Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
07
Jan 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 01:29link do post | comentar

Porque já passei pelo mesmo (2001), sei bem o que custa enfrentar uma campanha eleitoral longa e atribulada, sobretudo quando se está na oposição. É muito mais doloroso do que alguns possam supor. Toda a vida passa a girar em torno do projecto, os dias são condicionados pelos telefonemas, pelas dificuldades de encontrar candidatos, pelas atribulações que surgem a toda a hora, pelas traições, pelos apoios que falham. Não me custa, pois, acreditar que quer Norberto Soares, quer Artur Melo, tenham vivido momentos de grande tensão nos últimos dias e que tenham emagrecido uns quilos. E viverão mais, se ambos forem candidatos

Dir-se-á: quem corre por gosto, não cansa! É verdade. Mas também é verdade que, muitas vezes, ser candidato é uma condição que ultrapassa a racionalidade, é quase um destino ou uma fatalidade que não se pode contornar. Por isso, ambos - ambos - merecem o nosso respeito. Se é verdade que os dois cometeram erros ao longo deste intenso processo, não é menos verdade que ambos são candidatos porque querem o melhor para o Marco e ambos têm o sonho de serem presidentes da Câmara. Já falei muito com ambos nos últimos anos para saber que é assim. E não me venham com a história de que este ou aquele anda aqui a pagar favores.

Convinha, por isso, que a conversa não resvalasse. Se é verdade que, da parte dos dois, a educação pesa, há que ter cuidado com os que são mais papistas do que o Papa. Muitas vezes não é por mal, mas o certo é que já estão dados sinais de alguma crispação e a linguagem não me parece a mais adequada. Diga-se o que tiver que ser dito com vigor e frontalidade, mas não se esqueça a cortesia e a sã convivência entre pessoas que se conhecem há muitos anos e que são amigas.

Ambos - e os que vierem também, porque isto só está a começar, mas são eles que têm estado no centro das atenções - devem preservar-se para os verdadeiros combates, sob pena de chegarem lá arrasados.

Poupe-se, pois, a linguagem de mau gosto. E o ataque anónimo. Façam os candidatos pedagogia nesse sentido. E, sobretudo, não se caia na tentação da sugestão capciosa, da intriga mal intencionada, das meias-palavras, de juízos de carácter sobre quem não se conhece, da insinuação vaga que serve para tudo, porque há quem tenda a ver nos outros defeitos próprios.

É que se as coisas avançam por esse lado, daqui a pouco ninguém as pára. E ainda nos arriscamos todos a que Ferreira Torres surja por aí como um verdadeiro mister.

 

 

 


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