Olhares descomprometidos, mas interessados, sobre o Marco de Canaveses. Pontos de vista muitas vezes discordantes, excepto no que é essencial. E quando o essencial está em causa, é difícil assobiar para o lado.
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Jan 09
publicado por J.M. Coutinho Ribeiro, às 02:10link do post | comentar | ver comentários (3)

 

Conheço a Maria José Azevedo há muitos anos. Era eu um miúdo a dar os primeiros passos no jornalismo - O Comércio do Porto - e a Maria José já era uma das caras da RTP. Mais tarde, estivemos juntos na formação do Clube de Jornalistas do Porto, projecto lançado pelo Jorge Massada (ex-Expresso) que não teria vida muito longa. Mas nem por isso pouco agitada.

Mais tarde, a Maria José deixou o jornalismo e foi vereadora da Câmara do Porto, num dos mandatos de Fernando Gomes. Em 2005, foi candidata pelo PS à Câmara de Valongo, onde, por muito pouco, não ganhou as eleições ao eterno Fernando Melo.

Há cerca de um ano, encontrei-a, para um debate, no Porto Canal. Enquanto esperávamos, fomos falando dos nossos percursos. Lembrei-lhe que tinha estado a um passo de ganhar em Valongo e ela disse-me que só não ganhou porque o PS não tinha deixado. Sim, o PS. O seu partido. Ouvi, mas não estranhei. Afinal, eu já tinha passado por coisa parecida e sei muito bem o que é ter de lutar contra aqueles que deviam ser os nossos primeiros apoiantes.

Fui acompanhando o processo de Valongo, não só por causa da Maria José, mas também porque tenho amigos do PSD envolvidos naquela luta. Fui percebendo que o PS continua a não gostar de Maria José - apesar do seu bom trabalho como vereadora da oposição - e prefere lançar Afonso Lobão. Afonso Lobão, um militante que sempre fez carreira à sombra do aparelho. Paciente, Maria José esperou uma palavra da distrital de Renato Sampaio, que nunca chegou. Cansada de esperar e consciente de que tem responsabilidades locais, decidiu avançar como independente.

Não deixarei de ir dar-te um abraço a Valongo, Maria José. De solidariedade, claro.

 

ADENDA: já depois de ter escrito este post, descubro que MCR, no Incursões, desenvolve tese um bocadinho diferente da minha. E que JCP tem lá comentário. 


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