autarcas como tiveram anteriores CP, que tentaram dinamitar as candidaturas autárquicas (a minha, em 2011; a de Manuel Moreira - actual presidente da Câmara -, em 2005 e 2009).

Há aqui uma tremenda confusão em que Macedo, por desconhecimento de causa, incorre. Desde logo, porque as pessoas não são as mesmas; depois, porque as intenções também são diferentes. Os responsáveis da CP em 2001, 2005 e 2009 eram pessoas que mais não tinham do que um projecto de poder pessoal. Um projecto em que valia tudo, até apoiar de forma mais ou menos expressa candidaturas alternativas, passar informação para os adversários, boicotar acções de campanha em nome dos lugares que não tiveram nas listas. Fizeram-me de tudo: retiraram-me a confiança política como vereador (até Ferreira Torres foi solidário comigo, nessa altura) e, a pensar nas eleições de 2005, tentaram voltar a forjar uma coligação com o CDS de Ferreira Torres, quando eu andava, quinzenalmente, à cabeçada a Ferreira Torres nas reuniões de Câmara.

Os actuais responsáveis pelo PSD-Marco, pelo contrário, são pessoas empenhadas em garantir que o PSD volte a ganhar eleições. Apenas querem ser respeitadas. Mas, mais do que isso, são pessoas que, em 2001, quando o PSD estava no fundo do poço - nas eleições de 1997 nem sequer tinha apresentado candidatura à Câmara, no âmbito de um acordo com Avelino Ferreira Torres - deram tudo o que tinham em torno da minha candidatura, que, apesar das muitas promessas, foi uma candidatura sem meios e sem apoio político distrital. Sem meios, mas com uma enorme vontade, foram estes militantes que conseguiram, comigo, voltar a pôr o PSD no mapa partidário do Concelho. Mas Virgílio Macedo confundiu tudo. E, ao confundir, pode ter arranjado um problema grave. Tal como tive oportunidade de lhe dizer, por escrito, quando soube que andava a tentar promover a presidente de um agrupamento de escolas um dos tais que há anos tentam dinamitar o PSD do Marco, em política não vale tudo. Nem mesmo quando se trata de ganhar uma Câmara.

No meio, fica Manuel Moreira, de quem fui mandatário nas últimas eleições. Ainda não sei o que ele pensa do assunto. Presumo que estará de acordo com Virgílio Macedo, porque lhe dá mais jeito para poder escolher - de mãos livres - a sua equipa para as próximas autárquicas. Veremos no que dá a postura. Veremos as reacções. Veremos os resultados. De qualquer modo, devia haver quem, com mais memória, explicasse ao actual presidente da Câmara que ele não teria ganho as eleições em 2005 sem o trabalho que os membros da actual CP fizeram em 2001 (quando Moreira não quis ir a votos contra Ferreira Torres).

De mim, que sou um outsider, poderão continuar a esperar empenhamento para que o PSD vingue no Marco. Mas não esperem que eu fique calado quando vejo quem tanto deu de si em 2001 e nas eleições que se seguiram a ser maltratado


17
Set 10
publicado por João Monteiro Lima, às 17:45link do post | comentar | ver comentários (6)

A saída de Coutinho Ribeiro, anunciada pelo próprio neste post, e afastando a perda que é para o Marco2009, mais não é do que concretizar o que já tinha acontecido. Infelizmente (sim, porque as suas opiniões fazem falta) CR já há muito tempo que não participava directamente no blog, o que precipitava o que agora aconteceu. Sei que, mesmo tendo saído do Marco2009, CR não deixará de dar a sua opinião sempre que entenda que seja necessário.

Há muito tempo que CR nos habitou a não deixar de intervir quando os valores e princípios fundamentais estão em causa, aliás, o nascimento do Marco2009 surge quando, CR e José Carlos Pereira, entendem que o essencial poderia estar em causa e não poderiam “assobiar para o lado”, decidindo intervir desta forma na vida local.

Os escritos de CR e de JCP serão sempre importantes (mesmo que se discorde dos mesmos) e como tal, sempre, bem recebidos no Marco2009 que continuará como até aqui. Eventualmente terão que ser efectuados alguns reajustamentos, pelo que não excluímos a possibilidade de endereçar convites a alguns marcoenses para participarem como co-autores do Marco2009, sempre no sentido de ser possível pensar e discutir a nossa Terra, de um forma livre, democrática e responsável.

A linha editorial manter-se-á inalterada pelo que os comentários anónimos ou semi-anónimos que, de tempos a tempos, por cá aparecem e que visam de forma ofensiva qualquer pessoa serão liminarmente excluídos. Não vale a pena insistir nesse caminho.

O Marco2009 segue dentro de momentos.


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