Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
12
Mai 09
publicado por José Carlos Pereira, às 08:45link do post | comentar

Em ano eleitoral, a comunicação e o marketing políticos vão estar na crista da onda. Hoje em dia, são poucos os candidatos, mesmo a nível autárquico, que dispensam um aconselhamento profissional nestas matérias. Contudo, muitas vezes esses conselhos, porque demasiado teóricos e assépticos, estão desajustados da realidade em que pretendem intervir. Vamos a dois exemplos marcoenses.

João Monteiro Lima referiu-se à revista do município, criticando alguns aspectos da mesma. Pois bem, para além de considerar a mesma um desperdício de dinheiros públicos - faz algum sentido estar agora a noticiar eventos do... Verão do ano passado? - parece-me um total exagero a quantidade de fotos (quantas dezenas?) do presidente Manuel Moreira. As imagens de Moreira repetem-se ao longo das páginas, cansando os leitores e os eleitores. Quem recomendou aquele formato de revista? Se foi algum conselheiro profissional de comunicação não merecia que lhe pagassem...

Artur Melo foi apresentado como candidato do PS à presidência da Câmara Municipal. Nota-se nos relatos e no próprio site da candidatura que não se abusa da colagem ao PS, como se se tentasse esbater esse vínculo partidário. Percebo a tentação, numa tentativa de ir buscar eleitores de várias proveniências e de "amortecer" o descontentamento com a governação do PS. Contudo, numa eleição onde já há dois candidatos independentes, entendo que os partidos de poder - PS e PSD - se devem afirmar nas suas diferenças. A democracia precisa de partidos fortes, também em Marco de Canaveses.

Artur Melo, que me pareceu convicto da bondade da sua estratégia de comunicação, lançou os primeiros out-doors e flyers com a mensagem de que está a ouvir as pessoas. Confesso que não gosto da mensagem principal deste período de pré-campanha: "Estou a ouvir". Entendo a estratégia de querer vincar que o candidato não tem ideias pré-concebidas e quer construir um projecto com o contributo de todos. No entanto, para um candidato que está a preparar-se há pelo menos três anos para esta missão, exige-se neste momento que concretize ideias, projectos, medidas efectivas. Que diga como fazia diferente, com os condicionalismos que manietam a autarquia. Também aqui me parece que os conselheiros de  marketing político terão intelectualizado demasiado a estratégia de comunicação, esquecendo-se de a "agarrar" àquilo que os marcoenses conhecem e esperam de Artur Melo.


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO